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Rio
Mossoró apresenta níveis de poluição
surpreendentes
EMERSON
LINHARES Editor geral
Inegavelmente,
o rio Mossoró está poluído. O que ninguém
sabia é que os níveis de poluição deste
manancial são gritantes.
Pelo menos
foi o que constatou a priori o biólogo Renato
Medeiros, que há dois anos é consultor de
empresas ligadas ao setor salineiro da região.
Ontem,
Renato percorreu quase toda a extensão do
rio Mossoró, colhendo amostras, e ficou
surpreso com o que viu.
Segundo
ele, o rio Mossoró está quase que totalmente
poluído até a foz, o que pode ser resultado
de uma eutroficação, ou seja, uma grande
quantidade de fertilizantes no rio. Com
isso, há uma queda de oxigênio na água e
a mortalidade de peixes é acentuada.
O rio Mossoró,
segundo o biólogo, apresenta quatro tipos
distintos, que refletem-se na cor da água,
isso do centro da cidade até a sua foz,
em território grossense.
A água
apresenta coloração esverdeada no trecho
que vai do Centro até Passagem de Pedra,
poluída por restos de esgotos, principalmente.
De Passagem
de Pedra até a comunidade de Camboinhas,
a água está com coloração normal, praticamente
livre de poluição. Já no trecho logo após
esta comunidade, até a proximidade de salinas
como Guanabara e Marisco (cerca de 25 km)
a água está contaminada com microorganismos,
provavelmente pela presença de fertilizantes
que foram jogados no rio. A cor da água
é marrom escura.
A partir
da altura do trecho que fica em frente à
salina Marisco, a quatro quilômetros do
mar, o rio está com sua água praticamente
limpa.
O fenômeno
está prejudicando todas as atividades econômicas
que dependem do rio, diz o especialista.
“Com a água deste jeito, não é possível
utilizá-la para nada. Nem para produzir
sal, muito menos para produzir camarão ou
para a pesca”, falou Renato.
Em entrevista
a O Mossoroense, anteontem, Renato
defende que haja um trabalho em conjunto
dos órgãos públicos que cuidam do meio ambiente,
para que um estudo aprofundado sobre este
fenônemo seja realizado e que se encontrem
as suas causas. No seu entendimento, algumas
possibilidades estão descartadas como a
poluição ter sido causada pelas salinas.
Renato revela que para ter sido causada
pelas salinas, a poluição aconteceria de
outra forma.
“A eutroficação
é um fenômeno provocado pelo crescimento
do volume de microorganismos no mar. Para
que isso ocorra é necessário que alguns
fertilizantes biológicos sejam lançados
ao mar”, disse.
Para ele,
há duas possibilidades de contaminação que
só poderão ser comprovadas após um vasto
estudo. Uma é a de que o lixão que fica
na região de Tabuleiro Alto esteja contribuindo
para contaminar a água do rio Mossoró.
A outra
poderia ser o descarte das águas dos viveiros
de camarão, já que recentemente os carcinicultores
fizeram a troca da água dos seus baldes
de criação de camarão.
Ano passado
este mesmo fenômenos foi verificado, após
o rompimento da barragem de Passagem de
Pedra, preocupando pescadores e moradores
ao longo do rio.
Finalizando,
Renato Medeiros esclareceu que os primeiros
sintomas deste problema já estão surgindo,
como a morte de peixes.
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