O outro lado da moeda de um grave problema

SÉRGIO OLIVEIRA

Da Redação

É comum nas redações de jornais, rádios e televisão, chegarem notícias em forma de denúncia contra os serviços de transporte coletivo urbano, mais popularmente conhecido como "linha de ônibus". Reclama-se do horário, da qualidade dos carros, irritação de motoristas e até locais distantes onde este serviço não chega. Porém, essa moeda tem outra face e é preciso mostrá-la para que a população tome conhecimento e passe a cobrar não só dos empresários do setor, mas também das autoridades que são diretamente responsáveis pela qualidade desse serviço essencial a todos nós. Sem denúncias ou qualquer outro tipo de cobrança, a reportagem de O Mossoroense espera contribuir na busca de soluções para tantos problemas denunciados. Se algo de concreto não for feito, corremos o risco até mesmo de ver desaparecer o transporte coletivo em Mossoró.

Leis geram despesas sem mostrar quem paga a conta

Virou quase uma moda em todo o Brasil a geração de leis beneficiando as mais diferentes categorias de trabalhadores, pessoas idosas, estudantes e deficientes físicos que geram despesas sem nenhuma preocupação com a receita que irá cobrir os espaços abertos. Afinal, quem deve pagar a conta pelas vantagens concedidas aos segmentos que são dispensados de pagar a passagem de ônibus ou no mínimo possui o direito ao abatimento?

A reportagem não quer discutir se estas pessoas têm ou não direito a este privilégio, até concorda, porém é preciso gerar também condições para que o transporte possa ser mantido regularmente na linha. Quem propõe que aposentado, idosos acima de 60 anos e deficientes físicos não precisam pagar a passagem e o estudante tem direito a 50% de abatimento, tem a obrigação de gerar ou propor condições para que estas despesas sejam cobertas.

Com transporte vazio e usado apenas por estas pessoas, o empresário não pode renovar sua frota e oferecer um serviço de qualidade. Seguindo em sentido contrário, ele busca meios para tentar sobreviver e gera novos problemas, como é o caso da redução de funcionários com o desaparecimento da figura do cobrador, passando essa missão ao motorista. Este por sua vez desvia a atenção do volante que pode ter conseqüências irreparáveis.

Autoridades fecham os olhos para o problema

As leis que mudam regras no serviço de transporte coletivo são aprovadas pela maioria dos que fazem a Câmara Municipal, a prefeitura sanciona a proposta e depois não fiscaliza. Neste caso, a própria autoridade responsável pela autorização e funcionamento do serviço fecha os olhos para todos os problemas, sejam eles denunciados pelos usuários ou questionados pelos empresários do setor.

A prefeitura de Mossoró e todas aquelas nas cidades em que existe o problema, são responsáveis pelo serviço de transporte coletivo servido a comunidade. Como tal, tem a obrigação de intervir na questão e não apenas para debatê-la, mas apresentando soluções urgente antes que as empresas fechem suas portas.

Como fazer isso? As saídas são várias, começando pela geração de recursos que cubram as despesas geradas pelas leis que beneficiam diferentes categorias. Outra saída é a geração de empregos, afinal são mais de 60 mil pessoas desempregadas em Mossoró que, se estivessem produzindo e ganhando um salário, certamente seriam usuários do serviço de transporte coletivo. Como uma situação provoca outra, a cidade ganharia uma frota bem maior e de melhor qualidade. Hoje Mossoró tem em torno de 40 ônibus servindo uma população de quase 300 mil habitantes, quando seriam necessários 200 carros atuando no setor.

 

 

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