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Promessas de campanha

O atual governo federal está a braços com um sério problema que, no frigir dos ovos, foi uma herança maldita de governos anteriores. Trata-se da proliferação indiscriminada de novos municípios no Brasil. Para se ter uma idéia, como já foi dito, mais de mil deles foram criados e instalados em pouco mais de 10 anos, onerando sobremaneira o orçamento da nação e criando dificuldades adicionais para o comando do governo que tem que se virar como pode para conseguir as verbas que assegurem a sua manutenção. Sabidamente, esses municípios, em sua grande maioria, foram criados graças à utilização da moeda eleitoral. No decorrer de campanhas eleitorais, maus políticos, descompromissados com as reais necessidades da comunidade, prometem transformar pequenas comunidades em municípios mediante a troca disso por votos. Foi pura e simplesmente isso que aconteceu. O interesse público foi para o espaço e não prevaleceu nessa decisão política ocasionando esse tipo de barganha.

Para se ter uma idéia dessa realidade de hoje no Brasil, quase 87 por cento deles, segundo levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são municípios pequenos e pobres. E um dado particularmente chama a atenção: quase 62 por cento deles se situa na zona rural onde não existem serviços de esgotos, um fator decisivo para a proliferação de doenças infecto-contagiosas. E nesses pequenos municípios são vergonhosas as taxas de alfabetização.

Outro dado estarrecedor: mais de 30 por cento desses municípios possuem menos de 5 mil habitantes, dentre os quais se inclui uma população que possui renda média abaixo de um salário mínimo. No meio disso fica uma outra constatação: se grande parte desses municípios recém-criados fica em regiões privilegiadas do país, inclusive o Sul, imaginem o que não ocorre na pobre e sofrida região Nordeste.

Por essas e outras, a conclusão a que se chega diante de tudo isso é a de que tem que ser dado um basta na criação de novos municípios para que o governo ou os governos tratem de encaminhar o que fazer com os já existentes. Criar novos municípios nessa conjuntura está claro que é um assunto que é frontalmente contrário ao interesse público. Repetimos: o interesse público deve prevalecer em toda e qualquer decisão que envolva assuntos de ordem política e não permite transigir com esse tipo de “negociação”.

 

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Mossoró-RN, domingo, 16 de março de 2003