ATUALIZADO ÀS TERÇAS, QUARTAS, QUINTAS, SEXTAS E DOMINGOS
 


O governo e o Refis

As lideranças partidárias estão numa sinuca de bico. O acordo firmado com o Executivo, no apagar das luzes do governo Fernando Henrique, possibilitou a aprovação de um novo Refis, com vigência a partir do ano de 2003. Nesse entendimento, o governo aproveitou para promover a maior onda de aumento de tributos que o Brasil já teve, tudo negociado com o governo de então mas, também, com o governo de transição, que mesmo sem existir juridicamente, de fato, ele foi atuante na administração anterior.

O veto do presidente que saía, por solicitação do presidente que entrava, Lula da Silva, terminou por constranger os parlamentares. A equipe econômica que assumiria em janeiro, pressionou para que o Refis não retornasse, mesmo continuando com a parte do acordo favorável do governo, como a manutenção da CPMF e alíquotas do imposto de renda. Embora possa parecer um fato muito simples, na verdade, ele se constitui numa quebra de compromisso entre os dois poderes, o Legislativo e o Executivo.

Com a pauta do Congresso obstruída, as reuniões se sucedem, com o ministro José Dirceu tentando, de todas as maneiras, encontrar uma solução para o impasse. Escuta-se contentemente nos corredores da Câmara que o assunto não pode ser tratado de forma cartorial, onde existem as assinaturas e os reconhecimentos de firmas. O compromisso existe e, sendo quebrado, o Congresso estará submetendo-se às vontades do novo governante. Daí para a frente, dificilmente haverá alguma negociação.

Existem pontos considerados absurdos na MP do Refis, como o atendimento a instituições bancárias. Por outro lado, as cooperativas estão sendo tomadas como referência, para que possam continuar existindo. Uma solução intermediária poderia ser a solução, com os pontos sendo ajustados e o Refis aprovado para os que dele honestamente necessitam.

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de agricultura, ex-deputado federal e articulista político

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Mossoró-RN, sexta-feira, 14 de março de 2003