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Comparações
de governo
As primeiras
comparações que surgem, em relação ao governo
Lula da Silva estão incomodando a cúpula
do poder. O presidente, fazendo discursos
por demais demorados, está sendo chamado
de Fidel Castro, conhecido por suas falas
quilométricas. José Dirceu, responsável
pelas respostas antipáticas, é o cara mau,
enquanto Lula, com o seu carisma, continua
sendo o cara bom. Entretanto, o que mais
incomoda o governo é a imagem de Antônio
Palocci mostrada como sendo a cópia fiel
do ex-ministro Pedro Malan. Nas conversas
internas, o ministro vem sendo chamado de
Palan.
Os radicais
do partido dos trabalhadores são os responsáveis
por esses apelidos. No encontro de domingo,
foram enquadrados pela direção que avisou
que quem não estivesse satisfeito com a
administração de Lula saíssem do partido.
O deputado João Paulo, presidente da Câmara
dos Deputados, considerou maldade o que
estão fazendo com Palocci, pois não se pode
comparar setenta e oito dias de administração
com os oito anos do ministro anterior. Infelizmente,
para o PT, a analogia tem procedência pois
o Palocci de hoje é o Malan de ontem. Mais
adiante, conseguindo mudar o rumo da política
econômica, essa semelhança então poderá
ser desfeita. Para se ter a idéia, a equipe
do Banco Central está mantida em mais de
90% dos cargos.
Quando
presidente, FHC precisou do PSDB para governar.
O presidente Lula precisa do PT para dar
certo. A administração FHC foi sustentada
pela base aliada composta do PSDB, PFL e
PMDB. O presidente Lula da Silva tem o apoio
de um grande partido, o PT, a coligação
de inúmeros pequenos partidos e precisa
do PMDB para garantir a aprovação do seu
projeto de governo. Os partidos que se aliaram
para eleger Lula reclamam que, até o momento,
as indicações ficaram quase que exclusivamente
ligadas ao partido presidente. Os aliados
não conseguiram nada. O ex-deputado Vivaldo
Barbosa(PDT/RJ), por exemplo, foi importante
para que o seu partido apoiasse Lula.
Hoje, reassumiu
a cadeira de professor em escola do 2º grau,
no Rio de Janeiro.
Lula cai
nas pesquisas, embora isso ainda não seja
motivo de preocupação, pelos altos índices
de popularidade que conquistou. Mesmo assim,
o imobilismo governamental poderá derrubar
mais ainda o presidente, que cobra mais
ação dos seus ministros. Diferentemente
do seu antecessor, conversa com os ministros,
faz recomendações, puxa orelhas e tudo o
mais. FHC divertia-se com certas dificuldades
enfrentadas pelos seus ministros. O importante
é que os índices de aprovação sejam mantidos
por mais tempo, pois a queda sempre é mais
rápida que a recuperação da popularidade
de um governante. Depois disso tudo, é torcer
para que o governo dê certo, torcendo para
que a comparação, no final, seja positiva
ao atual governo.
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