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A insegurança de Mossoró

Está correto o raciocínio de quem imagina que a questão da falta de segurança pública em Mossoró não é diferente daquele cenário idêntico existente no restante do país. Tudo bem. Mas, é certo também que nesta cidade a questão da insegurança guarda algumas peculiaridades que denotam que são bem nossas, problemas fáceis de se resolver e que não são levados na devida conta. Por exemplo, na atual conjuntura, vê-se na televisão que carros da PM mossoroense estão parados por falta de combustível e que telefones estão sem funcionar por falta de pagamento. Francamente, isso é o absurdo dos absurdos.

O cidadão, já tão desprotegido, abandonado à sua própria sorte, se sente cada vez mais condenado a ser vítima da sanha dos bandidos porque o Estado não cumpre o seu mínimo papel constitucional. E não adianta o governo atual está culpando o governo anterior, pois os dois problemas citados são fatos inquestionáveis estruturais, que estão relacionados com a má gestão da coisa pública. Ademais, já se passaram quase 120 dias em que vivemos sob a égide de um movo governo.

A verdade é que a sociedade como um todo está apreensiva, principalmente porque as pesquisas estão mostrando que são alarmantes os índices de violência crescente no país, pois os assaltos e as ações criminosas passaram a fazer parte do nosso dia-a-dia. Além das nossas autoridades melhor se aparelharem para enfrentar esse cenário dantesco ainda há que se modificar as leis penais e carcerárias a fim de que o Estado se muna de instrumentos legais capazes de enfrentar o avanço cada vez mais audacioso dos que teimam em desafiar as leis.

O certo é que a situação atual não pode perdurar. Situação em que um pai de família, um profissional recatado é obrigado a se tornar um criminoso, liquidando um bandido em nome da sua defesa pessoal e da defesa do que é seu. Nossas leis em relação à bandidagem precisam ser modificadas e urgentemente, pois o quadro legislador atual é muito contemplativo e por isso mesmo contribui sobremaneira para que a marginalização prossiga avançando cada vez mais deixando a nossa sociedade refém dos marginais.

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 17 de abril de 2003