Mossoró-RN, domingo 15 de janeiro de 2006

 

O NÓ DA MADEIRA...

Por Marcos Bezerra

Conversa de mesa de bar... Não era pra ir além disso. Sem conseqüências além da troca de idéias sobre assuntos diversos; papo bom; tempo que corre rápido. Mas eis que surge o desafio! Diga-se de passagem, eu mesmo dei o mote. Cid Augusto, que não perde a chance de incentivar o pensamento...

- Escreva, mande pra mim, que eu publico.

Mas, escrever sobre um nó.  Publicar uma primeira crônica sobre um nó?

Nó [Do lat. Nodu.] S.m 1. Entrelaçamento feito na extremidade ou no meio de uma ou de duas cordas, linhas... Este e outros 12 significados estão no Aurélio. Reconheço: recorrer ao "Pai dos Burros" para encher lingüiça, é trapacear com o leitor.

2. A parte mais dura da madeira. Era esse o nó - visível numa fatia de um tronco de árvore que era a nossa rústica mesa. Escritor principiante, eu merecia tema melhor: talvez sobre os ritmos caribenhos que invadem Natal. Os dançarinos de mambo e salsa estavam lá, bamboleantes. Fosse, eu, tentar e daria um nó no corpo, não indo além dos primeiros passos. E os turistas... Que tal falar dos turistas, desajeitados que parecem ser no ato da conquista? Mulheres disponíveis não faltavam, em busca de alguém para trocar essa vida incerta, de não saber o que fazer da vida, por uma carreira bem estabelecida de dona-de-casa - no primeiro mundo. Os dois lados armando seus laços... E nó pode ser um laço, o do meu sapato; mas este estava perfeito no canto, sem desamarrar. Se o contrário ocorresse, uma agachadinha poderia resultar na melhor apreciação de uma fenda, nalguma saia mais curta. Havia muitas... Jocelito Góes descobriu algumas rendas vermelhas.

- Disfarça, olha aquela ali atrás.

O nó da goela de cada um apontando o caminho para olhares gulosos.

Mas o meu nó era só um nó na madeira, circundado pela umidade de um copo de cerveja, numa noite de poucas opções, fria e chuvosa, na cidade Natal.  

Para não dar um nó na cabeça, fico devendo a crônica.

...et cetera e coisa e tal...

Hoje é dia de experimentar uma Samanaú na casa de seu Zé Airton, conversar miolo de pote e esperar o "caba" vir devolver a minha rede que ele roubou no último final de semana. Mas como diz o mestre: e daí?  

Muitas homenagens ainda serão prestadas, com certeza, ao professor Vingt-un Rosado, abramos, no entanto, os olhos para os oportunistas que procurarão fazer nome em cima do trabalho do grande mecenas da nossa cultura, isto já está acontecendo.

Recebo dos poetas Mário Gerson e Hugo Galvão uma interessante produção literária. Os poetas se reuniram e enfeixaram seus poemas num trabalho que também é dois, de um lado, lê-se "Poemas Partilhados", de Hugo, do outro, "Poemas", de Mário Gerson. Inovação é sempre bom.

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