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Comdica não tem estatísticas de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes

 

Mossoró não tem como identificar de forma precisa os casos referentes à exploração e abuso sexual da criança e do adolescente local e a situação social dos envolvidos. O motivo apontado pela presidente do Fórum Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum-DCA), assistente social Vanusa Rocha, é a falta de interesse da municipalidade em dispor de recursos para pesquisa. Há mais de cinco anos a entidade faz a reivindicação do diagnóstico.

"O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) deveria ter esses números. O Fórum-DCA por sua vez não possui recursos para efetuar o levantamento", esclarece a presidente do Fórum-DCA.

O Projeto Sentinela - entidade especializada que atua no combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes - faz a sua parte. A instituição concluiu recentemente o relatório de ocorrências de 2005. No período, foi constatado que o maior número de casos foi referente a vias de prostituição, 27 (casos em que os órgãos competentes acabaram evitando) e a prostituição propriamente dita representou 18 situações.

A realidade dos fatos pode ser observada levando em conta, por exemplo, o caso das duas garotas encontradas recentemente em uma casa de drinks da cidade. Ambas foram levadas pelos conselheiros tutelares ao Projeto Sentinela no dia 6 de janeiro e ficaram até o dia seguinte, quando foram encaminhadas ao Conselho Tutelar de Quixadá/CE (cidade de origem das duas).

Menos de uma semana depois,  elas foram novamente encontradas em situação de risco e levadas ao Projeto Sentinela, porém não ficaram muito tempo na entidade,  fugiram.

"Os Conselhos Tutelares, Juizado da Infância e Juventude e Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM) nos ajudam trazendo adolescentes em situações de risco para o Projeto. O Sentinela não é uma prisão, a gente dá o apoio necessário, mas muitos acabam reincidindo", disse a assistente social Perpétua Lopes.

Ela ressalta que muitas jovens vêm de cidades do Ceará, Pernambuco e até Sergipe. Segundo Perpétua, a maioria dos casos de prostituição acontece por questões sociais, econômicas e falta de estímulo familiar. "As adolescentes quase sempre alegam que estão assim porque precisam ou têm família para sustentar", conta.

O Sentinela promove ações através de uma equipe multidisciplinar que faz o acompanhamento psicossocial e pedagógico - formada por psicóloga, assistentes sociais, pedagogas e artes-educadoras.

ESPECÍFICO - No ano passado o Núcleo de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em nível nacional, mostrou que Mossoró estava liderando a lista de cidades do Rio Grande do Norte com o maior índice de prostituição infanto-juvenil em suas rodovias.

Durante o levantamento foi constatado que 844 pontos de prostituição do Brasil foram encontrados em 462 municípios. No Rio Grande do Norte foram evidenciados 18 locais nas seguintes rodovias: BR-101, BR-304, BR-226, BR-110, BR-406, BR-427 e BR-405. A rodovia de Mossoró citada na estatística foi a BR-304 com sete pontos de prostituição.

O inspetor-chefe da Quarta Delegacia da PRF local à época, Carlos Kléber, atribuiu o alto índice aos caminhoneiros que trafegam freqüentemente pelas rodovias fomentando a atividade econômica do município no transporte de itens da fruticultura.

 

 

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