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Jovem lobo-do-mar

Por André Bernardo TV Press

O ator Marcos Palmeira sempre se destacou pelo jeitão "cool". De fala mansa e ar tranqüilo, este carioca de 37 anos nem parece ser artista da Globo. Nos últimos dias, Marcos tem procurado disfarçar o mal-estar provocado pelo rompimento com a atriz Ana Paula Arósio. Para superar o fim de uma relação que durou um ano e cinco meses, o ator mergulhou de cabeça no trabalho.

Em "Porto dos Milagres", Marcos interpreta Guma, um rude pescador que vive uma paixão adolescente por Lívia, personagem de Flávia Alessandra. "Para interpretá-lo, estou resgatando sentimentos juvenis, como pureza e ingenuidade. Já faz tempo que passei por isso e esse resgate está sendo muito interessante", avalia.

Marcos Palmeira se destacou  pelo geitão "cool".Além de compor o perfil psicológico do personagem, Marcos Palmeira aproveitou os 20 dias em que passou na Ilha de Comandatuba, na Bahia, para se inteirar do dia-a-dia dos pescadores da região. Lá, chegou a se arriscar algumas vezes em alto-mar em companhia de velhos pescadores. Paralelamente ao aprendizado da pescaria, Marcos teve o cuidado de pesquisar sobre religiões afro-brasileiras, como umbanda e candomblé.

A primeira providência, inclusive, foi fazer oferendas a Iemanjá, madrinha de Guma em "Mar Morto", um dos romances de Jorge Amado que deu origem à novela. "Estou tratando do assunto com o maior respeito. Afinal de contas, não sei onde estou mexendo", ressalva. Confiante na proteção dos orixás, Marcos não vai se contentar apenas em fazer "Porto dos Milagres".

Em março, ele volta a excursionar com a peça "O Diário Secreto de Adão e Eva", adaptado por Antônio Abujamra do original de Mark Twain, em que contracena justamente com Ana Paula Arósio. Ainda no primeiro semestre, começa a filmar "O Homem do Ano", dirigido por José Henrique Fonseca a partir do livro "O Matador", de Patrícia Mello, no qual interpreta um matador de aluguel. Embora seja um sujeito extremamente contemplativo, Marcos está longe de se considerar preguiçoso ou acomodado. "Este ano vai ser pauleira, mas estou animado. Nunca fui de correr do pau", garante.

P - Como você se sente ao interpretar pela primeira vez um personagem típico do universo de Jorge Amado?
R -
Quando recebi o convite, topei na hora. Sempre quis trabalhar numa novela adaptada da obra de Jorge Amado. Principalmente porque eu já tinha lido "Mar Morto" - um dos livros que deu origem à novela - e achei a história linda. É daquelas histórias de que você não ouve mais falar nos dias de hoje. A novela tem tudo para dar certo. O elenco está empenhado em fazer o melhor possível. Ninguém quer que "Porto dos Milagres" seja apenas mais uma novela. Só espero que o público embarque nessa...

P - A responsabilidade de substituir "Laços de Família", que registrou uma média de 54 pontos na última semana, chegou a assustar?
R -
Este é o tipo de responsabilidade que procuro não carregar nas costas. Pessoalmente, não me preocupo com os números do Ibope. Sempre tento fazer o melhor possível, independentemente do horário da novela ou da média de audiência. Já imaginou se eu tiver de me esforçar mais ou menos para determinada novela dar isto ou aquilo de audiência? Eu ficaria maluco... A única coisa que espero é que "Porto dos Milagres" faça tanto ou mais sucesso que "Laços de Família". Mas você nunca sabe o que vai acontecer e como o público vai reagir...

P - Pode-se dizer que o elenco de "Porto dos Milagres" é um dos trunfos para manter a audiência de "Laços de Família"?
R
- Sinceramente, acho que sim. O que observei nestes primeiros dias de gravação é que todos estão trabalhando com muito afinco e dedicação. Não há ninguém trabalhando com os pés nas costas. Não há ninguém interessado apenas em defender o emprego. Todos estão interessados em fazer um trabalho de alta qualidade técnica e artística. Isso motiva a todos. Novela é um processo longo, difícil, cansativo. Para dar certo, todos - atores, autores e diretores - têm de se esforçar coletivamente. Caso contrário, não tem jeito. Neste caso, posso garantir que começamos com o pé direito.

P - Quando você leu o livro, o que mais chamou a sua atenção no personagem?
R -
O Guma tem uma relação muito forte com Iemanjá. Tudo o que ele pede, acontece. Ele chega a ter uma imagem de Iemanjá tatuada no braço. O livro me abriu um universo completamente novo. Acho o candomblé muito interessante e estou ansioso por saber como isso vai repercutir na mídia. É complicado mexer com a religião dos outros. Por isso mesmo, estamos tratando o assunto com o maior respeito. Comecei a usar guias e já joguei umas flores para Iemanjá. Estou procurando respeitar tudo o que faço para que não tenha problemas. Ainda não sei direito onde estou mexendo...

P - Você chegou a fazer algum tipo de pesquisa sobre umbanda e candomblé?
R -
Fiz. Como não tenho uma religião específica, costumo dizer que estou aberto para coisas positivas. Mas, de todas as religiões que conheço, o espiritismo é a que eu mais gosto. E a religião com que mais me identifico também. Já vivi os dois lados da fé. Já pedi muito e nada aconteceu. Como também já pedi muito e meus pedidos foram todos atendidos. Acredito no relacionamento entre as pessoas, no pensamento positivo e na força da natureza. O importante é ter fé. E respeito por todas as religiões.

P - À primeira vista, o Guma faz lembrar o jeito rude de personagens como o Tadeu, de "Pantanal", e o João Pedro, de "Renascer". Você tomou algum cuidado para não se repetir?
R -
Sinceramente, não. Sempre acho que modifico uma coisa a cada novo trabalho. O Guma, por exemplo, é o personagem mais difícil que já fiz até hoje. A realidade do Guma é completamente diferente da minha. Eu o considero um guerreiro que luta por melhores condições de vida para os moradores daquela comunidade. Não que eu não seja um sujeito engajado. Pelo contrário. Gosto de estar sempre participando de alguma coisa. De certa forma, também sofro pela injustiça social. A diferença é que o Guma leva isso adiante. Ele é do tipo que vai à luta.

P - Qual foi a maior preocupação na hora de compor o Guma?
R -
A minha maior preocupação foi emagrecer. Perdi alguns quilos, mas não sei ao certo quantos foram. Quando reli o livro, achei que o Guma era bem mais jovem e leve que eu. Naturalmente, gosto de nadar, correr, jogar bola... Mantive minha rotina normal e resolvi adotar uma alimentação mais saudável. Não adianta malhar o corpo se você não se alimenta bem. De uns tempos para cá, passei a comer muita fruta, salada e peixe. Aliás, nunca comi tanto peixe quanto agora...

P - Você já aprendeu a pescar?
R -
Quando viajei para Comandatuba, passei uns dias numa colônia de pescadores. Ainda não aprendi a pescar, mas até que dá para enganar direitinho. Mas pesca é uma coisa muito demorada. Requer paciência. Você tem de ter "saco de leão" para pescar alguma coisa. E eles parecem ter todo o tempo do mundo. Além disso, eles também não param de conversar. É prosa que não acaba mais. Sabe aquela história de que baiano é preguiçoso? Pois é. Pescador é um bicho muito contemplativo. Parece preguiça, mas não é. É contemplação mesmo...

P - Como foi a experiência de gravar 20 dias na Ilha de Comandatuba, no litoral baiano?
R -
Maravilhosa. Por mim, não sairia mais de lá. Para gravar, não tem nem comparação. Eles construíram uma cidade cenográfica em Comandatuba que não tem mais tamanho. E, como precisamos do mar para gravar, voltaremos para lá a cada 45 dias. Gostei de fazer "Torre de Babel" e "Andando nas Nuvens". No entanto, nada se compara à sensação de liberdade que a natureza proporciona. As novelas que têm muitas externas agradam mais ao público. A experiência é mais prazerosa para todo mundo. Para quem faz e para quem assiste.

P - Você é considerado um dos atores mais bonitos de sua geração. Como você lida com o rótulo de galã?
R -
Sempre disse que os personagens são mais interessantes que os atores que os interpretam. O sucesso do Guma está acima do sucesso do Marcos Palmeira. Não me acho bonito nem vejo como galã. Aliás, não tenho a menor pretensão de ser classificado de galã. Sou apenas um ator defendendo o seu trabalho. A minha preocupação com estética é zero. Não me preocupo em saber se estou feio ou bonito. Só me preocupo em saber se estou fazendo bem o meu trabalho. Mesmo assim, fico envaidecido. Às vezes, faz bem para o ego saber que interesso às pessoas de alguma forma.

P - Você ainda é muito assediado pelo público?
R -
Faço questão de levar uma vida absolutamente normal. Não me escondo de nada nem de ninguém por ser quem sou. Sou uma pessoa simples. Gosto de dançar forró, tomar uma cerveja, jogar uma pelada ou ir ao Maracanã para assistir a um jogo do Vasco. Levo a sério o que faço. Mas também levo a sério uma vida simples. Gosto quando as pessoas me pedem autógrafo ou conversam comigo nas ruas. Se você vestir a carapuça do sucesso, o ego vai crescer a ponto de não deixá-lo em paz. Isso é perigoso e, infelizmente, muito comum na tevê.

Entre dois mundos

A imagem do ator Marcos Palmeira sempre esteve associada a personagens rurais. Ele até que fez alguns tipos urbanos em novelas como "Mandala" e "Vale Tudo", ambas da Globo, mas foi em "Pantanal", da extinta Manchete, que o ator ganhou projeção nacional. Na trama de Benedito Ruy Barbosa, Marcos Palmeira deu vida ao ingênuo Tadeu. De lá para cá, o ator tornou-se referência quase obrigatória para personagens rústicos, como o João Pedro, de "Renascer" e o João Coragem, do "remake" de "Irmãos Coragem". "Nunca me preocupei em ficar estigmatizado disto ou daquilo. Não é o personagem que me preocupa e sim a história que ele tem para contar", ressalta. Por via das dúvidas, Marcos recusou o convite do diretor Carlos Manga para interpretar o igualmente rústico Duarte na minissérie "Memorial de Maria Moura". Em vez disso, o ator preferiu interpretar o sofisticado Cirino. Duarte acabou indo parar nas mãos de Chico Diaz. Coincidência ou não, os papéis rurais começaram a rarear na carreira de Marcos Palmeira.

Depois de "Irmãos Coragem", ele só fez tipos urbanos, como o advogado Alexandre Toledo, de "Torre de Babel", e o jornalista Chico Mota, de "Andando nas Nuvens". "Não recusei o papel do Duarte por ser mais um caboclo. Mas por achar que ele não acrescentaria nada à minha carreira", justifica. Independentemente de fazer tipos urbanos ou rurais, Marcos não abre mão do tão propalado "laboratório".

Na época do "remake" de "Irmãos Coragem", de Janete Clair, ele passou uma semana num garimpo em Diamantina, em Minas Gerais, onde aprendeu a garimpar, identificar as pedras e lapidar diamantes. Para fazer "Torre de Babel", de Sílvio de Abreu, tentou se familiarizar com o universo dos advogados. Por conta disso, freqüentou escritórios de advocacia e assistiu até a sessões no Fórum do Rio. "A Fernanda Montenegro costuma dizer que não é preciso conhecer uma prostituta para interpretar uma. Queria poder acreditar nisso...", suspira.

Paixão de nascença

Marcos Palmeira cresceu vendo Glauber Rocha ditar os rumos do Cinema Novo.

O célebre diretor de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe" foi sócio durante nove anos do pai do ator, o também diretor e produtor Zelito Viana, na produtora Mapa Filmes. Com apenas sete anos, Marcos estreou no longa "Copacabana Mon Amour", de Rogério Sganzerla. Na verdade, Marcos convive com a sétima arte desde pequeno. O apartamento em que morava em Copacabana, na Zona Sul do Rio, serviu de "set" de filmagens para algumas das produções do pai. "Não consigo disfarçar meu amor pelo cinema. Até porque ele faz parte da minha vida desde criancinha", brinca.

De fato, Marcos Palmeira já fez de tudo um pouco no cinema. Foi assistente de direção, assistente de montagem e técnico de som, entre outras funções. Como ator, Marcos Palmeira começou a despontar em "Dedé Mamata", de Rodolfo Brandão. No filme, ele interpretou o melhor amigo do protagonista Dedé Mamata, vivido por Guilherme Fontes, filho de um militante político desaparecido na época da ditadura militar. Não por acaso, acabou levando o Kikito de coadjuvante pelo papel no Festival de Cinema de Gramado de 1988. "Aquele prêmio foi um divisor de águas na minha carreira. Foi ali que comecei a amadurecer profissionalmente", avalia.

De lá para cá, Marcos se consolidou não apenas como um dos mais requisitados do cinema brasileiro, como um dos mais versáteis também. Entre tantos papéis, destaca o "cowboy" Edgar, de "Buena Sorte", de Tânia Lamarca, e o efeminado Julinho, de "Como Ser Solteiro no Rio de Janeiro", de Rosane Svartman. Dos trabalhos prediletos do ator, ele não hesita em apontar o protagonista de "Villa Lobos - Uma Vida de Paixão", de Zelito Viana.

No filme, Marcos faz o maestro quando jovem e Antônio Fagundes o interpreta na fase adulta. "Eu e o Fagundes nos damos muito bem. É o tipo de parceria que deu certo dentro e fora dos 'sets'", derrama-se.


 


 

 
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