MAGNÓLIA ROCHA
 


No final de semana passado, ao me dirigir mais uma vez à locadora, observei que o número de lançamentos é enorme, mas a proporção não é a mesma quanto a bons filmes. Muitas vezes ficamos indecisos diante da variedade, o que acaba acarretando péssimas escolhas ou outras não tão ruins. Por isso pensei em selecionar alguns lançamentos para discutirmos as suas qualidades e méritos, para cinéfilos que como eu não passam um final de semana sem conferir as novidades que aportam nas locadoras de nossa cidade.  

Para começar nada como um bom filme de ação, A Identidade Bourne, dirigido por Doug Liman, preenche os requisitos do gênero, além de ter o clima e charme do cinema europeu, que eu amo, o filme bem movimentado e interessante, principalmente porque ele não faz apologia à nação norte-americana. Matt Damon, bonitinho, funciona bem como o personagem, um espião que é encontrado semimorto no mar perto de Marselha. Sofrendo de amnésia, ele vai para a Suíça tentando descobrir quem é, enquanto uma agência de espionagem, busca a todo custo eliminá-lo, utilizando para isso mercenários que como ele não existem oficialmente para o mundo. Com o auxílio de uma garota, a alemã Franka Potente, que o acompanha na fuga até Paris, ele busca montar o quebra-cabeça que se tornou a sua vida. Em matéria de espionagem é muito melhor do que os 007 da vida.  

No quesito drama, uma boa opção é Estrada Para Perdição, estrelado pelo sempre competente e talentoso Tom Hanks. Diferente dos seus outros filmes, ele aqui não é um herói certinho, mas um assassino a serviço da máfia americana em meados dos anos 30. Seu patrão, interpretado por Paul Newman, é o chefão da cidade e quem o criou desde criança. Casado e com dois filhos, Sullivan é eternamente grato ao “pai” seguindo as suas ordens sem questionamentos. Contudo, tudo muda quando o seu filho mais velho testemunha um assassinato, nesse momento ele percebe que sua vida e de toda a sua família jamais será a mesma. O filme é uma obra-prima de fotografia, direção e interpretação, peca apenas na longa duração, o que prejudicou um pouco a agilidade do filme, mesmo assim, vale a pena ser apreciado.   

Na linha ficção e suspense temos Sinais, dirigido por M. Night Shyamalan, de O Sexto Sentido, e encabeçado por Mel Gibson na  maior bilheteria de sua carreira. Interpretando um ex-ministro que abandonou a batina e a fé depois da trágica morte da mulher, ele mora em uma fazenda com seus dois filhos, em excelente interpretação, e seu irmão, interpretado pelo Joaquin Fênix. Num certo dia, círculos misteriosos aparecem formados em sua fazenda. De início, imagina-se tratar de vizinhos arruaceiros, depois de espertalhões querendo aparecer. Só como última alternativa surge a possibilidade mais fantástica e improvável: extraterrestres. O filme impressiona mais pelo que sugere do que pelo que mostra. Somente no final é que percebemos realmente o sentido que o diretor quis dar ao filme. Confesso que eu esperava mais, pois as relações que ele estabelece e busca destacar, a meu ver não tem muito sentido, deixando para o final a solução desse impasse. Mesmo diante desse enigma, o filme vale pela mensagem.

Para finalizar, destacamos uma das piores adaptações e regravações já feitas atualmente: A Máquina do Tempo. Esperava-se que essa versão, aliada a efeitos especiais, iria materializar o futuro que, até então, só existia na imaginação de quem lia os livros do H. G. Wells. Por isso, e por ser Simon Wells, descendente do escritor, na direção, esperava-se que o filme fosse além de diversão juvenil, típico sessão da tarde. Infelizmente, o filme é um horror, confuso e superficial, aboliu as metáforas sobre lutas de classe, sociedade e mundo contemporâneo, alimentadas pela visão um tanto pessimista do escritor. A história gira em torno de um cientista e sua tragédia pessoal; a morte de seu grande amor. Por conta disso, ele inventa uma máquina capaz de mudar a historia. Porém, ele percebe que o destino não é tão fácil de ser ludibriado, por isso viaja no tempo, certo que os males do passado estão no futuro? Daí em diante o filme desanda em um samba-de-crioulo-doido e que traz para completar um Jeremy Irons em uma de suas piores interpretações, sob uma maquiagem deprimente e bizarra. Enfim, um total desperdício de tempo e dinheiro. Próxima semana estaremos aqui destacando outros filmes e para isso esperamos contar com a sua colaboração. leitor, não deixe de enviar a sua sugestão para o nosso e-mail. Até mais.
      

MAGNÓLIA ROCHA
EMAIL: m.meg@uol.com.br

31, é assistente social, mestranda em Serviço Soceial e professora da Faculdade do Vale do Jaguaribe (FVJ)
 

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Mossoró-RN, sábado, 12 de abril de 2003