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A Câmara inocentou
ontem o deputado Pedro Henry (PP-MT), acusado de ter
sido um dos distribuidores do "mensalão" a
deputados do PP. O plenário aprovou o relatório do Conselho
de Ética que pede o arquivamento do processo contra
o deputado. Votaram 453 deputados na sessão.
O placar da votação
foi 255 deputados pediram a absolvição, 176 foram pela
cassação, houve 20 abstenções e 2 votos em branco. O
processo contra Henry será agora arquivado.
Dos 19 deputados acusados
de envolvimento no esquema de corrupção, Henry é o quinto
a ser absolvido. Na semana passada, foram absolvidos
também Roberto Brant, do PFL, e professor Luizinho,
do PT. Ainda em 2005, foram absolvidos Romeu Queiroz,
do PTB, e Sandro Mabel, do PL.
O parecer que pede
a absolvição de Henry, feito por Carlos Sampaio (PSDB-SP),
foi lido em plenário por Benedito de Lira (PP-AL), outro
membro do Conselho de Ética. Segundo o documento, todas
as provas produzidas e os depoimentos prestados na Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios apontam
a responsabilidade apenas dos deputados José Janene
(PP-PR) e Pedro Corrêa (PP-PE) pelos pagamentos feitos
ao partido com recursos vindos das empresas de Marcos
Valério Fernandes de Souza, suposto operador do "mensalão".
Em seguida, Henry se
defendeu, dizendo-se inocente e comparando-se ao personagem
do livro "A metamorfose", de Franz Kafka,
em que o protagonista dorme como humano e acorda como
inseto.
Henry afirmou que,
depois de nove meses de investigação, não há provas
que o acusem de distribuir o "mensalão". "Quero
e preciso ser julgado pelos fatos, e eles provam que
eu sou inocente", afirmou o deputado. "A acusação
feita pelo ex-deputado cassado [referindo-se a Roberto
Jefferson] por esse plenário pretendia me arrastar para
dentro do esquema do 'mensalão' sem fundamento",
afirmou. "De um momento para outro, carreiras,
reputações e vidas inteiras são destruídas", discursou.
O deputado criticou
o primeiro relatório elaborado pelo Conselho, de autoria
de Orlando Fantazzini (PSOL-SP). Em seguida, elogiou
a "coerência" dos membros do Conselho, que
rejeitaram o primeiro parecer (que pedia sua cassação),
e aprovaram o segundo relatório, de autoria de Sampaio,
pedindo o arquivamento das denúncias. "As paixões
do embate político afetam a razão do homem", afirmou
Henry.
Henry encerrou seu
discurso, que durou 22 minutos, dizendo-se confiante
no "discernimento" dos colegas e pediu que
votassem sim à sua absolvição.
Fantazzini foi o primeiro
orador inscrito para falar depois da defesa de Henry
e defendeu a cassação, afirmando que o deputado era
integrante, ao lado de Pedro Corrêa e José Janene, do
"triunvirato" do PP no Congresso. "O
deputado Pedro Henry participou ativamente do 'mensalão'",
concluiu Fantazzini.
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