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Bangu
Era o nome
de guerra do mossoroense Lauro Reginaldo
da Rocha na história do Partido Comunista
Brasileiro. Foi operário, sindicalista,
militante político, secretário geral do
Partido Comunista Brasileira (PCB) aos 24
anos de idade e hóspede involuntário de
várias prisões, onde viveu a experiência
da violência até o limite da tortura, tudo
em nome de uma causa: a causa do proletariado
brasileiro. Há uma frase do grande líder
Martin Luther King que diz: “O homem que
não descobriu uma causa pela qual possa
morrer, não merece viver!” Lauro Reginaldo
da Roca (Bangu) viveu plenamente a sua causa.
Nasceu
em Mossoró no dia 17 de agosto de 1908,
sendo o último dos filhos de uma família
numerosa e pobre. Com menos de um ano de
idade, perdeu o pai vítima de uma infecção
pulmonar. Estudou no Grupo Escolar 30 de
Setembro, tendo como professora dona Celina
Guimarães, que vendo a dedicação do aluno,
passou a utilizá-lo como auxiliar no “desarnamento”
dos mais atrasados.
Em fins
da primeira grande guerra mundial, deixou
o Colégio 30 de setembro e passou a freqüentar
a Escola Paulo de Albuquerque, da qual era
professor seu irmão mais velho, Raimundo
Reginaldo da Rocha. Essa mudança gerou no
menino Lauro uma reviravolta completa, que
influenciaria sua vida futura. O seu irmão
e professor, Raimundo, era filósofo e as
sua aulas e palestras fascinavam o irmão
mais novo. “Nas suas aulas de educação,
moral e cívica aprendi que o benefício que
se presta ao próximo só tem valor quando
desprovido de interesses ou segundas intenções”.
O professor Raimundo Reginaldo foi o primeiro
a lançar idéias marxistas-leninistas em
Mossoró e incentivar os seus irmãos a organizarem
os primeiros núcleos do “partido da classe
operária” em terras nordestinas. Na revolução
de 1935, ele lutou de arma na mão nas ruas
de Natal, ao lado de sua filha Amélia, de
16 anos de idade. Libertou todos os presos
da Cadeia Pública. E após a tomada do poder,
distribuiu fartamente gêneros alimentícios
à população necessitada, em nome do Governo
Revolucionário.
Lauro ingressou
na Escola Normal de Mossoró de onde saiu
professor em 1925, com apenas 17 anos de
idade. Mas não foi fácil freqüentar o curso.
Para se manter, teve que trabalhar muito.
Pela manhã, trabalhava na fábrica de cigarros
de Humberto Jovino ou na Hemetério Leite,
o que lhe rendia alguns trocados para as
pequenas despesas. À tarde ia à escola.
Como não podia comprar livros, estudava
com os colegas Raimundo Nonato, Mário Cavalcanti
e Lauro da Escóssia.
Se as dificuldades
da vida não influenciaram no seu desenvolvimento
intelectual, o mesmo não se pode dizer do
desenvolvimento físico. Tornou-se uma figura
pequena, de uma fragilidade física marcante,
tímida e extremamente modesta. Mesmo assim
desempenhou formas diversas da luta pela
sobrevivência: foi pintor de parede, agricultor,
professor e tipógrafo.
Com apenas
15 anos, juntamente com seu irmão Raimundo
Reginaldo, criou a primeira célula da Juventude
Comunista em Mossoró, no ano de 1925. Entre
os anos de 1929 a 1931, estava em Fortaleza/CE,
reorganizando o Partido Comunista local.
Com 24 anos foi eleito secretário geral
do Partido Comunista do Brasil, e como tal
integrou uma comitiva que participou de
um congresso em Moscou.
Pagou um
preço muito alto por sua luta em prol do
proletariado: prisões, torturas, a Ilha
Grande, que era considerada o pior dos presídios,
fome, sede etc. Mas nada o fez mudar
de idéia. Continuou lutando, enquanto dele
o partido precisou. Como dizia Machado de
Assis, “A vida sem luta é um mar morto no
centro do organismo universal!”.
Lauro Reginaldo
da Rocha morreu no dia 4 de abril de 1991,
aos 83 anos de idade, consciente de ter
dedicado a vida a uma causa justa.
Viveu e lutou por um ideal, e sua luta não
foi em vão. Lauro “transcendeu sua condição
individual, para, generosamente, empenhar
sua vida na realização da utopia de uma
sociedade justa”.
(Para conhecer
mais sobre a história de Mossoró visite
o site: www.mossoro.cjb.net)
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