O rio Mossoró seria fonte de vida

Seria ótimo se pudéssemos dizer da fartura de água potável em Mossoró, por ser cidade banhada por um dos poucos rios perenes existentes no semi-árido nordestino. Água abundante, porém estragada. Vítima da ação do homem ribeirinho, especialmente o da área urbana aliado à omissão e até conivência dos governantes que fizeram do histórico rio um grave enfermo, quase à beira da morte pela poluição nele contida.

    Se tivesse havido racionalidade no trato com o rio Mossoró, o teríamos como importante fonte de vida e riqueza. Além do fornecimento de água para o consumo humano, a piscicultura poderia ter sido desenvolvida, fornecendo alimento para a população e trabalho para muita gente. Suas margens em vez das ilegais e destruidoras edificações poderiam ser utilizadas para atividade agrícola de baixa irrigação como o cultivo de hortifruticulturas. Infelizmente, nas atuais circunstâncias, o rio Mossoró bastante assoreado, correndo como esgoto a céu aberto, está se tornando num grave problema para a cidade, pelos males que pode causar à saúde da população, principalmente de quem habita suas margens.

     A situação, porém, não é irreversível. Um rio diferentemente do ser humano, nasce, se desenvolve e pode morrer, mas também pode renascer. Para isso, basta que se elimine o agente causador de sua morte, se revigore a natureza do seu meio ambiente e se impeça agressões ao seu curso normal. O maior exemplo dessas possibilidades está em Londres com rio Tamisa, que também corta seu perímetro urbano. No final do século XIX, o rio londrino estava tão poluído que a fedentina provocou a suspensão da sessão da Câmara dos Lordes que fica nas suas proximidades, os deputados não suportaram o fedor exalado. A partir desse episódio, o governo inglês investiu pesado na recuperação do Tamisa, transformando-o num rio de águas límpidas e cheias de vida.

     O mesmo processo poderia ser empregado no rio Mossoró. Mas, lamentavelmente, há pelo menos quinze anos se ouve falar em projetos e mais projetos de revigoramento do nosso rio, até agora, contudo, não tem passado de encenação, nenhum investimento foi feito nesse sentido. Os governantes têm preferido gastar em festas e balacobaco de efeito eleitoreiro mais fácil e rápido. Enquanto isso, sem cuidado, o rio vai fatalmente morrendo. Um crime.

 

 

RUBENS COELHO
EMAIL: rubens_coelho@zipmail.com.br

60, é cearense de Milagres, formado em Geografia e Ciências Sociais pela PUC-SP, foi fundador do Sindicato dos Hotéis Bares e Similares de Mossoró.

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Mossoró-RN, sábado, 12 de julho de 2003