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O
HOMO DEMENS
A história
narra que o mundo já passou por duas grandes
devastações biológicas. A primeira no Período
Paleozóico, a fratura da Pangéia. A segunda,
no período Mesozóico, o choque com o meteoro
de 9 Km de extensão, acabando com o domínio
dos dinossauros há mais de 130 milhões de
anos.
A terceira
devastação que está por vir, enxergada por
biológos e cosmólogos, está sendo provocada
por um “meteoro” arrasador: o ser humano,
o homo habilis e sapiens. Com sua tecnologia
energívora, o homem acelera o processo de
exterminação a níveis incontroláveis. Será
possível evitar o colapso ecológico? Eis
o desafio ético e político que se nos antolha.
Estamos cercados pela natureza, e dizia
Goethe, ser humano e natureza são parceiros
intercorrespondentes e inter-relacionados.
A terra vem servindo o homem, mas não tem
merecido respeito. O homem a trata como
um supermercado barato, como disse Martin
Rock, tornando-a apenas um meio ao seu objetivo
proposto: a dominação do Universo.
Devido
à agressão ao seu próprio meio-ambiente,
o homem se desencantou. Falharam as alternativas
racionais de criação de um mundo novo. As
estruturas de pensamento não lograram impedir
carnificinas nem a multiplicação de misérias.
A guerra da Bósnia e Chechênia, os bombardeios
ao Sudão e ao Afeganistão, e agora a invasão
do Iraque e bem logo a da Síria, só comprovam
a nossa capacidade de autodestruição. Não
nos sentimos protagonistas de uma história
com final feliz.
A barreira
do mínimo ético e a degradação social está
a zero. Há sintomas de que a comunidade
estaria ultrapassando a barreira do mínimo
ético, abaixo da qual sobrevêm a decadência
e a degradação. Só o insólito é objeto de
aplauso e divulgação. O bem não atrai, nem
sensibiliza. Por sinal, as pessoas não se
comovem mais nem com a tragédia das ruas.
Transita-se impassível pela miséria crescente,
sem remorsos por se fechar os vidros aos
pedintes ou por alargar os passos para não
tropeçar nos excluídos. A sociedade comporta-se
como desprovida de senso moral. Estamos
vivendo uma cegueira e uma miopia moral.
A falta de consciência social e o individualismo
estão dizimando a vida humana.
É preciso
ressuscitar uma nova ética, uma ética consciente
e humanística, voltada para o bem e para
o coletivo. Somos obrigados a propalar essa
nova ordem: a da convivência ética e o ressurgimento
da moral. Em todos os setores da vida, em
todos os campos da atividade humana, ou
respeitamos o outro, com o dever do respeito
à decência, à honradez e à probidade, ou
o nosso comportamento importará no fim do
mundo. Se somos inteligentes, porque parecemos
dementes, com essa visão megalomaníaca de
dominação? Temos que ser homo sapiens, nunca
homo demens.
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