Mossoró-RN, domingo 15 de janeiro de 2006

SONETO AO AMOR QUE TEM SEU PREÇO
Cefas Carvalho
Jornalista (Natal/RN)

Espalhas beleza ao vento como outras espalham flores
Deusa pagã em meus delírios, Isis, Vênus, Afrodite
Com seus disfarces fizeste com que eu fosse ao meu limite
Sem saber quem eras, jurei que iria onde fores

Decidi que seria minha, fiz planos, sonhos, acredite!...
Fiz meus amigos confessarem então os seus temores
Com medo onde eu amarasse a corda dos meus amores
Revelaram seus segredos... Farei o mesmo, se me permite

Tudo na vida tem seu preço, reza o ditado popular
Por que tu, tão bela, não valeria seu peso em ouro?
Por que darias sem cobrar o que tem tanto valor?

Dizes o preço: - Quinhentos! - sem pestanejar
Para te ter, espoliarei com prazer o meu tesouro
Comprarei para mim, centavo por centavo, o teu amor

"PROIBIDO"
Luciano Costa
Poeta (Janduís/RN)

Seria a causa original do desejo o proibido?
Ou apenas a chama que o incendeia?
Seria o transpor limites, romper barreiras o êxtase do desejo?
Por que desejamos aquilo que não podemos?
Por que não podemos realizar os desejos que nos consomem?
Por que somos consumidos por desejos proibidos?
Por que proibimos justamente aquilo que mais desejamos?
Por que desejamos com mais intensidade, justamente o que não nos é permitido?
O que nos fascina, enfim?
O desejo?
O proibido?
O risco?
O medo?
Ou o perigo?
Não sei!
Só sei que é proibido...
Que é desejável...
Que parece muito mais gostoso...
Mais envolvente...
...o proibido!

PÉROLA PERDIDA
Rozilene Pereira de Souza
Poetisa (Natal/RN)

Sou pérola perdida
Que se entregou em suas mãos
Acreditando na sua paixão,
Esquecendo a razão,
Dizendo sim para o não.
Lutando para curar-te,
Tentando cicatrizar-te,
Mas não permitiste
Que eu te amasse.
Insistia em te conquistar,
Lutei para teu amor ganhar.
Ao sentir que nada adiantou
Perdi a graça, fiquei fraca,
Desgostosa da vida.
Tentei curar uma ferida,
Ganhei uma.
Agora sou pérola perdida,
Esquecida na vastidão do teu mar.
De tanto te amar
Tornei-me esquecida,
Abraçada na desilusão,
Entregando a tristeza meu coração,
Esquecendo para sempre o amor
Que tanto amei e não cicatrizou.

LÍNGUA PORTUGUESA
Olavo Bilac
Rio de Janeiro (1865 - 1918)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

O BANHO VESPERAL
Lindomarcos Faustino
Poeta mossoroense

Hoje passei o dia pensando sem parar
Neste amor que sinto por ti sem fim,
Tu és minha vida, meu sonho e meu ar
Pois tudo isto significas para mim.

Tu és a minha única fonte de desejo
Pois é o teu poeta que diz,
Somente os teus doces beijos
É que me fazem completamente feliz.

Tu és a musa da minha inspiração
E a mulher por mim mais querida,
Tu és a minha predileta canção
E o tema desta minha vida.

Para mim é o fogo do teu amor
Que jamais apagará,
Para apagar este amor não existe extintor
E no teu corpo quero me carbonizar.

Só tu és a minha eterna felicidade
Que me faz sonhar todo dia,
Tu és a minha liberdade
E os versos da minha poesia.

COM CERTEZA
Hédimo Jales
Professor (Natal/RN)

Ao perder-te eu a ti
tu e eu temos perdido.
Eu, porque tu eras
o que eu mais amava;
tu, porque era eu
que te amava mais.
Mas, de nós dois
tu perdes mais do que eu.
Porque eu poderei amar a outra
como amava a ti,
Mas a ti não te amarão mais
do que te amava eu!

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