Outrora rentável, profissão de marchante enfrenta
processo de extinção

LUCIANO OLIVEIRA
Editoria do Regional

ALUÍSIO DUTRA
Colaborador
regional@omossoroense.com.br

 Falta de higiene no abate de animais é uma constante na região PATU – O avanço tecnológico exige que as pessoas busquem se aperfeiçoar para enfrentar a acirrada concorrência, hoje presente em todos os ambientes de trabalho. Quem não se preparou ou procura se adequar à nova realidade imposta pelo mercado, seguramente estará à margem desse processo de evolução que muda conceitos e incute no homem a necessidade de conquistar espaços para garantir a sua própria sobrevivência.    

Nos municípios do interior potiguar, mais precisamente na região Oeste, algumas profissões estão se extinguindo naturalmente. Outrora rentáveis hoje não passam de recordações de uma época distante, em que o exercício da atividade era um sacerdócio para quem a exercia.

No município de Patu, por exemplo, houve um tempo em que a profissão de marchante era motivo de orgulho para quem a desenvolvia. Mas de uns anos para cá, o número de pessoas que exercem essa atividade vem diminuindo gradativamente. Nas décadas de 80 e 90, a cidade contava com uma média de 30 marchantes na ativa. Atualmente, se conta nos dedos os marchantes que resistiram à crise no setor.

O que teria acontecido para que a profissão de marchante caísse no desencanto? A opinião corrente, é que a categoria não se preparou com vistas ao futuro, não se estruturou para enfrentar as mudanças processadas na economia motivando o surgimento da concorrência externa.

Os empresários e proprietários de frigoríficos de médio e grande porte estão ocupando o mercado, vendendo seus produtos diretamente nos supermercados, mercearias e outros locais de vendas na cidade, com preços mais acessíveis, não deixando brecha para o marchante ensaiar uma reação em termos de concorrência. Sem falar na qualidade da carne, na higiene, inspeção, etc.

Até a década de 90, eram abatidos semanalmente em Patu em torno de 60 reses. Hoje, o abate oscila entre 15 e 20 animais em igual período. São pouquíssimas as pessoas que ainda alimentam a tradição de comprar carne nos açougues da cidade. A grande maioria prefere adquirir o produto nas mercearias e supermercados, que comercializam a carne bovina congelada procedente dos grandes centros distribuidores, como os estados de Goiás e Tocantins.

Falta de higiene nos abatedouros causa fuga do consumidor dos açougues

A falta de higiene nos abatedouros do interior (muitas vezes o abate é feito clandestinamente) é um dos fatores que podem influenciar na fuga do consumidor dos açougues existentes nas cidades de pequeno porte.

Além da falta de infra-estrutura, não existe fiscalização e raramente são vistos agentes da Vigilância Sanitária nas matanças. Também não há veterinários para atestar a saúde dos animais destinados ao abate. Há denúncias de animais doentes que são abatidos e comercializados normalmente nos açougues da cidade.

Outro descaso é com relação ao transporte da carne do abatedouro para o açougue. O produto é conduzido em carroças que são usadas também como transporte de areia, material de construção, entre outros fretes. No final da tarde, essas mesmas carroças transportam o gado abatido para a cidade, sem nenhum condicionamento.

Mas todo esse despreparo não é por falta de aviso. Anos atrás, o empresário Jailson Godeiro reuniu os marchantes na Câmara Municipal de Patu para discutir a criação de uma cooperativa, visando organizar a atividade de marchante, preparando-os para o futuro. Mas a categoria fez “ouvido de mercador” e hoje estão pagando um preço alto por terem cruzado os braços.   

 

 

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Mossoró-RN, terça-feira, 15 de julho de 2003

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