|
O
NÓ DA MADEIRA...
Por Marcos Bezerra
Conversa de mesa de
bar... Não era pra ir além disso. Sem conseqüências
além da troca de idéias sobre assuntos diversos; papo
bom; tempo que corre rápido. Mas eis que surge o desafio!
Diga-se de passagem, eu mesmo dei o mote. Cid Augusto,
que não perde a chance de incentivar o pensamento...
- Escreva, mande pra
mim, que eu publico.
Mas, escrever sobre
um nó. Publicar uma primeira crônica sobre um
nó?
Nó [Do lat. Nodu.]
S.m 1. Entrelaçamento feito na extremidade ou no meio
de uma ou de duas cordas, linhas... Este e outros 12
significados estão no Aurélio. Reconheço: recorrer ao
"Pai dos Burros" para encher lingüiça, é trapacear
com o leitor.
2. A parte mais dura
da madeira. Era esse o nó - visível numa fatia de um
tronco de árvore que era a nossa rústica mesa. Escritor
principiante, eu merecia tema melhor: talvez sobre os
ritmos caribenhos que invadem Natal. Os dançarinos de
mambo e salsa estavam lá, bamboleantes. Fosse, eu, tentar
e daria um nó no corpo, não indo além dos primeiros
passos. E os turistas... Que tal falar dos turistas,
desajeitados que parecem ser no ato da conquista? Mulheres
disponíveis não faltavam, em busca de alguém para trocar
essa vida incerta, de não saber o que fazer da vida,
por uma carreira bem estabelecida de dona-de-casa -
no primeiro mundo. Os dois lados armando seus laços...
E nó pode ser um laço, o do meu sapato; mas este estava
perfeito no canto, sem desamarrar. Se o contrário ocorresse,
uma agachadinha poderia resultar na melhor apreciação
de uma fenda, nalguma saia mais curta. Havia muitas...
Jocelito Góes descobriu algumas rendas vermelhas.
- Disfarça, olha aquela
ali atrás.
O nó da goela de cada
um apontando o caminho para olhares gulosos.
Mas o meu nó era só
um nó na madeira, circundado pela umidade de um copo
de cerveja, numa noite de poucas opções, fria e chuvosa,
na cidade Natal.
Para não dar um nó
na cabeça, fico devendo a crônica.
...et
cetera e coisa e tal...
Hoje é dia de experimentar
uma Samanaú na casa de seu Zé Airton, conversar miolo
de pote e esperar o "caba" vir devolver a
minha rede que ele roubou no último final de semana.
Mas como diz o mestre: e daí?
Muitas homenagens ainda
serão prestadas, com certeza, ao professor Vingt-un
Rosado, abramos, no entanto, os olhos para os oportunistas
que procurarão fazer nome em cima do trabalho do grande
mecenas da nossa cultura, isto já está acontecendo.
Recebo dos poetas Mário
Gerson e Hugo Galvão uma interessante produção literária.
Os poetas se reuniram e enfeixaram seus poemas num trabalho
que também é dois, de um lado, lê-se "Poemas Partilhados",
de Hugo, do outro, "Poemas", de Mário Gerson.
Inovação é sempre bom.
|