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Humorista acidental

Por André Bernardo
TV Press

Fazer rir nunca foi o forte de Bete Coelho. De formação teatral, ela ganhou o rótulo de atriz dramática ao encenar espetáculos de diretores como José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas. Nas poucas vezes que trocou o teatro pela tevê, repetiu sua sina em autênticos dramalhões como "Éramos Seis", do SBT, e "Serras Azuis", da Band. A única vez que se aventurou pela comédia foi em 1991, quando interpretou a divertida Jezebel em "Vamp", da Globo. A idéia de escalar Bete para fazer humor em "As Filhas da Mãe" partiu do diretor Jorge Fernando. "No meio desta avalanche de comediantes, ele acreditou que eu poderia viver a Alessandra. Não tenho o ‘timing’ da comédia, mas o texto ajuda muito. Não tenho de fazer gracinhas para o personagem ficar engraçado", esclarece a atriz.

Aos 38 anos, Bete já se sente mais à vontade para fazer comédia do que quando estreou na tevê. As recordações que guarda de "Vamp", inclusive, não são das melhores. Até hoje, Bete treme ao lembrar do primeiro dia de gravação, quando se sentiu "um legítimo ET". "Deu tudo errado naquele dia. Se pudesse, saía correndo na mesma hora", recorda. A atriz só não cumpriu a ameaça porque foi impedida pelo diretor Jorge Fernando. Paciente, ele pediu que Bete pensasse menos e se divertisse mais. "Bete, vamos tirar um pouco deste ar intelectual da cara. Não pensa, Bete, não pensa", sugeriu ele, em tom jocoso.

Toda e qualquer apreensão em voltar a fazer novelas se dissipou quando a atriz soube que teria de viajar para a Itália. Lá, a atriz gravou as primeiras cenas de Alessandra, a caçula da família Cavalcante, em plena Fontana de Trevi, o mesmo chafariz em que Anita Ekberg exibiu a exuberante silhueta no filme "A Doce Vida", de Federico Fellini. "Nunca fui tão mimada na vida", derrama-se. Em Roma, Jorge escolheu um dia bem ensolarado para gravar a cena. O famoso chafariz, lembra Bete, estava apinhado de turistas. "Quando eu começar a berrar aqui, vão pensar que sou louca. Vou acabar presa", tremia. Por via das dúvidas, o diretor usou de sua habitual discrição para deixar bem claro que todo aquele fuzuê tratava-se da gravação de uma novela. "O público acabou aplaudindo a cena", consola-se a atriz.

Na trama de Sílvio de Abreu, Alessandra é uma escritora fracassada que nunca conseguiu publicar uma linha sequer. Malsucedida profissionalmente, ela não faz outra coisa senão trocar farpas com Tatiana, interpretada por Andréa Beltrão, e tentar desmascarar Ramona, vivida por Cláudia Raia. "A personagem beira a loucura. Mas trata-se de uma loucura cômica, destrambelhada. A maldade dela é quase lúdica", tenta explicar.

A cada cena que grava, Bete admite que não poderia ter voltado às novelas em melhor ocasião. Bem-humorada, diz que já tem até uma resposta na ponta da língua para quando alguém lhe perguntar sobre o seu atual "livro de cabeceira". "Nas últimas semanas, não tenho feito outra coisa senão ler capítulos de novela. Mas é legal. Insuportável é fazer o que não se gosta", queixa-se.

Em dez anos de carreira na tevê, Bete não teve lá muitos momentos insuportáveis. Ao lado do diretor Nílton Travesso, ajudou a reinaugurar os núcleos de dramaturgia no SBT em 97 e na Band em 99. Na emissora de Sílvio Santos, atuou em "Éramos Seis" e "Sangue do Meu Sangue". A experiência só não foi melhor porque ela se viu obrigada a participar de alguns "teleteatros", adaptações canhestras de textos argentinos, tão logo Nílton Travesso trocou o SBT pela Band dois anos depois. "Aqueles teleteatros mais pareciam uma sessão de tortura", compara.

Por essas e outras, Bete é tão bissexta na tevê. O seu último trabalho na tevê foi na novela "Serras Azuis", da Band. "Não tenho o menor preconceito em fazer tevê. Desde que seja bem-feita, faço sem o menor problema", ressalva, categórica. Na época de "Serras Azuis", por exemplo, a atriz teve a infeliz idéia de conciliar as gravações da novela com os ensaios do espetáculo "Cacilda!", de José Celso Martinez Corrêa. Quase surtou. Desde então, prometeu a si mesma que jamais repetiria tal sandice. "O trabalho na tevê não termina com as gravações. Quando chego em casa, já tenho outros capítulos para decorar", suspira.

 

   

Estranha no ninho

Elisabete Mendes Coelho é uma "habitué" do teatro brasileiro. Em quase 30 anos de carreira, já atuou em mais de 40 espetáculos, como "Processo", "Macunaíma" e "Cacilda!". A atriz, porém, começou sua precoce carreira na tevê quando tinha pouco mais de dez anos. Ela saía de casa, escondida dos pais, para apresentar um modesto programa infantil na extinta TV Itacolomi, de Belo Horizonte, retransmissora da Tupi na época. Nele, Bete cantava e dançava em dueto com a irmã, Eneida. O programa não durou mais que um ano, mas serviu para mostrar que Bete estava no caminho certo. "Nunca passou pela minha cabeça fazer outra coisa que não fosse atuar. Desde criança, sempre gostei de fazer caretas na frente do espelho", ri.

Como boa mineira, Bete Coelho fala pouco de si mesma. Ela discorre com desenvoltura sobre a carreira profissional, mas se mostra reservada quando o assunto é a vida pessoal. Mesmo assim, Bete não teme a eventual invasão de privacidade que espreita os atores mais incautos. "Se você faz televisão, quer mais que as pessoas vejam o seu trabalho e que aquilo seja um sucesso", esclarece. Quando fez "Vamp", Bete deixou de frequentar shopping-centers uma semana depois da estréia da novela. Hoje, garante que sabe tirar de letra a tão propalada superexposição na mídia. "Antes de "As Filhas da Mãe", aproveitei para estocar alimentos no porão. Parecia até que estava me preparando para a guerra", brinca.

 

Instantâneas

# No SBT, além de trabalhar como atriz, Bete Coelho exerceu também a função de diretora de elenco da novela "Razão de Viver". A atriz foi responsável, por exemplo, pela direção de Ana Paula Arósio, então estreante em novelas.

# Ao longo da carreira, Bete trabalhou também como diretora em diversas peças, como "Pentesiléias" e "O Caderno Rosa". Polivante, dirigiu também shows de cantoras como Daniela Mercury e Zélia Duncan.

# Quando completou 18 anos, Bete Coelho aceitou um convite do diretor Antunes Filho e deixou Belo Horizonte, indo morar na capital paulista.

# O primeiro e único casamento de Bete Coelho, com o empresário Luís Frias, durou dez anos. Sem filhos, a atriz mora sozinha em um apartamento no elegante bairro de Higienópolis, em São Paulo. No Rio, onde atualmente grava "As Filhas da Mãe", ela se hospeda na casa de um amigo, em Laranjeiras, na Zona Sul.

# Assim que terminar de gravar a novela, Bete Coelho planeja montar a peça "Banquete de Platão", em parceria com a diretora Daniela Thomas.