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O ministro do Trabalho,
Luiz Marinho, sinalizou ontem que o governo federal
quer dividir o ônus do reajuste do salário mínimo e
da correção da tabela de Imposto de Renda com os Estados.
Segundo ele, não seria justo abrir mão da correção da
tabela de IR para pagar um salário mínimo melhor. O
ideal seria atender às duas reivindicações das centrais
sindicais: elevar o mínimo e corrigir a tabela de IR.
"Tem que haver
as duas [correções]. Em vez de tirar do Imposto de Renda
para dar para o salário mínimo, tem de tirar da Lei
Kandir para dar para Imposto de Renda e para o salário
mínimo", disse Marinho após participar de um encontro
com os consórcios da juventude em Guarulhos.
Essa lei isentou as
exportações de produtos do pagamento de ICMS, mas prevê
o ressarcimento pela União de parte do imposto não-recolhido
pelos Estados. No ano passado, o governo decidiu liberar
R$ 5,2 bilhões para compensar as perdas dos Estados,
que pressionam pela manutenção desse valor em 2006.
"Essa é uma opção
política. Não é justo repassar recursos, na proporção
que os governadores desejam, e não atender os 7,5 milhões
de contribuintes que pagam Imposto de Renda", afirmou
Marinho.
O ministro disse que
o reajuste do mínimo pesará no bolso da classe média,
que contrata empregados domésticos, por exemplo. Para
essa classe média arcar com o novo mínimo, seria preciso
também corrigir a tabela do IR.
"Se essas pessoas
[classe média] têm uma melhor condição, podem aumentar
o salário do trabalhador doméstico. Se vamos aumentar
o mínimo, também subirá o salário do trabalhador doméstico.
Correção da tabela de IR é elemento de justiça social
e estabelece equilíbrio entre os vários segmentos da
sociedade", afirmou ele.
Depois de vários recuos,
as centrais sindicais passaram a defender que o governo
reajuste o salário mínimo para R$ 350 a partir de março
e corrija a tabela do IR em 10%. Já o governo sinaliza
aceitar o mínimo de R$ 350, mas não sabe se só poderá
pagar esse aumento a partir de maio. Além disso, não
há ainda uma decisão sobre o reajuste do IR.
Marinho disse que o
novo valor do salário mínimo deverá ser decidido na
quinta-feira em encontro do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva com representantes das centrais sindicais.
Segundo ele, o mínimo
poderia ser até maior que o reivindicado pelas centrais
se houvesse cooperação por parte dos Estados. "Os
Estados podem sim absorver essa diferença. É assim que
sociedade tem que encarar esse debate. Se Estados abrirem
mão do repasse da Lei Kandir dá para pagar até R$ 360
de mínimo."
Tabela de IR - Marinho
disse que o presidente Lula mantém o objetivo de corrigir
a tabela de IR para cobrir a inflação acumulada desde
2003 quando assumiu o governo.
As eventuais diferenças
entre a correção da tabela e a inflação poderão ser
zeradas na discussão do Orçamento de 2007. Marinho lembrou
que além da possível correção de 2006, o governo poderá
repassar a variação da inflação para a tabela no Orçamento
do próximo ano.
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