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Celina
Guimarães e o Futebol em Mossoró
O futebol,
uma das maiores paixões dos brasileiros,
chegou a Mossoró por volta de 1917, despertando
entusiasmo nos jovens desportistas daquela
época.
O professor
Eliseu Viana, diretor do Grupo Escolar “30
de Setembro”, havia formado um grupo de
escoteiros com os alunos do estabelecimento
que dirigia, e contagiado pelo novo esporte,
resolveu fundar dois times de futebol entre
os escoteiros. Passaram a treinar regularmente,
em campos improvisados, mas com tanto entusiasmo
que chegava a causar inveja nos demais jovens
da cidade.
Um dia,
o professor Eliseu foi procurado por alguns
meninos que moravam na mesma rua que ele,
desejosos de aprender as regras do jogo.
Ele alegou que não dispunha de tempo para
isso, pois o Grupo Escolar tomava todo o
seu tempo. Mas para não tirar o entusiasmo
da meninada, perguntou a sua esposa, a também
professora Celina Guimarães, se ela não
podia assumir essa responsabilidade, pois
se ela aceitasse, ele lhe passaria as regras
e daria as instruções necessárias. E ela
aceitou a tarefa.
Foi assim
que uma certa manhã dona Celina apareceu
na Praça do Moinho, ou da Escola Normal,
de livro na mão e apito na boca, cercada
de meninos desejosos de aprender o novo
esporte. Decidida, ela mandou que colocassem
duas pedras, numa distância de quatro metros
de cada lado, delimitando os gols, e passou
a dividir a garotada: onze para cada lado.
Por falta de uniformes, decidiu que um time
jogaria com camisas e o outro sem camisas
para diferenciar. A bola de couro havia
sido comprada pelos pais da garotada.
Acontece
que a regra de futebol daquela época era
toda em inglês. Assim sendo, além de explicar
como se jogava e como se marcava o gol,
tinha ainda de explicar o que era off-side,
corner-kick, foul, reefery, fire-kick e
field. Mostrou as posições de cada jogador,
o que era back, keeper, half, center-half,
forwards, 1º half-team, 2º half-team, team
etc, ensinou o que cabia ao goleiro fazer
dentro de sua barra, a posição certa dos
backs e o papel do centro-médio que teria
de jogar no meio do campo acompanhando a
linha dos dianteiros. Ensinou como os pontas
(direito e esquerdo) deveriam atuar, os
meias e o center-forward, que seria o homem-tanque
da ofensiva, desbravando as defesas e marcando
muitos gols.
Dada as
explicações iniciais, pôs a bola no centro
do campo, colocou cada um na sua posição
e acionou o apito. A princípio a dificuldade
era grande por parte da garotada, que teimava
em botar a mão na bola. Foi preciso muita
paciência da professora e muito sopro no
apito para que os ensinamentos básicos fossem
seguidos.
Com uma
semana de treino, o rendimento dessa prática
já era satisfatório. O campo também já estava
bem melhor, pois já haviam delimitado seus
limites com cal e as traves, antes apenas
duas pedras, já eram de madeira, mesmo sem
obedecer às dimensões oficiais. E a professora
Celina Guimarães continuou com os seus treinos,
feliz por perceber o interesse dos seus
comandados e a habilidade que alguns já
passavam a demonstrar.
Essa pequena
história, que foi originalmente narrada
por Walter Wanderley no seu livro “Eliseu
Viana – O Educador”, serve para mostrar
o dinamismo de Celina Guimarães Viana, uma
mulher muito além do seu tempo. Longe de
se intimidar com o desconhecido e com o
inusitado para os padrões feminino da época,
abraçou a causa com dinamismo, tornando-se,
talvez, a primeira mulher no mundo a entrar
em um campo de futebol para treinar um time
de rapazes. Como educadora, inovou as técnicas
pedagógicas da época, abolindo métodos grosseiros,
buscando a participação do alunato.
Celina
Guimarães Viana não foi apenas a primeira
eleitora da América Latina. Foi acima de
tudo uma mulher de fibra, uma educadora
competente e laureada, que soube deixar
o seu nome gravado em nossa história.
(Para conhecer
mais sobre a história de Mossoró visite
o site: www.mossoro.cjb.net)
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