Mossoró-RN, domingo 12 de março de 2006

A POESIA DE MOSSORÓ

Há muito tempo a cidade de Assú é considerada a "cidade dos poetas", mas também há muito tempo os seus poetas de maior relevância já não existem mais.

Nomes influentes como Renato Caldas, Moyses Sesyom e Celso da Silveira figuraram no cenário poético daquela cidade que hoje apenas conserva o título e guarda, no anonimato, os seus versejadores.

Mossoró, no entanto, tem revelado uma verdadeira fartura de grandes poetas na última década, alguns com projeção em nível nacional e até internacional.

Uma das responsáveis pela efervescência da poesia mossoroense é a POEMA, instituição formada no ano de 1997 e que conta hoje com cerca de cem associados.

Segundo Caio César Muniz, presidente da entidade, a POEMA nasceu de uma brincadeira e que o objetivo inicial do grupo era apenas o de mostrar os versos produzidos na época pelos poetas Marcos Ferreira, Genildo Costa, Rogério Dias, Cid Augusto e ele, fundadores da instituição.

"A coisa ganhou corpo, foi ficando séria e chegou a ponto de que não podíamos mais deixar as portas fechadas, tivemos que abrir para a população", diz Caio.

Um dos projetos mais importantes criados pelo grupo é o chamado "Poema na Escola", que revelou cerca de vinte novos escritores entre as escolas públicas de Mossoró.

O projeto, que pretende ser relançado neste ano, é uma parceria da POEMA com a Coleção Mossoroense e procura dar prioridade a adolescentes que escrevem e não têm condições de publicar seus trabalhos.

Escolhido pelas suas escolas, o grupo recebe cem exemplares do seu trabalho, publicado pela editora, que, como exigência, pede apenas para que a escola realize a noite de autógrafos.

A POEMA é, segundo Caio, a responsável por grandes revelações da poesia mossoroense, como o cordelista Antonio Francisco, considerado um dos melhores do Nordeste (veja mais sobre Antônio na página 5 deste caderno).

A entidade celebra, desde ontem, o Dia Nacional da Poesia (14 de março) com uma programação que começou com um recital no Sêbado, sebo cultural, e prossegue até a terça-feira quando acontecerá na livraria Café e Cultura um sarau literário com a presença de vários poetas da cidade prestando homenagens aos 120 anos do poeta Manuel Bandeira.

O poetinha

Um dos destaques da poesia mossoroense dos últimos tempos é o poeta João Eugênio.

Com apenas oito anos, João tem surpreendido os colegas, professores e mesmo quem já lida com a poesia há algum tempo.

Revelado pelas páginas do jornal O Mossoroense, João não segue métodos de métrica e rimas, mas diz que teve a influência de poetas como Concriz, embolador de coco e Antônio Francisco, cordelista.

O amor

Na primavera surge o amor

que dá alegria aos corações apaixonados.

Há a paixão,

que como um botão

se abre aos poucos.

Mas, o amor -

se não tivesse o amor

eu não estaria recitando esta poesia.

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