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Duro
de driblar
Por André Bernardo - TV Press
A Globo tornou-se a
"dona da bola" da próxima Copa do Mundo. A
emissora adquiriu, sozinha, os direitos de transmissão no Brasil. Quando
viu que estava difícil conseguir o que pretendia em cotas publicitárias,
ainda tentou negociar a exibição dos jogos com outras emissoras, mas
ninguém se interessou por causa dos altos valores. Sem poder transmitir
um jogo sequer, Record, SBT, Band e Rede TV! vão ter de driblar os
direitos de exclusividade da Globo para não terem de fingir que o torneio
esportivo da Coréia e do Japão não está acontecendo. "A
Globo nunca teve o interesse de transmitir a Copa com exclusividade. Ela
se abriu a novas propostas, mas não houve retorno",
esclarece Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.
A primeira emissora a
esboçar um tímido "contra-ataque" foi a Record.
No domingo, dia 12, ela exibe um especial sobre a Copa do Mundo no "Repórter
Record". Nele, a equipe de jornalismo da Record tenta elucidar um
"suposto" desinteresse popular pela Copa de 2002.
Entre outros motivos, a emissora destaca as recentes CPI’s do futebol e
a demora na classificação do Brasil. "Dizem que sou
saudosista, mas sou é realista mesmo. Antigamente, tínhamos mais e
melhores jogadores do que hoje em dia", acredita o
ex-técnico da seleção brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos
entrevistados do programa.
Outra "bola
fora" da próxima Copa é o horário de transmissão dos
jogos. Como o Brasil tem uma diferença de fuso horário de 11 horas em
relação aos países-sedes da Copa, as partidas que estiverem acontecendo
à tarde no Oriente só vão ser transmitidos aqui de madrugada. A
seleção brasileira vai entrar em campo na ordem dos três jogos da
primeira fase, às 6 h, 8:30 h e 3:30 h. Mesmo assim, Juca Kfouri e Jorge
Kajuru, os apresentadores do "Bola na Rede", da Rede TV!,
prometem organizar uma mesa-redonda após cada partida do Brasil. "Eu
e o Kajuru vamos madrugar na emissora", adianta,
bem-humorado, o comentarista Juca Kfouri.
A boa e velha "mesa-redonda"
vai ser adotada por outros programas, como "Terceiro Tempo",
da Record, "Ataque", da Rede Brasil, e "Mesa
Redonda", da CNT. A menos de um mês para o início da Copa, SBT
e Band - que por anos adotou a alcunha de o "canal dos esportes"
- ainda não se manifestaram sobre as estratégias de cobertura. Ao
contrário do que aconteceu em 98, quando todas as emissoras transmitiram
a Copa da França, elas vão ter de se contentar com flashes, boletins
diários e os tradicionais gols da rodada nos principais telejornais.
Na última Copa do Mundo,
o canal ESPN Brasil ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos
de Arte, a APCA, de melhor cobertura esportiva. Este ano, os assinantes de
tevê por assinatura só vão poder assistir aos jogos pela Sportv, da
Globosat. Mesmo assim, o diretor do ESPN Brasil, José Trajano, promete
90% da programação do canal dedicada à Copa. "Como os jogos
só acontecem pela manhã, vamos ter o dia inteirinho para analisar a
Copa. Vamos poder exercer o jornalismo esportivo que todos conhecem",
minimiza Trajano.
Mesmo confiante na boa
cobertura do ESPN Brasil, José Trajano lamenta o fato de a transmissão
da Copa ficar nas mãos de uma única emissora. "Viramos
reféns da Globo!", dramatiza Trajano. Já Juca Kfouri não
acredita que o público esteja atrás de "alternativas".
E dá como exemplo os recentes jogos da Copa do Brasil, transmitidos pela
Globo e Record. "A diferença no Ibope é massacrante",
lembra Kfouri. De fato, na quarta, dia 1º, quando transmitiram o jogo
Corinthians e São Paulo pelas semifinais da Copa do Brasil, a Record
registrou média de 9 pontos e a Globo, 45, uma audiência cinco vezes
maior.
Discordâncias à parte,
todos são unânimes em acreditar que nem o fraco desempenho da seleção
nas eliminatórias, nem o horário de transmissão dos jogos vai
desencorajar o torcedor a acordar de madrugada para assistir aos jogos da
seleção. "Não tem jeito. Copa do Mundo sempre sacode o
país. Os jogos podem ser transmitidos a qualquer hora do dia e da noite
que o público sempre prestigia", empolga-se Milton Neves, do
"Terceiro Tempo".
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