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Aproximadamente 19
alunos na faixa etária de 6 a 8 anos, ou seja 90% das
crianças residentes no assentamento Camurupim (zona
rural de Mossoró), estão sem condições de assistirem
aula, tendo em vista que para chegar à escola do sítio
Camurupim (aproximadamente 3 km de distância da localidade)
eles têm de passar por quatro porteiras de fazendas,
as quais estão fechadas com cadeados.
Nas propriedades privadas
foram obstruídas as passagens e com isso os alunos que
vão de bicicleta para a aula não têm como passar sozinhos,
sem a presença de um adulto, pelas cercas. Os pais já
estão proibindo que seus filhos se arrisquem na estrada
para irem à escola.
A professora da Escola
Municipal Bento José de Freitas (sítio Camurupim), Fátima
Araújo da Silva, lembra que tem 22 alunos, mas apenas
três que residem nas proximidades da instituição de
ensino estão indo assistir aula.
"Os pais estão
ameaçando tirarem seus filhos da instituição e transferirem-nos
para a Escola no São João da Várzea que, inclusive,
fica mais distante da comunidade. A estrada que os alunos
utilizam é a mesma por onde o bando de Lampião passou
quando foi invadir Mossoró. Ou seja, ela é mais antiga
do que todos os moradores da cidade, por isso ninguém
tem o direito de bloqueá-la", enfatiza Fátima Araújo.
Desde a semana passada
que as porteiras estão trancadas. A professora lembra
que os alunos saindo da escola, a instituição será fechada
e ela será transferida para outra instituição. Segundo
ela, a sua luta é para manter a Bento José de Freitas
funcionando.
O pai de um aluno,
Francisco Luciano de Morais, não está deixando seu filho
ir pra aula em razão dele estar adoentado, porém o trabalhador
rural advertiu que nessas condições a criança está ameaçada
de perder o ano letivo.
A dona-de-casa Antonia
Luzia Sousa destaca que as crianças sofrem uma grande
dificuldade em passar pelas cercas por conta de suas
bicicletas (grandes e pequenas) e utilizando a outra
estrada para se deslocar até a escola há riscos de acidentes
e também é mais distante. "Fico muito preocupada
com a situação", informa.
O ideal, na opinião
dos moradores, é que todas as porteiras da estrada sejam
abertas para facilitar o tráfego dos populares da localidade.
O fechamento da passagem impede até que os residentes
no assentamento Camurupim trafeguem para ir buscar água
quando a bomba está quebrada.
Professora articulará
reunião entre moradores e empresários para resolver
situação da comunidade
A professora Fátima
Araújo avisou que um dos proprietários de uma
fazenda nas imediações do sítio Camurupim teria recebido
a autorização da prefeitura de Mossoró para fechar a
porteira.
O Mossoroense entrou
em contato com o secretário municipal da Agricultura,
Abastecimento e Recursos Hídricos, Gilberto Jales, porém
este negou qualquer autorização por parte da municipalidade
para fazendeiros. "Há cerca de 15 anos, a estrada
como é antiga alguns proprietários resolveram fechar
as porteiras para evitar que seus animais fugissem",
justifica.
Gilberto Jales esclarece
que a professora Fátima Araújo vai providenciar uma
reunião onde todos os envolvidos irão participar, inclusive
a municipalidade, para se chegar a um consenso. Ele
acrescenta que aguarda a articulação da população e
apresentação das propostas. "Os moradores terão
que desenvolver o hábito de passar e fechar as porteiras
para evitar que os animais saiam", ressalta.
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