Rio Mossoró apresenta níveis de poluição surpreendentes

EMERSON LINHARES
Editor geral

Renato Medeiros é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é coordenador do laboratório de Ecologia do Semi-Árido (CERES), em Caicó, está fazendo doutorado em Valência, na Espanha, e desde 1976 trabalha nas salinas de Macau e região.Inegavelmente, o rio Mossoró está poluído. O que ninguém sabia é que os níveis de poluição deste manancial são gritantes.

Pelo menos foi o que constatou a priori o biólogo Renato Medeiros, que há dois anos é consultor de empresas ligadas ao setor salineiro da região.

Ontem, Renato percorreu quase toda a extensão do rio Mossoró, colhendo amostras, e ficou surpreso com o que viu.

Segundo ele, o rio Mossoró está quase que totalmente poluído até a foz, o que pode ser resultado de uma eutroficação, ou seja, uma grande quantidade de fertilizantes no rio. Com isso, há uma queda de oxigênio na água e a mortalidade de peixes é acentuada.

O rio Mossoró, segundo o biólogo, apresenta quatro tipos distintos, que refletem-se na cor da água, isso do centro da cidade até a sua foz, em território grossense.

A água apresenta coloração esverdeada no trecho que vai do Centro até Passagem de Pedra, poluída por restos de esgotos, principalmente.

De Passagem de Pedra até a comunidade de Camboinhas, a água está com coloração normal, praticamente livre de poluição. Já no trecho logo após esta comunidade, até a proximidade de salinas como Guanabara e Marisco (cerca de 25 km) a água está contaminada com microorganismos, provavelmente pela presença de fertilizantes que foram jogados no rio. A cor da água é marrom escura.

A partir da altura do trecho que fica em frente à salina Marisco, a quatro quilômetros do mar, o rio está com sua água praticamente limpa.

O fenômeno está prejudicando todas as atividades econômicas que dependem do rio, diz o especialista. “Com a água deste jeito, não é possível utilizá-la para nada. Nem para produzir sal, muito menos para produzir camarão ou para a pesca”, falou Renato.

Em entrevista a O Mossoroense, anteontem, Renato defende que haja um trabalho em conjunto dos órgãos públicos que cuidam do meio ambiente, para que um estudo aprofundado sobre este fenônemo seja realizado e que se encontrem as suas causas. No seu entendimento, algumas possibilidades estão descartadas como a poluição ter sido causada pelas salinas. Renato revela que para ter sido causada pelas salinas, a poluição aconteceria de outra forma.

“A eutroficação é um fenômeno provocado pelo crescimento do volume de microorganismos no mar. Para que isso ocorra é necessário que alguns fertilizantes biológicos sejam lançados ao mar”, disse.

Para ele, há duas possibilidades de contaminação que só poderão ser comprovadas após um vasto estudo. Uma é a de que o lixão que fica na região de Tabuleiro Alto esteja contribuindo para contaminar a água do rio Mossoró.

A outra poderia ser o descarte das águas dos viveiros de camarão, já que recentemente os carcinicultores fizeram a troca da água dos seus baldes de criação de camarão.

Ano passado este mesmo fenômenos foi verificado, após o rompimento da barragem de Passagem de Pedra, preocupando pescadores e moradores ao longo do rio.

Finalizando, Renato Medeiros esclareceu que os primeiros sintomas deste problema já estão surgindo, como a morte de peixes.

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Mossoró-RN, domingo, 16 de março de 2003