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SONETO AO AMOR QUE
TEM SEU PREÇO Cefas Carvalho Jornalista (Natal/RN)
Espalhas beleza ao
vento como outras espalham flores Deusa pagã em meus
delírios, Isis, Vênus, Afrodite Com seus disfarces
fizeste com que eu fosse ao meu limite Sem saber
quem eras, jurei que iria onde fores
Decidi que seria minha,
fiz planos, sonhos, acredite!... Fiz meus amigos
confessarem então os seus temores Com medo onde eu
amarasse a corda dos meus amores Revelaram seus segredos...
Farei o mesmo, se me permite
Tudo na vida tem seu
preço, reza o ditado popular Por que tu, tão bela,
não valeria seu peso em ouro? Por que darias sem
cobrar o que tem tanto valor?
Dizes o preço: - Quinhentos!
- sem pestanejar Para te ter, espoliarei com prazer
o meu tesouro Comprarei para mim, centavo por centavo,
o teu amor
"PROIBIDO" Luciano
Costa Poeta (Janduís/RN)
Seria a causa original
do desejo o proibido? Ou apenas a chama que o incendeia? Seria
o transpor limites, romper barreiras o êxtase do desejo? Por
que desejamos aquilo que não podemos? Por que não
podemos realizar os desejos que nos consomem? Por
que somos consumidos por desejos proibidos? Por que
proibimos justamente aquilo que mais desejamos? Por
que desejamos com mais intensidade, justamente o que
não nos é permitido? O que nos fascina, enfim? O
desejo? O proibido? O risco? O medo? Ou
o perigo? Não sei! Só sei que é proibido... Que
é desejável... Que parece muito mais gostoso... Mais
envolvente... ...o proibido!
PÉROLA PERDIDA Rozilene
Pereira de Souza Poetisa (Natal/RN)
Sou pérola perdida Que
se entregou em suas mãos Acreditando na sua paixão, Esquecendo
a razão, Dizendo sim para o não. Lutando para
curar-te, Tentando cicatrizar-te, Mas não permitiste Que
eu te amasse. Insistia em te conquistar, Lutei
para teu amor ganhar. Ao sentir que nada adiantou Perdi
a graça, fiquei fraca, Desgostosa da vida. Tentei
curar uma ferida, Ganhei uma. Agora sou pérola
perdida, Esquecida na vastidão do teu mar. De
tanto te amar Tornei-me esquecida, Abraçada na
desilusão, Entregando a tristeza meu coração, Esquecendo
para sempre o amor Que tanto amei e não cicatrizou.
LÍNGUA PORTUGUESA Olavo
Bilac Rio de Janeiro (1865 - 1918)
Última flor do Lácio,
inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina
entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida
e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que
tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade
e da ternura!
Amo o teu viço agreste
e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna
ouvi: "meu filho!" E em que Camões chorou,
no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem
brilho!
O BANHO VESPERAL Lindomarcos
Faustino Poeta mossoroense
Hoje passei o dia pensando
sem parar Neste amor que sinto por ti sem fim, Tu
és minha vida, meu sonho e meu ar Pois tudo isto
significas para mim.
Tu és a minha única
fonte de desejo Pois é o teu poeta que diz, Somente
os teus doces beijos É que me fazem completamente
feliz.
Tu és a musa da minha
inspiração E a mulher por mim mais querida, Tu
és a minha predileta canção E o tema desta minha
vida.
Para mim é o fogo do
teu amor Que jamais apagará, Para apagar este
amor não existe extintor E no teu corpo quero me
carbonizar.
Só tu és a minha eterna
felicidade Que me faz sonhar todo dia, Tu és a
minha liberdade E os versos da minha poesia.
COM CERTEZA Hédimo
Jales Professor (Natal/RN)
Ao perder-te eu a ti
tu e eu temos perdido. Eu, porque tu eras o
que eu mais amava; tu, porque era eu que te
amava mais. Mas, de nós dois tu perdes mais
do que eu. Porque eu poderei amar a outra como
amava a ti, Mas a ti não te amarão mais do que
te amava eu!
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