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CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 

QUEM VAI PAGAR O PACTO?? 

     
Foi só a inflação de agosto medida pelo IGP-DI dar um espasmo de 1,31% e acumular 9,53% no ano para ressurgirem propostas de um pacto social para "evitar o pior"...

Quando já se julgava morta e sepultada - tantas as vezes que foi proposta e tantas as vezes em que não deu certo ou, simplesmente, nem saiu do papel - eis que surge do nada a  idéia de um pacto social que milagrosamente possa resolver os problemas de um pretenso consumo fora de controle que poderia gerar uma nefasta espiral inflacionaria no país.

E todas as vezes em que, ciclicamente, a proposta volta à baila, lembram-se e fazem lembrar seus defensores da bem-sucedida experiência do Pacto de Moncloa, que teve o inegável mérito de retirar a Espanha do atoleiro econômico.

Mas é preciso, também - e isso não fazem os defensores de um pacto brasileiro - esclarecer que o Pacto de Moncloa foi realizado em outro contexto histórico, em outra conjuntura econômica mundial, em outra cultura e, finalmente, num momento de crise pelo qual não passa o Brasil. Ao contrário, todos os indicadores apontam para a possibilidade concreta  de uma retomada do crescimento econômico. Há uma melhora do desempenho industrial; as vendas no comércio têm apresentado crescimento, a inadimplência está caindo; a sangria desatada nos índices de desemprego foi estancada nos últimos meses e o PIB, negativo em 2003, deve fechar o ano com crescimento de 3% a 4%.

Não há cenário para um pacto social. Nem tampouco a necessidade dele. Por que cargas d'água, então, membros do primeiro escalão do governo federal e diretores da CUT (influenciados pelos primeiros) estão lançando a idéia? Novamente por conta da obsessão copiada pelo atual governo da gestão FHC de manter a inflação sob rígido controle, não importa a que custo socioeconômico.

Em cima deste ponto de vista equivocado, além da elevação da taxa de juros (SELIC) para desestimular o consumo, é que se tenta costurar e urdir o tal pacto social. E qualquer pacto tem que ser pago por algum segmento da sociedade, na medida que prevê congelamento de preços e salários para segurar a inflação. E por vezes renúncia fiscal dos governos municipais, estaduais e federal que abrem mão temporariamente da arrecadação de determinados impostos.

E aí não tem mágica, a corda vai acabar arrebentado do lado mais fraco. Trabalhadores, consumidores e contribuintes vão acabar pagando a conta se realmente o pacto for consumado.  Os empresários têm saídas para aumentar os preços dos produtos e a margem de lucros sem descumprir o acordo. Basta maquiar produtos - embalagens de 500g passam a ter, por exemplo, 450 g, com o "mesmo preço" - ou relançar alguns produtos com novos nomes. Já os assalariados não têm como descongelar seus próprios  salários. Os consumidores não têm condições de reaver aqueles gramas e quilos subtraídos dos produtos. Nem tampouco os contribuintes têm possibilidade de tapar os buracos do asfalto com as próprias mãos por conta dos impostos perdoados...

Uma ótima semana para todos durma-se com um barulho desses, sem protestar, aqueles que quiserem pagar o pato do pacto e ficar com o mico nas mãos - quinta-feira (23 /09) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

   

CLÁUDIO MONTEIRO EMAIL:claudiomonteiro@brasilja.com.br

É jornalista profissional tendo curso de extensão em Economia pela Universidade de Brasília (UNb); editor do site NATAL JÁ! BRASIL JÁ! (www.brasilja.com.br) e comentarista econômico da TV Natal (canal 10 da tv a cabo).

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