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A
outra margem
Na passagem da Catedral para a praça
Vigário Antônio Joaquim, não lembrei de recorrer à faixa de pedestres,
ali fazendo ponto na esquina do Banco do Brasil. Quando ameacei o primeiro
passo, a roda de um veículo da prefeitura cuspiu sobre mim a pocinha d’água
marginal. O bastante para enodoar minha calça branca, recém-saída da
gaveta. O motorista não parou para desculpar-se, em função do
trânsito, mas achei na expressão de seu rosto a mensagem sentimental
pelo incidente. Além do mais, resignei-me no meu descuido. É justo dizer
que os motoristas de Mossoró têm sido bastante razoáveis naquele ponto.
Raramente algum "senhor do volante" desrespeita a sinalização.
Mas, deixando um pouco de lado o bom exemplo da maioria dos motoristas,
apressei o passo por conta do retorno da garoa, que logo transformou-se
nos pingões de uma prenhe e farta chuva. Na outra margem, distante da
marquise da Câmara Municipal, o paralítico com a latinha de vinténs à
mercê da chuva. Todo mundo buscou cobertura e ele ficou sozinho no meio
do paço, sentado com a latinha de vinténs. Deixei o abrigo da marquise
para ajudá-lo a chegar ao toldo da farmácia. Antes que eu o alcançasse,
ele olhou para um lado e outro, despejou as moedas no bolso da camisa mal
abotoada e chispou para a frente da barbearia. Fiquei no meio do caminho,
admirado com o milagre do paralítico que a chuva curou.
A Uern convida para o evento
"Memória Fotográfica: A Educação Popular nos Anos 60 no RN",
a realizar-se de 24 de maio a 7 de junho, no Museu Municipal de Mossoro.
Por falar em fotografia, encantei-me com os últimos trabalhos do
repórter-fotográfico Pacífico Medeiros, da Foco Studio, que tem
revelado excelentes mostras em foto-tela, método este onde Pacífico
consegue apurar ainda mais sua arte. De Natal, recebemos a
informação de que em breve também virá a Mossoró o poeta Nelson
Rebouças, para lançamento do seu mais novo livro de versos. Segundo
amigos do poeta, o lançamento acontecerá numa "casa de
drinques" da cidade. Ainda de Natal, esperamos o envio de um
ramalhete de versos do poeta Paulo de Tarso Correia de Melo, que muito nos
horna com a atenção dispensada a este nosso exercício da palavra.
Mudança
Hoje o leitor de O
Mossoroense já recebe este heróico e histórico centenário com seu
novo projeto gráfico, para renovar aos olhos de todos que nos prestigiam
o nosso respeito com a preservação da história, o compromisso com o
presente e a confiança no futuro desta casa.
Cadastro
A SRR Editor, de Porto
Alegre-RS, convida pessoas do meio cultural brasileiro a enviarem seus
dados para inclusão no Cadastro Nacional de Cultura, que conta com mais
de 80 mil cadastrados em todo o País. As informações devem ser
remetidas ao seguinte endereço: caixa postal 204, Correios Central, Cep
90001-970, Porto Alegre-RS, ou pelo e-mail srredit@terra.com.br.
Cinema
Vinte anos após sua
estréia, o Cine Pax volta a exibir um dos maiores sucessos da indústria
cinematográfica americana, E.T. O Extraterrestre. O filme começou a ser
exibido na última quinta-feira e fica em cartaz até o dia 2 de maio.
Vale a pena ver de novo.
Carmelitas
Com prefácio de frei Dito Medeiros e
apresentação do professor Wilson Bezerra, está previsto para 24 do mês
que entra o lançamento nesta província do livro "Os Carmelitas em
Mossoró", dos historiadores David Leite, Gilson Souza e Lima
Júnior. O trabalho visa um resgate histórico do início do município.

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O ócio criativo
Atento ao crescente
interesse de um público mais amplo em seus conceitos e sua visão do
futuro, De Masi elabora de forma acessível neste livro os temas da
sociedade pós-industrial, do desenvolvimento sem emprego, da
globalização, da criatividade e do tempo livre. Domenico De Masi expôs
suas idéias sobre a sociedade e o trabalho em diversos livros destinados
aos amantes da Sociologia, como A emoção e a Regra e O Futuro do
Trabalho.
Insatisfeito com o modelo
social centrado na idolatria do trabalho, ele propõe um novo modelo
baseado na simultaneidade entre trabalho, estudo e lazer, no qual os
indivíduos são educados a privilegiar a satisfação de necessidades
radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas
e a convivência.
Segundo De Masi, o
"ócio pode transforma-se em violência, neurose, vício e preguiça,
mas pode também elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade. É
no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que
devemos concentrar nossas potencialidades".
Este seu livro, além de
ilustrar essa resposta, pretende ser um bordejo sobre seu pensamento como
um todo, com comentários insólitos mas cheios de bom senso sobre temas
candentes da atualidade: a razão e a emoção, o trabalho e o não
trabalho, a vida sem emprego, o estético como critério de vida, o
feminino como padrão da pós-modernidade.
No livro, os brasileiros
se verão retratados a todo instante, com traços que para o autor serão
indispensáveis no próximo século.
FICHA
TÉCNICA
Título:
O Ócio Criativo
Autor:
Domenico De Masi
Gênero:
Sociologia
Editora:
Sextante
Altura: 21
cm.
Largura: 14
cm.
Número
de páginas: 328
Preço:
R$ 27.00
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