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Pão, circo e fantasia

Nenhum outro órgão da imprensa regional tem sido maior estimulador das atividades culturais do que o nosso O Mossoroense. E tem sido assim o seu diapasão, independente de qualquer coloração partidária, venha de onde vier toda e qualquer programação nesse aspecto. Mas, convenhamos que, no seu projeto de "pão, carnaval e fantasia para o povo", a prefeitura de Mossoró está exagerando na dose.

Cálculos mais pessimistas estimam que neste ano com as encenações teatrais de 13 de junho próximo, de 30 de setembro, dentre outras, os gastos da municipalidade não ficarão abaixo de 2 milhões de reais. Convenhamos que é um quantitativo muito elevado em detrimento de outras prioridades que bem poderiam estar listadas para execução, e não estão.

Reafirmamos não ser do nosso feitio nos posicionarmos em contrário a que nomes como Amir Haddad, Antônio Abujamra, dentre outros da constelação artística nacional, venham até aqui e coloquem a sua arte e os seus dotes e conhecimentos à disposição da nossa população. Só entendemos que isso tudo, numa conjuntura como a que vivemos atualmente, a administração municipal atual está desvirtuando por completo a sua finalidade.

Nesse terceiro período de gestão, a senhora Rosalba Ciarlini tem se revelado uma adepta incondicional de festas, desviando completamente a sua rota. O que se poderia fazer para amenizar a situação de pobreza, de dificuldades, de desemprego, de outras carências da nossa população mossoroense menos assistida, utilizando-se desses mais de 2 milhões de reais? Certamente que muita coisa se poderia fazer.

Mesmo entendendo que as efemérides mossoroenses têm que ser assinaladas a cada ano, e para tal temos sido permanentes incentivadores disto, no entanto, também é do nosso entendimento que uma administração pública tem que eleger suas prioridades vendo antes de mais nada o seu próprio povo. E nós temos a mais absoluta convicção de que a população não está nessa. Entre o pão e o circo para o povo, com certeza, os mossoroenses desejam, acima de tudo, o bem-estar, a justiça, o emprego, melhores padrões de vida, aspectos que estão totalmente esquecidos com tanta promoção festiva que, no frigir dos ovos, só serve a uma única finalidade: tentar realçar o nome da prefeita e dos seus seguidores. Não há outra explicação.