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Economia
brasileira em queda prejudica setor
salineiro
CRISTIANO ROJAS Da
Redação rojas@omossoroense.com.br
Um
motivo a mais para se preocupar com a economia
brasileira. O movimento no Terminal Salineiro
de Areia Branca (Porto-Ilha) registrou queda
no primeiro semestre do ano em relação ao
mesmo período de 2002. O setor vê tudo com
muita cautela.
A queda no embarque de
sal grosso a granel reflete o momento delicado
porque atravessa a economia do país. O produto
que é utilizado em larga escala pela indústria
química brasileira apresenta uma retração
de 2,76% em comparação ao mesmo período
do ano passado.
A pior fase ocorreu de
janeiro a abril deste ano, quando foram
embarcadas 442 mil toneladas de sal pelo
Porto-Ilha com destinação à indústria química
do Sudeste. Nesse mesmo período de 2002
foram vendidas 544.143 toneladas. As vendas
caíram em 102 mil toneladas, ou seja, 18,77%.
“A queda na venda do sal
pode estar relacionada sim com a desaceleração
da economia brasileira, já que o produto
serve de insumo para a fabricação de cloro,
soda cáustica, barrilha, vidro, alumínios,
plásticos, entre outros”, justifica Augusto
César, gerente do Terminal Salineiro de
Areia Branca.
RECUPERAÇÃO – Ele ressalta,
no entanto, que a partir de maio o mercado
interno começou a reagir. “Pelo que podemos
perceber é que houve uma recuperação nos
últimos dois meses, portanto acho que o
pior já passou”, frisa. Apesar disso as
vendas externas continuam bem abaixo de
anos anteriores.
Em maio deste ano foram
embarcadas com destino ao Sudeste do país
161.500 toneladas de sal, contra 119.800
vendidos em igual mês de 2002. Em junho,
o escoamento interno do produto pelo Porto-Ilha
chegou a 168.690 toneladas, superando em
42.490 toneladas o volume embarcado em igual
mês do ano passado.
O Porto-Ilha é responsável
pelo escoamento do sal grosso a granel produzido
nas salinas de Macau, Grossos, Mossoró e
Areia Branca. O número de barcaças trazendo
sal das salinas para o terminal caiu de
forma considerável.
Antes a média de transferência
nos três descarregadores era de 7.000 toneladas
diárias. O pátio de 15 mil metros quadrados
e capacidade de armazenar até 100 mil toneladas
de sal em sistema de pilhagem tem ficado
grande parte do tempo vazio.
O sal embarcado para o
Sudeste do país vem vivendo de altos e baixos
desde 1995, quando iniciou trajetória de
queda e só voltou a se recuperar a partir
de 1999. Nos últimos dois anos a venda interna
tem se mantido em 1,6 milhão de toneladas.
Exportações
de sal pelo Porto-Ilha se mantêm estáveis
Além de abastecer o mercado
interno, o sal grosso a granel, que é embarcado
no Porto-Ilha, vai para países como Estados
Unidos, Nigéria, Bélgica e a Venezuela.
As vendas externas têm se mantido estáveis.
A exportação de sal cresceu
24% nos primeiros quatro meses de 2003 em
comparação com igual período do ano passado.
De janeiro a abril foram embarcadas para
fora do país pelo porto flutuante 258.559
toneladas de sal grosso, contra 182.425
toneladas em 2002.
No entanto, entre maio
e junho, segundo Augusto César, as exportações
do produto apresentaram uma leve redução,
chegando a fechar o primeiro semestre do
ano com vendas externas em queda de –0,56%,
uma tendência que vem sendo verificada desde
o ano passado.
EMBARQUES – O Porto-Ilha
está em alto-mar e tem capacidade para movimentar
3,5 milhões de toneladas de sal por ano.
Em 2001, o recorde: 2,5 milhões de toneladas.
No ano passado as vendas externas também
recuaram um pouco.
Em 2002 foram escoadas
2,1 milhões de toneladas. Essa foi a primeira
vez em que os embarques de sal grosso a
granel para o exterior caíram em oito anos
de movimentação - um sinal de uma tendência
mundial de desaquecimento da economia.
O Terminal Salineiro de
Areia Branca é administrado pela Companhia
Docas do Rio Grande do Norte (CODERN), responsável
também pelos portos de Natal e Maceió. O
Porto-Ilha é o único terminal “off shore”
destinado exclusivamente à exportação de
sal no mundo.
As principais empresas
com fluxo de embarques de sal pelo Porto-Ilha
são a Companhia Nacional de Álcalis (CNA)
e a Henrique Lage Salineira do Nordeste
S/A, de Macau; a F. Souto Indústria, Comércio
e Navegação S/A e a Francisco Ferreira Souto
Filho, de Mossoró; a Norte Salineira S/A
Indústria e Comércio (NORSAL), com
sede em São Paulo (SP); e a Salina Diamante
Branco Ltda, com sede em Natal.
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