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CHAP–CHAP: o reduto da arte

Por MARCOS FERREIRA

Interior do Chap-Chap; prédio ainda passa por reformasUm trabalho de artesão. Foi assim que o poeta, artista plástico e publicitário Rogério Dias definiu a mão-de-obra que vem tendo para reconstituir o perfil arquitetônico e decorativo do barzinho e espaço cultural Chap-Chap, que nos anos 80 foi coroado como o principal ponto de encontro de artistas, escritores, poetas, atores, políticos e intelectuais da Mossoró de há quase vinte anos.

O espaço será reaberto oficialmente às 19 horas do próximo dia 26, uma quarta-feira, dentro de um clima de saudosismo e arte. Na última sexta-feira, quando das comemorações em torno do Dia Nacional da Poesia, embora que de maneira informal, o Chap-Chap abriu suas portas para receber a comitiva dos poetas e escritores da cidade, que ocuparam o local para celebrar a data.

Segundo Rogério Dias, a expectativa era a de reinaugurar o barzinho justamente até o 14 de março, inserindo na sua programação a data magna da poesia. “Assim mesmo, embora com as coisas meio que pela metade, pudemos sentir que ainda existe a força da tradição entre estas paredes e sob este teto de muitas histórias agradáveis”, avalia Rogério, que se esmera na decoração do local.

Entre as peças e imagens que decoram o espaço, está meia dúzia de grandes painéis onde Rogério Dias apresenta sua mais recente produção nas artes plásticas. Outro que apresentará sua arte no Chap-Chap é o entalhador, artesão e escultor mossoroense conhecido por Escravo, que trouxe algumas de suas peças para comercializar e contribuir com a imagem artística do ambiente.  

Aberto pela primeira vez no ano de 1984, o espaço funcionava de terça a domingo, abrindo das cinco da tarde e permanecendo aberto até o último boêmio pedir a conta. Além de Rogério Dias, estavam no comando do ambiente as amigas Marilene, Célia e Marlene, que fizeram a tradição e o clima da noite mossoroense. Sob a batuta desse trio, o Chap-Chap funcionou até o ano de 1986.  

HOMENAGEM – Para prestar uma singela homenagem à memória do renomado escritor brasileiro Graciliano Ramos, que no último dia 20 o País todo reverenciou a passagem dos cinqüenta anos de sua morte, o Chap-Chap exporá um mural com dados sobre a vida e a obra desse alagoano nascido aos 27 de outubro de 1892 no pequeno município de Quebrangulo, agreste de Alagoas.     

Artistas estreantes e de renome nacional passaram pelo Chap-Chap

Além do variado cardápio de bebidas e comidas regionais, o Chap-Chap notabilizou-se ainda como um dos primeiros espaços para a música popular brasileira (MPB), onde muitos dos artistas da cidade se revelaram para a carreira de cantor. Além destes, passaram também pela noite do Chap-Chap nomes ilustre do meio artístico como Vital Farias, Bráulio Tavares e  Paulinho Tapajós.

Muitos desses nomes chegavam ao local trazidos apenas boa informação do ambiente. O próprio Vital Farias, que já declarara que não fazia apresentação em bar nenhum, reavaliou a sua postura e apresentou-se, espontaneamente, numa noite qualquer dos anos oitenta. Rogério Dias narrou para a reportagem de O Mossoroense como se deu o seu encontro com o músico e compositor Vital:

“Era uma resolução dele não apresentar-se em barzinho nenhum, tanto que recusou nossa proposta para cantar no Chap-Chap. Mas outro dia, passando por Mossoró, Vital Farias conheceu o nosso reduto e se encantou pelo lugar. Tínhamos um violão próprio e ele resolveu tocar e cantar para o público daquela noite”, conta Rogério, que depois tornou-se amigo íntimo do paraibano.  

LANÇAMENTO – Já buscando reaver a sua história de lançamentos literários, o Chap-Chap anuncia para o dia seguinte à sua reabertura (a quinta-feira, 27), o lançamento de Outonos, primeiro livro de poemas da jovem poetisa mossoroense Kalliane Sibelli de Amorim. A obra vem a público com prefácio do escritor e poeta Mário Gerson de Oliveira e selo editorial da Coleção Mossoroense.  

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Mossoró-RN, domingo, 16 de março de 2003