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Malandragem prevalece

A certeza da impunidade no nosso país faz com que os transgressores da lei, até das mais simples e menos exigentes, surjam e ressurjam sempre por cima dos fatos e acontecimentos desabonadores que já praticaram. Vamos a alguns exemplos: o senador Antônio Carlos Magalhães, o hoje deputado federal José Roberto Arruda, o ex-senador Jáder Barbalho agora também deputado federal e, pasmem, até alguns dos chamados “anões do orçamento” estão de volta à cena política brasileira com a cara mais deslavada do mundo e como se nada tivesse ocorrido ou nada do que fizeram os tornasse inelegíveis e escorraçados de uma vez por todas da vida pública.

Então, é a certeza da impunidade, um estigma terrível que prevalece no Brasil, que está em voga. Acusado de tentar levar vantagem em tudo por tudo, isso faz com que todos os brasileiros terminem acreditando que o crime compensa, tantos são os criminosos impunes, quando não, acintosamente premiados.

Os já citados por nós renunciaram aos seus mandatos para não serem cassados, mas usaram isso como artimanha, pois evitaram que os seus direitos políticos fossem cassados, evitaram a perda dos direitos políticos, mas já retornaram por cima da carne seca, como se diz popularmente.

Isso para não citar o caso do senador Antônio Carlos Magalhães que, nem bem assumiu depois de uma renúncia espalhafatosa, já está metido em novo escândalo e quem sabe vai usar da mesma malandragem da renúncia permitida por lei para eleger-se, novamente, na legislatura seguinte. E é bom que se diga que se conseguir vai desmoralizar, de uma vez por todas, o Congresso Nacional.

Com esse tipo de coisa acontecendo e se sucedendo a “escola” continua funcionando em Brasília e isso é muito ruim para a vida pública brasileira, pois depõe contra os próprios políticos. Imaginem que agora surgiu o caso do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que pego com a mão na massa e certo da cassação, vai renunciar ao seu mandato junto com o vice forçando uma nova eleição em 90 dias e ele vai ser candidato de novo.

Francamente, o eleitorado brasileiro ainda tem muito o que aprender diante de tanta desfaçatez que é cometida contra ele próprio.

 

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Mossoró-RN, terça-feira, 18 de março de 2003