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RN
tem dificuldade em conciliar desenvolvimento
sustentável
CRISTIANO
ROJAS Da Redação rojas@omossoroense.com.br
Ironia
do destino, castigo divino ou apenas um
alerta da mãe natureza para a necessidade
de uma exploração racional dos recursos
que brotam das veias abertas da terra?
Certamente
um dos maiores desafios para o homem desse
início de século 21 será estabelecer critérios
de uso ordenado e contínuo das riquezas
naturais associado ao desenvolvimento econômico.
No Rio
Grande do Norte conviver de forma harmônica
com o Meio Ambiente ao que parece não tem
sido fácil. Mostras dessa incompatibilidade
têm sido denunciadas quase que diariamente.
Destruição
dos manguezais, degradação do solo, desmatamento
indiscriminado e a poluição das reservas
de água potável são apenas alguns dos aspectos
dessa coexistência nada pacífica.
Nunca se
falou tanto em preservação de recursos naturais
como nas ultimas duas décadas. Os problemas
surgem ao passo em que crescem a exploração
por fatores econômicos – carcinicultura,
sal, petróleo, frutas irrigadas, entre outras
culturas.
BIOMAS
– “Falta discutir o planejamento, a exploração
e o uso sustentado das riquezas naturais
do estado”, diz Solon Mauro Fagundes, membro
potiguar no Conselho Nacional do Meio Ambiente
(CONAMA).
O ambientalista
defende que haja um amplo debate em torno
dos limites de exploração dos recursos naturais.
O mau uso dos recursos ora explorados podem
causar impactos profundos e irreversíveis.
“No interior,
por exemplo, o desmatamento tem devastado
há anos a caatinga. O problema é sério,
tendo em vista que os dois principais agentes
de degradação são a agricultura e o petróleo,
duas importantes fontes de riqueza para
o Estado”, destaca.
A exploração
desordenada avança sobre a fauna e a flora
do estado. O seridó já ressente dos efeitos
da má exploração dos recursos naturais,
que acentuou nos últimos anos o processo
de desertificação na região.
Defensor
dos biomas existentes no estado, Solon Mauro
adverte para a importância da manutenção
do que resta de Mata Atlântica, Caatinga,
Manguezais e ecossistemas estuários.
Colapso
de recursos hídricos põe Baraúna em
alerta
Como conciliar
desenvolvimento econômico com preservação
ambiental? Ambientalistas, entidades e instituições
dos mais diversos segmentos estão neste
momento debruçados sob um problema do qual
não sabem como solucionar nem que fim terá.
O uso indiscriminado
das reservas hídricas do Aqüífero Calcário-Jandaíra
vem provocando o secamento dos poços artesianos
numa velocidade que poderá gerar profundas
mudanças na economia e na vida dos habitantes
do município de Baraúna.
Um encontro
articulado pelo Pólo de Desenvolvimento
Integrado Assu/Mossoró, gerenciado pelo
Banco do Nordeste (BN), marcado para hoje,
tenta agora firmar uma agenda de compromissos
para contornar a situação. O município é
o maior produtor estadual de melão.
O secretário
de Agricultura da pequena cidade do oeste
potiguar, Francisco Reginaldo de Souza,
acredita que somente através do uso racional
da água do Aqüífero Calcário-Jandaíra, localizado
no município é que poderia haver um controle.
Foi ele
quem primeiro alertou para o problema. Há
muitas perfurações sem a licença da secretaria.
Os poços estão secando (ou pelo menos baixando
de nível) mesmo em anos de boa precipitação
pluviométrica, como foi em 2002.
CRITÉRIOS
– Os poços estão sendo perfurados sem nenhum
critério técnico. Para Reginaldo de Souza,
é preciso a formação de um Comitê de Gestão
do Aqüífero, com a presença de um técnico
da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos
(SERHID).
No início
de dezembro último (dia 2), ele enviou à
SERHID um ofício onde pedia providências
com relação à perfuração indiscriminada
de poços artesianos, entregue por Airton
da Silveira Junior, agente de Desenvolvimento
do Banco do Nordeste (BN).
“Levei
o ofício com a denúncia para Ricardo Andrade,
da Coordenadoria de Gestão de Recursos Hídricos,
Cogerh, que é uma divisão da Secretaria
Estadual de Recursos Hídricos, mas como
já foi no fim do governo passado não foi
tomada nenhuma providência”, relembra.
A preocupação
do secretário Francisco Reginaldo de Souza
não é para menos. A manutenção dos recursos
hídricos do Aqüífero Calcário-Jandaíra é
primordial para o desenvolvimento das oportunidades
econômicas identificadas em Baraúna.
Progresso
tem provocado alterações no meio ambiente
O mesmo
progresso que chega para melhorar a vida
da população de pequenas cidades no interior
do Estado também tem provocado alterações
profundas no meio ambiente.
Novos problemas
ligados ao uso incorreto dos recursos naturais
são detectados a todo instante no Rio Grande
do norte. O mais recente surgiu com a redução
dos níveis de água do aqüífero Calcário-Jandaíra,
usada sobretudo na fruticultura irrigada
em Baraúna.
Os produtores
da região temem que o esvaziamento do aqüífero
provoque uma debandada das grandes empresas
do agronegócio instaladas no município,
que geram emprego e renda para a população
local.
No Vale
do Assu, a produção de bananas tem sido
apontada como uma das principais responsáveis
pelo fim da mata ciliar de carnaúba, segundo
constatação do professor Maurício Oliveira,
que pesquisa a cultura irrigada.
SUBSTITUTIÇÃO
– Apesar de gerar emprego e renda, a cultura
da banana também vem causando estragos ambientais
na medida em que o plantio irrigado da fruta
avança sobre o que resta de mata nativa.
“A planta
está sendo praticamente substituída pela
cultura da banana”, revela o professor.
Carnaubais, Ipanguaçu, Assu são as cidades
da região Oeste mais afetadas pelo desmatamento
indiscriminado.
Formado
em agronomia, Maurício Oliveira tenta desde
1992 frear o desmatamento da carnaubeira.
“A gente sabe que a mata deveria ser preservada
por Lei, mas a gente conhece como são as
leis brasileiras”, diz.
Segundo
o pesquisador, a construção da Barragem
Armando Ribeiro – no início da década de
1990 – é considerado pelos estudiosos como
o grande momento de desmatamento dos carnaubais
no Vale do Assu.
“Os agricultores
começaram a substituir a vegetação natural,
o espaço que antes era da carnaúba, por
plantações frutíferas. Surgiram as grandes
plantações e um fluxo intenso de irrigação
na área das várzeas”, explica.
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