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 CHARLES
M. PHELAN ATUALIZAÇÕES
AOS DOMINGOS
Um
estranho, muitas lições
É difícil
imaginar que alguém entregaria um familiar
ao perverso efeito corrosivo do tempo, mas
entregam! Presenciei o abandono destas pessoas,
durante uma visita a um abrigo de idosos.
Ao entrar
no estacionamento do abrigo, vi os primeiros
idosos passarem como um filme no pára-brisa
do meu carro. O estacionamento estava vazio.
Parei, saí do carro e dirigi-me até o terraço
onde se encontravam. Olhavam curiosos de
longe. Alguns já balbuciavam algo ininteligível.
Outros sorriam.
Ao me aproximar,
senti um cheiro de urina tão forte, que
meu primeiro foi impulso foi de engulhar.
Diminuí os passos numa tentativa de me adequar
ao odor do ambiente. Não queria desapontá-los,
voltando do meio do caminho. A princípio
questionei se fui confundido com algum familiar,
ou se a solidão havia forçado-os a aceitar
a presença de qualquer um, como algo positivo.
“Como o
senhor se chama?” Perguntei ao primeiro
senhor que vi.
“Francisco.”
“Quantos
anos o senhor têm?”
Pôs a mão
no queixo, revirou os olhos e disse sem
hesitar. “Sou de 1926, ‘tô’ com setenta
e sete anos.” Sorriu orgulhoso, já esperando
a próxima pergunta.
“Sua família
lhe visita?”
Silêncio.
Fiquei
nervoso, e mais ainda com a possível resposta.
Seu Francisco desviou o olhar. Fiquei receoso
de perguntar novamente. De repente, com
um brilho nos olhos que prenunciava um choro
há muito tempo preso, falou baixinho:
“Sem visitas
há quinze anos. Criei sete filhos e alguns
netos. Lembro como se fosse hoje a última
vez que vieram aqui. Trouxeram frutas e
bolachas. Passaram pouco tempo. Mas, o que
mais lembro foi quando disseram tchau. Palavra
forte, moço...”
Meu coração
afundou com a resposta. Passei pouco mais
de uma hora papeando com seu Francisco.
Naquele momento seus olhos brilhavam de
satisfação. E os meus brilhavam de admiração
por aquele desconhecido corajoso.
Por fim,
dei-lhe um aperto de mão, que convergiu
num abraço inesperado, agradeci pela atenção,
sorri e disse tchau. Virei pela última vez
para acenar, quando li os lábios de seu
Francisco murmurarem, o que evidentemente
não queria que eu ouvisse, algumas palavras.
“Palavra
forte, moço!”
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