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QUEM
VAI PAGAR O PACTO??
Foi só a inflação de
agosto medida pelo IGP-DI dar um espasmo de 1,31% e acumular 9,53% no
ano para ressurgirem propostas de um pacto
social para "evitar o pior"...
Quando já se julgava morta e
sepultada - tantas as vezes que foi proposta e tantas as vezes em que não
deu certo ou, simplesmente, nem saiu do papel - eis que surge do nada
a idéia de um pacto social que milagrosamente possa resolver os problemas
de um pretenso consumo fora de controle que poderia gerar uma nefasta espiral
inflacionaria no país.
E todas as vezes em que,
ciclicamente, a proposta volta à baila, lembram-se e fazem lembrar seus
defensores da bem-sucedida experiência do Pacto de Moncloa, que teve o inegável
mérito de retirar a Espanha do atoleiro econômico.
Mas é preciso,
também - e isso não fazem os defensores de um pacto brasileiro -
esclarecer que o Pacto de Moncloa foi realizado em outro contexto histórico, em
outra conjuntura econômica mundial, em outra cultura e, finalmente, num momento
de crise pelo qual não passa o Brasil. Ao contrário, todos os indicadores
apontam para a possibilidade concreta de uma retomada do crescimento
econômico. Há uma melhora do desempenho industrial; as vendas no comércio têm
apresentado crescimento, a inadimplência está caindo; a sangria desatada nos
índices de desemprego foi estancada nos últimos meses e o PIB, negativo em
2003, deve fechar o ano com crescimento de 3% a 4%.
Não há cenário para um pacto social.
Nem tampouco a necessidade dele. Por que cargas d'água, então, membros do
primeiro escalão do governo federal e diretores da CUT (influenciados pelos
primeiros) estão lançando a idéia? Novamente por conta da obsessão copiada pelo
atual governo da gestão FHC de manter a inflação sob rígido controle, não
importa a que custo socioeconômico.
Em cima deste ponto de vista
equivocado, além da elevação da taxa de juros (SELIC) para desestimular o
consumo, é que se tenta costurar e urdir o tal pacto social. E qualquer
pacto tem que ser pago por algum segmento da sociedade, na medida que prevê
congelamento de preços e salários para segurar a inflação. E por vezes renúncia fiscal dos governos municipais, estaduais e
federal que abrem mão temporariamente da arrecadação de determinados impostos.
E aí não tem mágica, a corda vai acabar arrebentado
do lado mais fraco. Trabalhadores, consumidores e contribuintes vão acabar
pagando a conta se realmente o pacto for consumado. Os empresários têm
saídas para aumentar os preços dos produtos e a margem de lucros sem descumprir
o acordo. Basta maquiar produtos - embalagens de 500g passam a ter, por
exemplo, 450 g, com o "mesmo preço" - ou relançar alguns
produtos com novos nomes. Já os assalariados não têm como descongelar seus
próprios salários. Os consumidores não têm condições de reaver aqueles
gramas e quilos subtraídos dos produtos. Nem tampouco os contribuintes têm
possibilidade de tapar os buracos do asfalto com as próprias mãos por conta dos
impostos perdoados...
Uma ótima semana para todos durma-se com um barulho desses, sem protestar,
aqueles que quiserem pagar o pato do pacto e ficar com o mico nas mãos - quinta-feira
(23 /09) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
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