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O
rio Mossoró seria fonte de vida
Seria ótimo se pudéssemos
dizer da fartura de água potável em Mossoró,
por ser cidade banhada por um dos poucos
rios perenes existentes no semi-árido nordestino.
Água abundante, porém estragada. Vítima
da ação do homem ribeirinho, especialmente
o da área urbana aliado à omissão e até
conivência dos governantes que fizeram do
histórico rio um grave enfermo, quase à
beira da morte pela poluição nele contida.
Se
tivesse havido racionalidade no trato com
o rio Mossoró, o teríamos como importante
fonte de vida e riqueza. Além do fornecimento
de água para o consumo humano, a piscicultura
poderia ter sido desenvolvida, fornecendo
alimento para a população e trabalho para
muita gente. Suas margens em vez das ilegais
e destruidoras edificações poderiam ser
utilizadas para atividade agrícola de baixa
irrigação como o cultivo de hortifruticulturas.
Infelizmente, nas atuais circunstâncias,
o rio Mossoró bastante assoreado, correndo
como esgoto a céu aberto, está se tornando
num grave problema para a cidade, pelos
males que pode causar à saúde da população,
principalmente de quem habita suas margens.
A
situação, porém, não é irreversível. Um
rio diferentemente do ser humano, nasce,
se desenvolve e pode morrer, mas também
pode renascer. Para isso, basta que se elimine
o agente causador de sua morte, se revigore
a natureza do seu meio ambiente e se impeça
agressões ao seu curso normal. O maior exemplo
dessas possibilidades está em Londres com
rio Tamisa, que também corta seu perímetro
urbano. No final do século XIX, o rio londrino
estava tão poluído que a fedentina provocou
a suspensão da sessão da Câmara dos Lordes
que fica nas suas proximidades, os deputados
não suportaram o fedor exalado. A partir
desse episódio, o governo inglês investiu
pesado na recuperação do Tamisa, transformando-o
num rio de águas límpidas e cheias de vida.
O
mesmo processo poderia ser empregado no
rio Mossoró. Mas, lamentavelmente, há pelo
menos quinze anos se ouve falar em projetos
e mais projetos de revigoramento do nosso
rio, até agora, contudo, não tem passado
de encenação, nenhum investimento foi feito
nesse sentido. Os governantes têm preferido
gastar em festas e balacobaco de efeito
eleitoreiro mais fácil e rápido. Enquanto
isso, sem cuidado, o rio vai fatalmente
morrendo. Um crime.
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