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"A memória da
sociedade"
O jornalista Pierre
Lazareff, diretor do France-Soir, disse certa vez que, "antigamente,
quando algo acontecia, todos iam para a rua comprar jornais e saber o que
houve. Hoje, quando algo ocorre, todos vão para dentro de casa ligar a
TV."
É a questão da
velocidade, também abordada por Nelson Rodrigues: "Só sai jornal da
véspera e nunca do próprio dia. São fatos da véspera, figuras da
véspera, a morte da véspera, a batalha da véspera. O fato do dia não
existe, ou só existe para o rádio e para as TVs".
Os veículos impressos
são lentos diante da informação levada ao ar no rádio, na TV ou na
internet, mas essa suposta desvantagem não diminui em nada a importância
e a força da imprensa, principalmente quando se trata do aprofundamento
das notícias.
Partindo do princípio de
que o homem moderno não perde tempo com detalhes, os meios eletrônicos
acabam dando à informação um caráter superficial, diferente do
jornalismo impresso, onde os assuntos podem ser abordados de maneira
profunda, sem, contudo, perder a objetividade.
A análise de Alberto
Dines, sobre esse aspecto, é certeira: "Depois de se enfurnar em
casa para ver no vídeo os acontecimentos no mundo, o homem de hoje, no
dia seguinte, volta à rua para comprar o seu jornal e, assim, entender e
aprofundar-se naquilo que viu, no pequeno écran."
Pode parecer
preconceituoso dizer que a importância dos veículos impressos, apesar da
menor penetração junto ao grande público – afinal vivemos num país
de analfabetos –, é superior à do rádio, TV e internet no processo da
comunicação de massa, porém essa é a realidade.
O jornalismo impresso,
além da possibilidade de aprofundamento nos assuntos, tem outras
vantagens, das quais se destacam a influência e o caráter duradouro,
salientando que não se pretende com isto desconhecer ou minimizar a
importância dos outros meios.
A notícia oral ou
virtualizada nunca terá a força da palavra posta no papel. O jornalismo
impresso pode até trazer, na concepção rodriguiana, fatos da véspera,
mas é o velho jornal de papel que possui maior poder de convencimento
junto às camadas formadoras de opinião.
No contexto da mídia, o
poder da informação impressa é tão superior que os demais setores
acabam se norteando por ela. Nenhum pauteiro de TV ou de rádio inicia o
trabalho sem antes saber as "notícias do dia" trazidas pelo
jornal impresso.
A durabilidade da
notícia no meio impresso também é maior. Os meios eletrônicos possuem
arquivos e hoje já existem museus dedicados ao som e à imagem. O jornal,
no entanto, pode ser guardado com facilidade por qualquer pessoa, pode ser
lido e relido no instante oportuno.
A TV, o rádio e a internet provocaram
mudanças de estrutura e de conteúdo no jornalismo impresso, mas ele
sobreviveu às transformações e mantém seu status. Não é à toa que,
recorrendo novamente aos apontamentos de Alberto Dines, o jornal é
considerado "a memória da sociedade".
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