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Quem
tem medo de CPI
Uma Comissão
Parlamentar de Inquério é um mecanismo que
apavora os executivos, desde o prefeito
até o presidente da República. Costuma-se
dizer que toda ela sabe por onde começa,
mas ninguém sabe como termina. Por isso
mesmo o governo Lula vem conduzindo cautelosamente
o assunto da CPI para apurar o grampeamento
dos telefones de lideranças políticas da
Bahia. O assunto pode muito bem ser investigado
pela Polícia Federal, uma vez que envolve
deputados e senadores. Acontece que uma
CPI pode promover políticos que dela
participam. Por isso mesmo, a insistência
para composição de inúmeras CPIs no Congresso
Nacional.
No Rio
Grande do Norte, falou-se em CPI para apurar
irregularidades no Programa do Leite. Representantes
do atual governo disseram que havia desvio
de grande quantidade do leite que deveria
ser distribuído às crianças. Então, por
qual motivo o fato ainda não está sendo
apurado. Caberia uma CPI específica para
o possível desvio do leite? É possível que
sim. Entretanto,mesmo sendo um programa
do governo anterior, a instalação de uma
CPI pode invadir outras áreas, menos conhecidas,
e atingir o próprio governo, mesmo que ainda
em fase inicial.
Grampeamento
de telefone não parece ser a primeira vez
que ocorre no país. Até mesmo em cidades
menores, onde funciona o posto telefônico,
o usuário pode ser vítima de escuta. Imagine
com a tecnologia atual, a quantidade de
pessoas tendo suas conversas escutadas,
sem ao menos imaginar o que está acontecendo.
Pelo jeito,
não haverá CPI para apurar os grampos
telefônicos e, muito menos, para investigar
o anunciado desvido no Programa do Leite.
Nos dois casos, o que os dirigentes desejam
é uma apuração competente, que possa identificar
os culpados, sem comprometer o andamento
dos projetos governamentais. Lula, fala
na necessidade de aprovar as reformas, já
defendidas por FHC. No Estado, é preciso
calma para a administração poder caminhar
bem. Fora com as CPIs.
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