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Um Saci em Areia Branca
Com
a vertiginosa invasão do carnaval fora de época e o abandono das
tradicionais personagens e figuras carnavalescas, a festa de momo
dos interiores perdeu muito de suas origens. Foi com essa visão
que o comerciante areia-branquense Chico Paiva, em companhia de
uma dúzia de amigos, resolveu criar no ano passado o Bloco Pererê.
Segundo Chico Paiva, o grande objetivo, além do entretenimento e da alegria, é unir a força do estilo carnavalesco de agora com um pouco da tradição do evento. Para isso, o Bloco Pererê buscou reagrupar durante a festa aquelas pessoas que fizeram história nos velhos carnavais e se tornaram figuras conhecidas e folclóricas em Areia Branca.
Uma dessas personagens é o popular José Nunes, que responde pela alcunha ‘Django’ (legendário personagem do cinema americano que ganhou interpretações de atores como Giuliano Gemma e Franco Nero). Incorporando o seu ídolo, o Django de Areia Branca encenou no Carnaval do último ano a captura do procurado Osama bin Laden.
Para a festa deste ano, o Django areia-branquense anuncia um divertido toque de bola com os craques do futebol brasileiro ‘Ronaldinho Gaúcho’ e ‘Ronaldo Fenômeno’, uma brincadeira que ele, Django, batizou de “O Penta do Brasil”. O Bloco Pererê, que iniciou com cerca de duzentas pessoas, contará neste carnaval com mais de 500 foliões.
Outro objetivo do Pererê, que se apresentará apenas na sexta-feira do evento, é proporcionar ao público de menor condição financeira uma alternativa mais econômica de participar da festa de Carnaval. É que os preços dos abadás são bastante simbólicos, se comparados aos preços apresentados por outros blocos que desfilarão.
AS CONDIÇÕES – O brincante adulto que optar pelo Bloco Pererê gastará apenas 13 reais com o kit, formado por camiseta e carapuça estilizadas. Já o público infantil, que tem um kit com camiseta, carapuça e bermuda, pagará um preço um pouquinho maior, 14 reais. Um carro de som seguirá o bloco pelas principais ruas de Areia Branca.
Quanto à origem do nome do bloco, Chico Paiva explica que a idéia veio de uma lembrança que ele guarda de uma viagem que fez a Salvador para brincar o Carnaval. Na capital baiana, Chico Paiva se impressionou com a empolgação e alegria de uma foliona que pulava o Carnaval com uma perna apenas. A mulher tinha um dos membros amputado.
“Foi a partir dessa impressão, da alegria daquela moça no Carnaval de Salvador, pulando numa só perna como um saci, que pensei no nome para o nosso bloco. Uma demonstração de que o Carnaval pode ser alegre mesmo com uma dificuldade dessa natureza. Aí começamos ano passado com pouco mais de duzentas pessoas”, explica Chico Paiva.
ORIGINALIDADE – Enquanto a grande maioria dos blocos elegem uma música consagrada pela grande mídia como tema do grupo, o Bloco Pererê resolveu inovar. A música que embalará os seus brincantes foi encomendada em Mossoró. A letra é assinada pelo poeta Antônio Francisco e os arranjos foram feitos pelo músico Cacá de Paiva.
Outra participação de Mossoró no Bloco Pererê é do cantor e compositor Genildo Costa, que emprestou sua voz para a gravação da música, que traz o mesmo título do bloco de Chico Paiva. O trabalho já está sendo rodado na programação da 93 FM. “É o que podemos chamar de uma música composta a seis mãos”, define e criador do Pererê.
Poesias potiguares no campus da UFRN
A poetisa Diva Cunha será a homenageada na sexta edição do programa Poesia Viva, evento que acontecerá na próxima quarta-feira, dia 15, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, a partir das 17h30. Paralelamente, será apresentada uma mostra fotográfica sobre ela e outros cinco poetas já revelados no Poesia Viva: Luiz Carlos Guimarães (falecido em maio de 2002), Paulo de Tarso Correia de Melo, Nivaldete Ferreira, Cid Augusto da Escóssia Rosado e Carmem Vasconcelos.
Esta será a última mostra da primeira etapa do programa, que marca o final do período letivo 2002, na UFRN, ficando a exposição aberta até o dia 24 deste mês. Nascida em Natal, Diva Cunha vem traduzindo suas vivências e emoções na poesia que escreve, já tendo publicado vários títulos como Canto de Página (1986), Coração de Lata (1989) e Palavra Estampada (1993), além de outros escritos sobre poesia e literatura feminina no Rio Grande do Norte.
O material em exposição foi registrado em dezembro de 2001, pelos professores Humberto Hermenegildo de Oliveira e Márcio de Lima Dantas, do Departamento de Letras e da professora Vilma Vítor, do Departamento de Educação. O programa Poesia Viva faz parte do projeto de Extensão Imagens de Poetas Potiguares, desenvolvido nos anos de 2001 e 2002, e tem por objetivo registrar a historiografia da poesia norte-rio-grandense.
REGISTRO – São informações inéditas sobre a vida e a trajetória de doze poetas potiguares em atividade e com produção literária reconhecida pela comunidade, além de depoimentos sobre pessoas e fatos do universo literário. Outros seis nomes serão revelados na segunda etapa do Poesia\Viva, agendada para o período letivo de 2003.
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Mossoró-RN, domingo, 12 de janeiro de 2003