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Alunos do Caic reclamam de regimento

 

Em razão da falta de entendimento entre professores e alunos com a direção do Caic do Carnaubal (zona norte da cidade), na noite de ontem foi realizado pelos discentes um ato público no local, com faixas e carro de som. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), uma psicopedagoga e um assistente social estiveram na instituição de ensino a fim de acalmar os ânimos dos mais exaltados e tomar as medidas cabíveis.

Na tarde de ontem, compareceram à redação do jornal O Mossoroense o presidente da comissão escolar, Ildimar Oliveira, e o representante da liderança noturna, Alan Carlos, para informar que na última terça-feira à noite a diretora Ângela Maria Fernandes não estava permitindo os alunos com bermudas e chinelos assistirem aula, tendo em vista o cumprimento da escola que determina o não-uso de saias curtas, blusas decotadas e shorts.

"Sexta-feira teve uma revolução na instituição. O percentual de 99,9% está revoltado com a direção atual. Por conta da manifestação dos estudantes na última terça-feira, entraram cinco policiais encapuzados e com coletes a prova de bala para retirar um aluno da sala de aula - o representante da gestão democrática, Elenilton Pereira saiu algemado", conta Ildimar.

O presidente da comissão escolar acrescenta que o professor Jadson Arnauld foi expulso de sala e inclusive após às 20h30 não teve mais aula. Segundo ele, o nível de rejeição entre os docentes é de 60%. Ildimar, Alan e Jadson apoiavam a chapa oposicionista na eleição passada.

A diretora do Caic reconhece que devido às desordens no estabelecimento de ensino, a presença de um efetivo da polícia militar é constante. Ela explica que assumiu o cargo em janeiro deste ano e posteriormente houve a semana pedagógica e foi informado sobre a implantação do regimento da escola, onde seria exigido o cumprimento na utilização de roupas adequadas para assistirem aula.

"A maior parte das pessoas acataram a decisão, porém uma minoria está causando todo o tumulto. Na última sexta-feira alguns alunos quebraram a caixa do contador de energia e deixou a escola às escuras", informa Ângela Maria.

Anteontem à noite, ela conta que o aluno Elenilton estava no portão da escola dizendo que mandava na escola, começou a colocar as alunas vestidas de saias e blusas curtas para dentro, além de desacatá-la.

"Eu pedi para ele assistir aula, pois ele não estava de bermuda nem com calçados inadequados. Ele me xingou tanto que eu disse que lhe chamaria a polícia. Então ele continuou me desafiando e foi quando liguei para a delegacia na frente dele. Quando o aluno percebeu que estava falando sério me empurrou e entrou na sala de aula. Quando os policiais chegaram me acompanharam até a sala e foi quando ele puxou a janela e Ildimar passou a fazer algazarra", disse Ângela Maria.

A diretora explica que o seu objetivo maior é nivelar o Caic como as escolas da rede pública das suas imediações - Raimundo Gurgel, Justiniano de Melo, Antônio Medeiros e Aleixo Rosa. "Aqui (Caic) é uma escola e deve ser tratada como tal", esclarece. Por outro lado, Ângela informou que Alan Carlos não é aluno matriculado no Caic. Ele assiste aula como ouvinte.

O professor de Geografia do Caic, Raimundo Antônio, elogiou o trabalho que vem sendo desenvolvido pela atual diretora. Ele relatou que ela chega a instituição às 6h e sai às 22h. A instituição possui um projeto de capacitação direcionado às mães. Proporciona aulas de cavaquinho, flauta e violão com o objetivo de encontrar novos talentos.

"Acho que eles (alunos rebeldes) deveriam também primar pela qualidade do ensino para mudar a realidade do bairro, se unissem à direção para tirar marginais que ficam na quadra da escola traficando. Elenilton em 2002 puxou um revólver para um professor dentro da sala de aula e chegou a me ameaçar", conta.

Raimundo Antônio foi ameaçado recentemente por um aluno. O professor avisou que o Caic é totalmente sem segurança, muitas janelas foram arrancadas pelos próprios estudantes. "Na gestão passada aos fins de semana os alunos faziam das salas de aula boates e ingeriam bebidas alcoólicas até o amanhecer. Eles querem que isso continue", enfatiza.

 

 

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