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Dr.
Honório Dantas
O serviço de hemodinâmica
em Mossoró ainda não é credenciado pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) e isso traz sérios problemas para uma
cidade do tamanho de Mossoró. Para falar sobre essa
carência, a estrutura que já existe no município e esclarecer
alguns pontos da polêmica que se instalou em torno do
credenciamento de hospitais locais no convênio público,
convidamos o médico cardiologista Honório Ribeiro Dantas,
da Associação de Proteção à Infância e à Maternidade
de Mossoró (Apamim). Ele escreveu uma série de artigos
sobre o tema que foram publicados durante a semana neste
jornal e é o entrevistado de hoje.
Por Caio César Muniz
O Mossoroense -
Dr., o senhor considera Mossoró preparada para atender
pacientes cardíacos de alta complexidade?
Honório Ribeiro - Sim.
Desde 2003, quando realizou a primeira cirurgia cardíaca
fora da capital, a Apamim se prepara para dar essa comodidade
aos pacientes da região. E quem diz isso são auditorias
municipais e estaduais, pois o processo de credenciamento,
tanto de SUS quanto de convênios, é muito severo.
Saliento ainda o seguinte:
no momento, somente a Apamim tem condições de realizar
tais procedimentos.
OM - E qual é a
estrutura disponível no município para esses atendimentos?
HR - Bem, para capacitação
em alta complexidade na área de cardiologia é necessário
um tripé constituído por condições físicas, pessoal
especializado e credenciamento em determinados setores,
como UTI atuante pelo Sistema Único de Saúde (SUS),
entre outros. Vale lembrar que esta é uma condição fundamental,
sem a qual uma unidade não pode nem solicitar credenciamento
em cardiologia.
OM - E existe acesso
gratuito a esse serviço em Mossoró?
HR - Na área de UTI,
entre todos os hospitais que não são públicos na cidade
de Mossoró, somente a Apamim oferece esse serviço gratuitamente.
Nossa UTI já era boa, mas a incrementamos para torná-la
tipo II, que é um salto de qualificação. Uma portaria
expedida pelo Ministério da Saúde em outubro último
credenciou quatro leitos da nossa unidade como tipo
II.
OM - Mas a Apamim
já atende hemodinâmica gratuitamente?
HR - Como forma de
dar vazão a alguns casos graves de pacientes que nos
procuraram, fizemos sim, alguns exames gratuitamente.
Por enquanto estamos atendendo somente convênios e particulares,
mas em breve estaremos abrindo para o SUS, tão logo
saia nosso credenciamento. Essa é uma luta que já dura
28 meses. A partir do dia 25 de janeiro esperamos atender
pelo SUS em definitivo.
OM - Mas, se a Apamim
já atende convênios e particulares, por que a credibilidade
do serviço está sendo questionada?
HR - Entendemos isso
como manobra desesperada de quem tem um serviço virtual.
Somente uma estrutura até hoje realizou cateterismos
cardíacos, angioplastias e angiografias em Mossoró.
E essa estrutura é a que está instalada na Apamim.Portanto,
não se pode nem comparar algo que existe com outra coisa
que nunca existiu.
OM - E quem o senhor
acredita que está envolvido nessa 'manobra'?
HR - Todos sabem que
o Hospital Wilson Rosado, através de alguns sócios,
e estimulado pelo secretário de Cidadania, pleiteia
concorrer com a Apamim por esse credenciamento. Ora,
ano passado, em meados de junho, foi solicitada uma
reunião do Conselho Municipal para tentar cadastrar
também o serviço do dr. Bernardo.
Vejam só que delírio,
há um ano praticamente que solicitam credenciamento
e brigam, e se desesperam, para dar crédito a um serviço
que nunca existiu, nunca fez um exame. Um serviço em
que a máquina ainda está vindo. É um verdadeiro delírio
coletivo de certas pessoas. O problema é quando isso
chega aos ouvidos do SUS, em Brasília, as pessoas não
acham estranho, não. Elas acham um verdadeiro absurdo.
OM - As pessoas
do SUS em Brasília acham um absurdo?
HR - Sim. Em outubro,
estivemos na Secretaria de Atenção à Saúde e os técnicos
do SUS me perguntaram como estava o outro serviço, que
mesmo sendo particular, ao invés de ser filantrópico
como a Apamim, não atendendo UTI pelo SUS, mas que também
queria se cadastrar.
Expliquei que como
não conhecia profundamente o serviço, não podia me estender
e também porque acho uma falta de respeito criticar
publicamente, a menos que provocado. Mas, disse que
pelo que ouvira, ainda não havia máquina instalada.
Pelo que ouvira, não havia UTI atendendo pelo SUS, como
vimos essa semana.
Não havia equipe morando
lá ainda e nunca tinha ouvido falar em nenhum exame
realizado lá, exceto uma falha, depois retificada em
certo jornal, que trocou a Apamim pelo Wilson Rosado
e o nome do dr. Eduardo Hipólito pelo de um médico da
equipe do referido hospital.
Mas o jornal foi muito
delicado e corrigiu a informação. Logo depois as secretárias
do SUS em Brasília me pediram para sentar, perguntaram
se estava com febre e se queria descansar um pouco.
Não entendi por que, acho que é porque estava um pouco
cansado de lutar contra o que não existe.
OM - Em que ocasião
perguntaram-lhe isso?
HR - Durante a visita
que fiz em outubro ao Ministério da Saúde, em Brasília,
para checar quando seria publicada a portaria da nossa
UTI como tipo II.
OM - Mas então,
por que você acha que o credenciamento da Apamim ainda
não saiu?
HR - O credenciamento
é um processo feito com muita responsabilidade e critério.
A primeira parte - a que cabia ao município deliberar
- demorou tanto que somente foi resolvida no Ministério
Público, em Mossoró.
Posteriormente, o processo
foi enviado a Natal, para avaliação de uma comissão
estritamente técnica. A partir daí foi encaminhado à
comissão bipartite, que retifica os pareceres técnicos
para evitar interpelação política nos pleitos dos interessados.
O último passo é a
avaliação da Apamim pelo Ministério da Saúde.
Lembrem-se que a Apamim
será avaliada pela funcionalidade e seriedade com que
implantou o serviço, e não pelos metros quadrados de
granito que existe nos seus corredores. A grande demora
foi na prefeitura de Mossoró.
OM - Pode-se ter
essa expectativa de que o serviço esteja habilitado
no fim deste mês?
HR - A expectativa
é de ajudar a população de Mossoró que está desassistida
devido a greve que acontece em Natal. Tentaremos fazer
os exames da população gratuitamente, se for o caso.
O credenciamento em si, quem pode responder é o pessoal
da Secretaria de Saúde, mas acredito que seja rápido,
talvez 60 dias.
OM - Enquanto isso,
como a população está sendo prejudicada? Digo, que riscos
a cidade corre sem o serviço gratuito?
HR - No momento, e
desde que solicitamos credenciamento por estarmos aptos,
quem infartar severamente em Mossoró ou será tratado
clinicamente ou morre. Temos um laudo do Hospital Regional
Tarcísio Maia mostrando o altíssimo índice de mortes
por infarto e o hospital é referência regional.
OM - Então, o atendimento
só é garantido para convênios e particulares?
HR - Como posso atender
pelo SUS se não sou conveniado?
OM - Você falou
de uma 'manobra' utilizada através do uso de ambulâncias,
como é isto?
HR - A ambulância é
um artifício usado quando os prefeitos não tem determinados
recursos diagnósticos ou terapêuticos. No caso de Mossoró,
nessa área já existe (a Apamim), mas ainda não é utilizado
pelo SUS municipal. Não acredito que a prefeita aguarde
o dr. Bernardo montar um serviço, já existindo um na
cidade e em funcionamento, para poder dar suporte à
população que é atendida pelo SUS.
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