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ATUALIZAÇÃO ÀS QUARTAS

 

Loja Maçônica "24 de Junho"

Se é verdade, como dizia Cícero, que "a história é a testemunha do tempo, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida e a mensageira da antigüidade", não podemos deixar de lembrar fatos que marcaram a nossa história, para que não percamos a nossa identidade. E alguns fatos históricos estão associados a algumas instituições, como é o caso do episódio da libertação dos nossos escravos em 30 de setembro de 1883, episódio esse que é comemorado até os dias atuais, cuja semente brotou no seio da Loja Maçônica "24 de Junho". Vejamos, pois, um pouco da história dessa instituição: a criação da Loja Maçônica "24 de Junho" resultou do trabalho dos maçons oriundos das Lojas de Natal e Recife, residente nesta cidade, em 24 de junho de 1873. O trabalho silencioso dos obreiros natalenses alcançava Mossoró, onde haviam maçons e com eles estabelecia entendimentos. A exemplo de suas congêneres, tinha fins humanitários, com uma filosofia que se fundamentava no princípio da defesa da liberdade e de livre manifestação de pensamento. Esta instituição transformou-se, logo cedo, num ativo centro de reuniões dos pedreiros-livres da cidade, um grupo de homens independentes e idealistas que combatiam a intolerância e o obscurantismo.

Por suas origens, era filiada aos altos poderes maçônicos do país, no caso, O Grande Oriente do Brasil, a que devia obediência. Dessa forma, a Loja de Mossoró nascia com uma tradição de que eram portadores certos grupos de livres pensadores, que tinham trânsito livre no comércio e em outros setores da vida da cidade. Nas publicações que apareciam no hoje mais que centenário jornal O Mossoroense, as opiniões do seu diretor, Jeremias da Rocha Nogueira, deixavam transparecer, claramente, suas tendências para o "espírito" da Maçonaria, com revelações que identificavam seus pontos de vista doutrinários. Aliás, no seu próprio frontispício anunciava ser um jornal "semanário, político, comercial, noticioso e anti-jesuítico".

Foi seu Venerável, aclamado, o comerciante José Paulino de Castro Medeiros, ficando sua primeira diretoria formada pelos demais obreiros: Conrado Mayer (suíço), 1º vigilante, Orlando Alves de Paiva, 2º vigilante, José Inácio Pereira do Lago, Orador, Abel Alegeu Dantas, secretário, Joaquim Fernandes Dias, tesoureiro e João Severiano de Souza, Mestre de Cerimônia.

No dia 24 de junho de 1880 foi inaugurado o seu prédio, em sessão magna presidida pelo então Venerável Frederico Antônio de Carvalho, já que inicialmente tinha sido instalada num sobrado velho, onde depois de remodelado, seria o escritório comercial da firma M.F. do Monte & Cia., da qual era sócio comanditário Miguel Faustino do Monte, "um comerciante empreendedor cujo capital sempre esteve ao serviço do desenvolvimento da cidade", conforme nos informa o historiador Raimundo Nonato. Em todo trabalho de construção do prédio da Loja, foi despendida a importância de quatro contos e seiscentos mil réis (4.600$000). A Loja despendeu um conto e seiscentos mil réis (1.600$000), sendo o restante arrecadado por ações de diz mil réis (10.000$000) distribuídos entre os sócios do Oriente.

Na época da fundação da Loja Maçônica "24 de Junho", a Maçonaria era uma instituição considerada inimiga da Igreja, e daí a repulsa de parte dos católicos e dos párocos que sempre se manifestaram em combate irreconciliável à instituição. E o fanatismo de alguns era tanto, que chegava a atingir as raias do absurdo, de tal modo, que um morador das vizinhanças da Loja, ficou uma noite inteira de tocaia, de bacamarte em punho, esperando que o imaginário bode preto saísse do prédio, para ele matá-lo com certeiro tiro. Essa luta da Igreja com a Maçonaria vinha desde 24 de abril de 1738, quando o Papa Clemente XII condenou a Maçonaria, a sociedade e as reuniões dos maçons e seus adeptos.

Em resumo, é essa a história da Loja Maçônica "24 de Junho", entidade pioneira de pedreiros-livres de Mossoró.