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X-Men:
dos quadrinhos para o cinema
Em tempos
de Homem Aranha, nada mais justo do que
destacar o filme pioneiro da relação atual
do cinema com o mundo dos quadrinhos. Fazia
tempo que os heróis não gozavam de tanto
sucesso e prestígio no cinema. Parecia que
esse filão já tinha se esgotado. Eis que
quando tudo parecia perdido, aparece a adaptação
dos X-Men. Stan Lee, o pai do Homem Aranha,
também criou o grupo de mutantes em 1963.
Com uma origem dessa e a direção competente
do Bryan Singer, de Os Suspeitos, a
história sobre seres dotados de grandes
poderes, foi um sucesso de público e crítica.
A cena inicial, em pleno campo de concentração
alemão na II Guerra Mundial, dá uma dimensão
do que será o filme. Vale salientar que
não temos apenas um filme recheado de cenas
de ação aliadas a efeitos especiais, ele
também prima por um bom elenco e roteiro,
que destaca o preconceito e a intolerância
do ser humano ao diferente.
Em meio
à desconfiança que reina entre os mortais
"normais", o embate entre o bem
e o mal não deixa de se fazer presente.
Liderando os mocinhos, temos o professor
Charles Xavier, que acredita na convivência
pacífica entre os mutantes e a humanidade,
colocando os seus poderes para protegê-los.
Além de tudo isso, ele tem que lutar contra
um inimigo poderoso: o Magneto. Esse, ao
contrário do Xavier, não acredita a coexistência
das duas espécies, uma vez que para ele
os mutantes são seres superiores, e como
tais, devem dominar o mundo. A sua descrença
é justificada, pois além de ser mutante,
ele foi perseguido por ser judeu, perdendo
a sua família no campo de concentração Aushwitz.
É nessa ocasião em que ele descobre ter
o poder de controlar o campo magnético da
terra. A escalação do Ian McKellen para
viver o Magneto foi bastante coerente, apesar
da idade, ele consegue demonstrar a amargura
característica do personagem.
Como podemos
ver, a escalação do elenco foi fundamental
para dar vida aos X-Men. O mentor do grupo,
vivido pelo shakesperiano Patrick Stewart,
é um ponto favorável, pois a sua semelhança
física com o Xavier, ajuda na hora de compor
o personagem. Porém, de todos, a melhor
aquisição foi sem dúvida, o novato Hugh
Jackman para viver o Wolverine. Jackman
caiu como uma luva no papel do sujeito violento,
de garras indestrutíveis e pavio curto.
Ele encarna com perfeição e tranqüilidade
o membro mais carismático do X-Men. A indicação
do James Marsden para representar o Ciclope,
a meu ver, não foi muita satisfatória, pois
a sua juventude contribui para que o espectador
não o veja como o futuro líder do grupo.
Mesmo assim, já tem uma relação forte com
Jean Grey, sua companheira de aventuras
- o que causa uma tensão engraçadíssima
com Wolverine. A Jean Grey, representada
pela Famke Janssen, tem os mesmos poderes
do Professor X. Por causa disso, ainda não
escolheu nenhum codinome, mas já faz uso
de seus poderes telepáticos com perfeição.
Quem sabe ela não vira a Fênix no próximo
capítulo?
Nessa adaptação,
Tempestade tem uma participação bem menor
que nos quadrinhos, onde lidera o grupo
na ausência de Ciclope. Halle Berry colocou
uma peruca branca e fala com sotaque para
denunciar sua origem africana e tem poder
de controlar o clima. A ganhadora do Oscar
Anna Paquin faz a Vampira, uma adolescente
que entra em pânico após descobrir que possui
poderes mutantes que a fazem absorver a
força vital ao menor contato físico. Ao
entrar no grupo passa a ser protegida pelo
Wolverine. Seu cabelo não tem a famosa mecha
branca - pelo menos, até os minutos finais.
A exemplo do Xavier, Magneto lidera um grupo,
formado pelo Groxo, encarnado pelo Ray
Park (o Darth Maul, de A Ameaça Fantasma),
sendo o responsável pelos momentos de descontração
do filme. Ele luta feito um sapão, tem uma
língua elástica enorme e é perigosamente
selvagem. O inimigo de Wolverine, Dentes-de-Sabre,
luta, rosna e protege o mestre Magneto.
Por último vem a Mística, da Rebecca Romijn-Stamos.
Ela praticamente não abre a boca, mas não
passou despercebida pela platéia, principalmente
entre os marmanjos. Para viver a transmorfa,
ela precisou tirar a roupa, pintar o corpo
todo de azul e usar centenas de próteses
para esconder as partes mais indiscretas.
Bem, leitor, diante de tudo o que foi dito,
e dos 300 milhões de dólares arrecadados,
X-Men 2 promete estrear e garantir de vez
o lugar dos heróis em quadrinhos no mundo
da sétima arte. É esperar para ver. (Reeditada
a pedidos)
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