Mossoró-RN, domingo 10 agosto de 2008

Mossoró e o futebol

Geraldo Maia
gmaia@bol.com.br

Futebol, o esporte mais praticado no Brasil, também encontra em Mossoró os seus adeptos. O templo do futebol em Mossoró é o "Nogueirão", onde as duas principais equipes, Baraúna e Potiguar, disputam o lugar de melhor time mossoroense.

A história do futebol em Mossoró começa oficialmente em 14 de outubro de 1919, quando é criado o Humaitá Futebol Clube, no dizer da época "o primeiro grêmio esportivo da cidade". Tudo começou num encontro que teve lugar no sítio "Canto", de propriedade do farmacêutico Jerônimo Rosado, que reuniu os senhores Lauro da Escóssia, João Batista de Oliveira e José Hemetério Leite.

O alvi-celeste, como ficou conhecido o Humaitá, destacou-se em partidas disputadas contra equipes de Natal, Assu, Macau e Areia Branca, no Rio Grande do Norte, além de times de Sousa, na Paraíba, e de Limoeira e Aracati, no Ceará.

Mas uma andorinha só não faz verão, diz o dito popular. E para que o futebol tomasse impulso, era necessário que surgissem  outras equipes. E isso veio a acontecer em 12 de setembro de 1920, quando é fundado o Ipiranga Esporte Clube, adotando as cores branco e preto para a sua equipe.

Mossoró, a partir dessa data, passou a contar com duas equipes. Faltava, porém, um espaço próprio para a prática do esporte, no dizer da época, "perbolístico".  Mas no dia 25 de janeiro de 1922, foi inaugurado o primeiro estádio de futebol de Mossoró, de propriedade da Sociedade Desportiva Ltda., formada pelo Dr. Hemetério Fernandes de Queiroz, Luiz Teotônio de Paula e Humaitá Futebol Clube. O estádio já era amurado. O terreno onde foi construído, foi doado pela Superintendência da Companhia Estrada de Ferro de Mossoró.

Algumas incoerências de datas foram encontradas em nossas fontes de pesquisas. As informações sobre a inauguração do primeiro estádio de futebol de Mossoró foram extraídas do livro "Cronologias Mossoroenses: quando e como e onde aconteceram os fatos" de Lauro da Escóssia. Na época da inauguração do estádio, existiam, como já vimos, os clubes Humaitá e Ipiranga. O Palmeiras Futebol Clube e o Centro Esportivo Mossoroense ainda não.  O que conseguimos descobrir sobre o Palmeira é que foi fundado no dia 28 de agosto de 1922, com o nome de Sociedade Desportiva Palmeiras Futebol Clube, com sede no bairro dos Paredões. O que pode ter acontecido   é  que em 25 de janeiro, data da inauguração do estádio, a equipe já existisse, embora não oficialmente, o que só viria a acontecer quase oito meses depois. Sabemos, no entanto, que o Palmeira Futebol Clube, nome abreviado da agremiação, deu a Mossoró grandes craques de futebol. O primeiro presidente do Palmeiras foi o desportista Miguel Joaquim de Souza. Já a outra equipe que participou do quadrangular de inauguração do primeiro estádio de futebol de Mossoró, o Centro Esportivo Mossoroense, pode ser o Mossoró Esporte Clube, que foi fundado em 15 de março de 1922, formado quase que exclusivamente por jogadores do bairro Doze anos. Se forem a mesma equipe, Centro Esportivo Mossoroense e Mossoró Esporte Clube, pode ter acontecido que,  como já falamos do Palmeiras, não existia oficialmente em janeiro de 1922. São dúvidas a serem esclarecidas.

Em 12 de outubro de 1927 foi fundado o Esporte Náutico Mossoroense, formados por elementos dissidentes do Humaitá Futebol Clube.

O Humaitá Futebol Clube, o Centro Esportivo Mossoroense, o Palmeiras Futebol Clube e o Ipiranga Esporte Clube não mais atuam no futebol mossoroense. O estádio de futebol também não é mais o mesmo. O atual templo do futebol local é o Estádio "Manuel Leonardo Nogueira", ou simplesmente Nogueirão. Atualmente, apenas dois clubes estão em evidência: O Potiguar e o Baraúna.   O Potiguar foi fundado em 11 de fevereiro de 1945, e em 19 de junho de 1953 fundiu-se com Associação Desportiva Potiguar, passando a se chamar Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP).

O Esporte Clube Baraúnas foi fundado no dia 14 de janeiro de 1960. Em 1966 modificou sua razão social, passando a se chamar Associação Esporte Clube Baraúnas, visando com isso o amparo legal e conseqüentemente a busca de dotação oriunda dos órgãos competentes.

 

O reencontro

Marcos Bezerra
Jornalista - marcos.bezerra@redeintertv.com.br

-Custodinho, venha só ver quem está aqui!

O grito da mãe ecoou forte pela casa quase vazia. Nem precisava tanto. Custódio reconhecera a voz da visita e já estava pensando no quanto seria penoso largar o conforto da rede.

- Perpétua; professora Perpétua! Sussurrou.

Não gostava da idéia de encarar o passado; não da forma que ele se configurava, mas já que o reencontro era inevitável reuniu forças e venceu a preguiça. Vestiu a calça, camisa de mangas compridas, sandálias de rabicho e saiu com cara de cansado, para parecer que não dava importância àquela pessoa. Não esqueceu do companheiro inseparável, o terço. Na memória do jovem padre ardia o pecado da primeira e única experiência sexual. Professora Perpétua... Não bastasse tudo o que fizera com o então garoto, ela seduzira também a irmã mais velha, com quem estava de caso. Realmente era uma situação, no mínimo, desconfortável. Ensaiou a fala para quando estivessem sozinhos.

"O que você ainda está fazendo por aqui? Já não basta ter feito o que fez comigo? Seduziu também a minha irmã, vivendo com ela o pecado da carne de uma relação completamente condenável aos olhos da igreja e mesmo da sociedade. E ainda continua gozando do convívio com a minha família. Faz, agora, minha mãe e meu pai de tolos. Você já parou para pensar o que é que pode acontecer se eles descobrem?"

Os pensamentos foram sumindo, enquanto vencia sem pressa os poucos metros entre o quarto e a sala, onde as duas mulheres conversavam animadamente.

"Vem logo padreco, que eu quero ver como você ficou depois que virou homem. Era um moleque magrelo e branco como um copo de leite. Isso, cheirava a leite quando daquela tarde em que descobri você para os prazeres da carne. Pena que meu Custodinho tenha encarado a coisa como um pecado sem perdão e enveredado pela carreira religiosa. Eu mesma fiquei perturbada com aquilo tudo e passei um bom tempo longe da Baixa da Coruja; desta casa que tanto me faz bem. Os nossos pudores, os seus mais que os meus, não nos permitiam ver que era tudo natural, pequeno. Uma mulher mal amada, reprimida pela educação recebida em casa e pela sociedade, e um garoto, mal saído das calças curtas, doido para descobrir o que era o sexo. E não bote toda a culpa em mim não, que eu bem percebia a afoiteza e gulodice de seus olhos sobre o meu corpo. Qualquer descuido, qualquer brecha na roupa e lá estavam eles ávidos pela descoberta. E você já tinha quinze anos, quase dezesseis; mais que na hora de saber o gosto de uma mulher".

- Você vai ver como ele está mais bonito.

- Hum?

Pouco prestava atenção na fala de Dona Mundica. As mãos suavam frio e eram constantemente enxugadas nas pernas da calça justa. Será que o Padre Custódio guardava mágoas daqueles tempos? Talvez não. Talvez também agora elas fossem inevitáveis, já que ele sabia bem do relacionamento entre sua antiga professora particular e a irmã Conceição. "- Coisas do coração e você não tem nada a ver com isso!".

Assim, armados até os dentes, Perpétua e Custódio se reencontraram na mesma sala onde faziam as lições todas as tardes, desde a infância e até a puberdade do garoto. Ficaram parados, um na frente do outro, em silêncio, por alguns segundos.

- Não disse a você!

A tagarela da Dona Mundica era só satisfação. "Não é possível que mamãe não desconfie da cobra que deixa entrar em nossa casa todos os dias". "O que este fedelho está pensando? Ele pode até ter virado padre, mas nem pense em interferir na felicidade da gente".

Ela primeiro, ele depois, abriram um sorriso, em princípio tímido.

- Quem diria, meu pequeno aluno, virar padre.    

- E minha eterna professora, com a graça de sempre.

Parecia falsidade, mas, aos poucos, os dois estavam se dando conta que tinham uma quantidade maior de boas que de más lembranças um do outro. O sorriso tímido virou farto e Custódio não teve como escapar do abraço da ex-professora. Desvencilhou-se com naturalidade e beijou-lhe a testa, com o respeito que um padre deve ter por uma mulher. "Ela já deve estar perto dos quarenta, mas ainda é uma mulher de presença; determinada que é, daria uma bela freira". "Não é que Dona Mundica tem razão, o fedelho virou um homem muito bonito. Pena que padre". "Não tenho como desgostar de Perpétua. Foi ela quem me deu o primeiro motivo para seguir a carreira religiosa e, quando pensei em desistir, novamente ganhei uma carga de pecados para seguir em frente. Acho que se tenho que me opor ao relacionamento dela com minha irmã, vou fazer melhor adotando a política da amizade. Quem sabe não consigo demovê-las deste caminho?". "Espero que ele entenda a nossa escolha. Seria uma pena ouvir, de uma pessoa tão querida, palavras pouco simpáticas à orientação sexual que escolhemos. Na verdade nem escolhemos: estava escrito".

- Não falei pra você Perpétua, que Custodinho agora era um homem santo? Pois tá o maior rebuliço aqui na Baixa da Coruja desde que ele chegou. Bonito do jeito que é, não era de se admirar que aparecesse alguém com outras intenções, que nesse bairro tem gente para tudo. Mas meu menino tem juízo e não vai ser como estes padres novos que tanto bagunçam a imagem da santa Igreja. Mas e você Perpétua, quando é que vai arranjar um noivo? O padre já tem, para fazer o casamento.

Da inocência de Dona Mundica, nasceu um sorriso no canto dos lábios de Perpétua.

- Mamãe, sabia que Perpétua tem uma boa parcela de contribuição na minha carreira religiosa?

- Isso, meu filho; uma boa professora indica sempre o bom caminho para seus alunos.

Foi a vez dele deixar escapar um sorriso no canto da boca.

- Mas você nem me falou disso. Olha mulher, foi de uma hora pra a outra e nem mesmo eu esperava. Custodinho inventou de ser padre mesmo naquele tempo que você andou meio adoentada. Nem eu acreditava que ia dar certo...

O matraquer da velha senhora tirou o resto de tensão que havia naquele reencontro.

 

Converse, vale a pena!

Gilbamar de Oliveira
gilbamarbezerra@ig.com.br 

As boas palavras de incentivo são alimen-to para a alma. Jamais deixe de conversar com seus filhos, e nesse diálogo apro-veite para fazê-los compre-ender que o mundo precisa de cidadãos decentes, de ho-mens e mulheres propensos a seguir os caminhos da leal-dade, honestidade e dedica-ção ao trabalho e à família. O diálogo é o meio mais seguro e propício à edificação de seres humanos decentes, que pensem em si, mas não esque-çam do próximo, que ganhem o pão de cada dia com o suor do seu intelecto sem espe-zinhar quem está ao seu lado. A vida é tão curta para per-dermos tempo em escaramuças tolas.

Todos necessitamos de conselhos. Uma conversa amigável e descontraída entre pais e filhos vale muito mais do que um tratado erudito sobre a convivência entre as pessoas. O tom da voz suave e compreensivo, o devido respeito no olhar e ter por escopo conseguir passar a certeza de que o único objetivo daquele precioso instante pai/filho(a) é forjar o caráter sem imposições nem opressões, tudo isso facilita a abertura do coração. Ninguém é imune à ternura, desconheço quem dá as costas ao amor quando o encontra.

A semente virtuosa do entendimento e da amizade é semeada durante esses imprescindíveis interlúdios familiares. É quase imperdoável fechar os olhos a isso. A vida não espera quem se atrasa. Assim, caso se perca por timidez ou covardia do pai aquele dia importante para abraçar os filhos e dizer-lhes o quanto os ama, aproveitando para encetar aquele papo sem autoritarismo e sem sisudez, provavelmente haverá dificuldade para o surgimento de outra oportunidade semelhante.

Lembrem-se, quem elogia sendo verdadeiro e critica de maneira construtiva e com sabedoria conduz em suas mãos os cidadãos do amanhã. As pedras e os obstáculos à frente, sob esse prisma, serão removidas por ambos, o que é muito mais fácil sem sombra de dúvida. Afinal, dividido o peso se torna mais leve e os percalços serão suplantados por mentes arejadas onde viceja, soberano, o amor.

 

Manifesto em defesa de la mala película

Fernanda Gurgel
fernanda@eictv.org.cu

nandapig@gmail.com

Cuba, 14 de maio de 2008  - Saio em defesa dos estudantes, dos amadores, dos videastas, vídeo-makers, vídeo-loucos, dos artistas, dos sonhadores, de mim mesma e digo: 90% de todos os filmes do mundo são ruins.

Espero com isso tirar um peso dos ombros de todos os que pensam mil vezes antes de disparar com suas câmeras com medo de fazer besteira. A gente tem mais é que fazer filme ruim mesmo. É igual à história do fotógrafo que publica um livro de fotos premiadas, mas que para chegar àquelas 100 maravilhosas imagens teve que registrar 1.000 ou 2.000.

Durante anos. A prática faz o gênio. Talvez né, porque tem gente que não aprende…. Mas o negócio é trabalhar, trabalhar todos os dias. E editar. Porque também gravar horas e horas e deixar as fitas mofando não vale.

Acabamos de passar um mês completo filmando curtas em super 16mm. Eu estava num grupo de 11 pessoas. Ou seja, 11 produções. Uma guerra literalmente. Cada um de nós passou por todas as funções: direção, assistência de direção, produção, assistência de produção, som direto, microfone, assistência geral, script-edição, refletorista, fotógrafo e assistência de câmera. Filmar em película de verdade é mais bonito, mais emocionante, mais caro e nada prático. Carregamos peso, montamos equipamentos, comemos mal, acordamos cedo, dormimos tarde, trabalhamos sob o sol de matar. Sofremos muito. E faríamos tudo de novo, simplesmente pelo fato de que fazer cinema é muito melhor do que ir ao cinema. Pensando bem, se todos pudessem fazer filmes o cinema deixaria de existir, porque não haveria mais público, só equipe técnica. Quando o cinema vira profissão, assistir filmes perde a graça. Mas o set, a locação, o planejamento, o suor, o trabalho pesado, isso sim é apaixonante e viciante. E a pós-produção nem se fala. É aí que os milagres acontecem.

Voltando ao tema do manifesto, as malas películas, em junho (sic) vamos ver o resultado desse mês de prática. Certamente o nervosismo e a inexperiência vão estar na tela. E dos 40 trabalhos de toda a turma poucos serão bons realmente. Mas isso pouco importa, o que vale é aprender e guardar bem as lembranças dos nossos queridos filmes ruins. Eu por enquanto estou tranquila. Decidi seguir uma filosofia muito simples. O meu melhor filme vai ser sempre o próximo.

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