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Rompimento
de barragem gera polêmica
LUCIANO OLIVEIRA
Editoria do Regional
regional@omossoroense.com.br
APODI – O
rompimento de uma barragem submersa construída sobre o rio Umari, no
acesso ao Sítio Trapiá, zona rural do município, poderá prejudicar
mais de 200 alunos que diariamente fazem aquele trajeto até a zona
urbana, onde estudam. Concluída no final de janeiro deste ano, a obra
poderá ter sido danificada pela ação das chuvas ou em decorrência
do uso de material não-qualificado.
Este é o ponto de
vista do vereador Aurindo Gurgel (PFL), que na quinta-feira, 17,
abordou o assunto no plenário da Câmara Municipal durante sessão
ordinária realizada naquela Casa. O edil relatou que apesar do
projeto ser de responsabilidade do governo estadual, através da
Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Saep) a municipalidade
tem culpa no "cartório".
Segundo Aurindo
Gurgel, as obras da barragem submersa do Sítio Trapiá tiveram
acompanhamento da prefeitura. E vai mais longe: "A obra está
cercada de mistérios, pois não sabemos quem executou o projeto nem
quanto custou. Sequer uma placa com informações sobre a obra foi
fixada no local durante a condução dos serviços", alfinetou.
Para dar a dimensão
exata do problema, o vereador Aurindo Gurgel fotografou o que sobrou
da barragem e distribuiu as fotos com a imprensa e segmentos locais.
As fotografias mostram que realmente os estragos foram significativos,
mas pairam dúvidas sobre as causas do incidente. "Continuo
achando que houve descaso da administração municipal, no tocante ao
gerenciamento do projeto", atiçou.
PERIGO
– Denúncias à parte, os estragos verificados na barragem trouxeram
enormes prejuízos para a comunidade de Sítio Trapiá, distante cerca
de 6 quilômetros do perímetro urbano de Apodi. Desde a quinta-feira
pela manhã os veículos que transportam os estudantes tiveram que
mudar a rota, acarretando uma série de inconvenientes. "Por
pouco não houve um acidente de grandes proporções, já que minutos
antes da barragem ceder, o transporte escolar havia passado por
ali", afirma Aurindo Gurgel.
Ele disse que sua
luta agora é no sentido de descobrir as causas do incidente e o que
será feito de imediato para recuperar a barragem. "Já
solicitamos informações sobre a obra às secretarias estadual de
Recursos Hídricos e municipal de Agricultura e Irrigação, no
sentido de que alguém assuma a responsabilidade por esse
descaso", ressalta Gurgel.
Concluindo, o vereador disse que tem
informações não-oficiais que a construção da barragem teria
consumido entre R$ 80 a R$ 100 mil, quantia absurda, na opinião do
vereador, em virtude da tratar-se de um projeto sem nenhuma
complexidade. "Falta esclarecer muita coisa", finaliza.
Pinheiro nega que
prefeitura tenha participação na execução do projeto
"O município
não tem nada a ver com a construção de barragens submersas, pois
esse é um programa do governo do Estado, executado através da
Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca", desabafou
o prefeito José Pinheiro Bezerra (PMDB) ao ser interrogado sobre o
assunto.
Pinheiro taxou de
"politicagem" as denúncias formuladas pelo vereador Aurindo
Gurgel, conferindo ao Executivo municipal a responsabilidade pelo
gerenciamento dos recursos destinados à construção da barragem do
Sítio Trapiá. "O denunciante está equivocado, pois os recursos
destinados à execução do projeto não passaram pela prefeitura de
Apodi", garante.
O prefeito também
disse desconhecer o valor global da obra, mas tomando como base outros
projetos executados no município e na região nas mesmas
proporções, a barragem não deve ter custado mais de R$ 30 mil.
"É uma obra muito pequena", reforça Pinheiro.
Ele disse que recebeu
um ofício assinado pelo vereador, no qual solicita informações
sobre a participação da prefeitura no programa de barragens
submersas e, especificamente, na construção da barragem.
"Respondi ao nobre vereador que não temos nada a ver com isso.
Esse projeto não passou pelas nossas mãos, apenas soubemos que o
governo estadual iria construir a barragem, mas não tivemos
participação nisso", reafirma.
Concluindo, Pinheiro
disse que esse tipo de denúncia envolvendo o Executivo municipal é
normal nesta época, quando os ânimos começam a se acirrarem em
virtude da aproximação de mais um pleito eleitoral. "Respeito a
posição do vereador, mas não concordo que queira envolver a
prefeitura numa coisa que não lhes diz respeito", encerra.
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