|

|
|
O AUTO DA LIBERDADE
- Parte III
Geraldo Maia gmaia@bol.com.br
Dos quatro temas encenados no espetáculo
Auto da Liberdade, a terceira parte é, sem dúvida, a
mais conhecida. Trata-se da defesa da cidade contra
o bando de cangaceiros chefiados por Lampião, que em
1927 tentou saquear a cidade. A vitória do povo de Mossoró
foi tão marcante para a nossa história que a cidade
ganhou até um museu temático para retratá-la.
Em 1927, a cidade de Mossoró vivia
um período de expansionismo comercial e industrial.
Possuía o maior parque salineiro do país, três firmas
comprando, descaroçando e prensando algodão, casas compradoras
de peles e cera de carnaúba, contando com um porto por
onde exportava seus produtos e sendo, por assim dizer,
um verdadeiro empório comercial, que atendia não só
a região Oeste do Estado, como também algumas cidades
da Paraíba e até mesmo do Ceará.
A população da cidade andava na casa
dos 20.300 habitantes e era ligada ao litoral por estrada
de ferro que se estendia ao povoado de São Sebastião,
atual Dix-sept Rosado. Contava ainda com estradas de
rodagem, energia elétrica alimentando várias indústrias,
dois colégios religiosos, agências bancárias e repartições
públicas. Era essa a Mossoró da época. A riqueza que
circulava na cidade despertou a cobiça do mais famoso
cangaceiro da época, que era Virgulino Ferreira, o Lampião.
Para concretizar o audacioso plano
de atacar uma cidade do nível de Mossoró, Lampião contava
em seu bando com a ajuda de alguns bandidos que conheciam
muito bem a região oeste do Estado, como era o caso
de Cecílio Batista, mais conhecido como "Trovão",
que havia morado em Assu onde já havia sido preso por
malandragem e desordem e de José Cesário, o "Coqueiro",
que havia trabalhado em Mossoró. Contava ainda
com Júlio Porto, que havia trabalhado em Mossoró como
motorista de Alfredo Fernandes, conhecido no bando pela
alcunha de "Zé Pretinho", e de Massilon que
era tropeiro e conhecedor de todos os caminhos que levavam
a Mossoró.
O bando entrou no Rio Grande do Norte
através do município de Luís Gomes, que fica na fronteira
com a Paraíba. Em todo o seu trajeto, a caminho de Mossoró,
foi praticando assaltos, assassinatos e depredações.
Enquanto isso, as notícias chegavam a Mossoró. Sem poder
contar com apoio do Governo do Estado, coube ao Prefeito,
Rodolfo Fernandes preparar a defesa da cidade, contando
com a ajuda da pequena tropa policial que aqui existia.
O tenente Laurentino era o encarregado dos preparativos.
E como tal, distribuía os voluntários pelos pontos estratégicos
da cidade. Haviam homens instalados nas torres das igrejas
matriz, Coração de Jesus e São Vicente, no mercado,
no telégrafo, companhia de luz, Grande Hotel, estação
ferroviária, ginásio Diocesano, na casa do prefeito
e demais pontos.
O plano de Lampião era chegar a uma
localidade conhecida como Saco, que ficava a uma distância
de dois quilômetros de Mossoró, onde abandonariam as
montarias e prosseguiriam a pé até a cidade. O cangaceiro
Sabino comandava duas colunas de vanguarda. Uma das
colunas era chefiada por Jararaca e outra por Massilon.
Lampião comandava a coluna da retaguarda.
Enquanto cangaceiros e voluntários
se preparavam para o combate, o restante da população,
que não participaria do mesmo, tentava deixar a cidade.
Eram velhos, mulheres e crianças, pessoas doentes,
que não tinham nenhuma condição de enfrentar, de armas
em punho, a ira dos cangaceiros.
A cena era dantesca desde o dia 12
de junho. Nas ruas, o povo tentava deixar a cidade
de qualquer maneira. Mulheres chorando, carregando crianças
de colo ou puxadas pelos braços, levando trouxas de
roupas, comida e água para a viagem, vagando na multidão
sem rumo. Era uma massa humana surpreendente que se
deslocava pelas ruas da cidade na busca de transporte,
qualquer que fosse o meio, para fugir antes da
investida dos cangaceiros. Famílias inteiras reunidas,
em desespero, lotavam os raros caminhões ou automóveis
que saíam disparados a caminho do litoral. Muitos, sem
condição de transporte, tratavam de conseguir esconderijo
dentro ou fora da cidade. A ordem dada pelo prefeito
era que quem estivesse desarmado saísse da cidade por
precaução.
E na tarde do dia 13 de junho, dia
de Santo Antônio, deu-se o combate. Nessa hora, segundo
o chavão local, "choveu bala no país de Mossoró".
Por volta das quatro horas foram avistados os primeiros
cangaceiros, vindos do bairro Alto da Conceição. O dentista
Assis Brasil, do alto da torre da catedral de Santa
Luzia, munido de um potente binóculo, foi quem primeiro
viu e deu o alarme tocando os sinos da catedral. O exemplo
foi seguido pelos que se encontravam na torre da igreja
de São Vicente e Coração de Jesus, de modo que de qualquer
lugar da cidade podia se ouvir os sinos de Mossoró dobrando
em alerta. E nesse momento ecoam os primeiros tiros,
ao mesmo tempo em que nuvens carregadas cobriam a cidade,
fazendo cair uma chuva rápida com raios e trovões, como
se Santo Antônio, o homenageado do dia, reclamasse da
atitude dos cangaceiros.
Apesar da estratégia de Lampião de
atacar ao mesmo tempo pontos diferentes da cidade, como
a casa do prefeito, o telégrafo e estação ferroviária,
o único combate havido foi o da casa do prefeito. E
era esse o ponto mais bem guardado da cidade. Havia
gente posicionada na torre da Igreja de São Vicente,
nas platibandas da casa do prefeito e da casa vizinha,
que dava para a esquina, e havia também a trincheira
de chão, na frente da casa do prefeito, formada por
fardos de algodão. Dessa forma, todos os ângulos da
rua estavam cobertos por atiradores.
Da parte dos cangaceiros a situação
não estava fácil. Havia uma grande área descampada entre
eles e a trincheira do prefeito. Lampião e seu grupo
havia seguido direto, pela estrada de ferro, em direção
a estação ferroviária e por achar grande resistência
naquela parte, tinha ido se abrigar nas tumbas do cemitério.
Massilon e Sabino, com seus grupos, tentavam vencer
a resistência para prender o prefeito. Num ato de desespero,
o cangaceiro Colchete improvisou uma bomba incendiária
com uma garrafa cheia de querosene onde introduziu um
molambo servindo de pavio (coquetel molotov), e saiu
de peito aberto tentando incendiar os fardos de algodão.
Nesse momento foi atingido por uma bala na cabeça, morrendo
instantaneamente. Jararaca, num ato de igual bravura,
tenta chegar até ele para aliviá-lo dos seus pertences,
como era costume entre eles. Nesse momento foi atingido
no peito. Mesmo ferido tentou fugir e mais uma vez foi
atingido na perna. Mesmo assim conseguiu sair do campo
de batalha, mas foi preso no dia seguinte e justiçado
pela polícia cinco dias depois.
Lampião, ao ser avisado das baixas
e das dificuldades de seguir com o plano, dá ordem de
retirada, amargando a primeira grande derrota na sua
carreira de crime.
É esse fato que é representado no
terceiro ato da peça Auto da Liberdade que é encenada
anualmente num grande espetáculo ao ar livre, para lembrar
a fibra dos bravos mossoroenses que com risco das próprias
vidas souberam defender a sua cidade, tornando assim
toda região livre da mancha do cangaço.
|
|
|
|
Chegou meu dia
Marcos Bezerra Jornalista
- marcos.bezerra@redeintertv.com.br
Corre... Da página branca, como o
diabo corre da cruz. É um projeto de escritor em crise.
Tudo porque não consegue dar prosseguimento a uma série
de pequenas crônicas que queria ver transformadas num
conto, quem sabe num livro. Uma história bem contada.
É uma pessoa exigente, mais com ela do que com os outros,
e não se contenta em apenas dizer que escreveu, ou publicou.
Até acredita que quem se aventura pelo mundo das letras,
mesmo os que conseguem obter sucesso, assim procedem
em algum momento de pouca inspiração, afinal, não dá
para escrever pérolas o tempo todo; menos ainda quando
se destina tão pouco tempo a uma arte que exige dedicação
- apenas duas ou três, no máximo quatro horas, na quinta
ou sexta-feira, já antevendo o sufoco do fechamento
do jornal.
Para completar, além de um trabalho
que exige dedicação exclusiva e inspiração demais da
conta para descobrir a notícia, tem e assume uma incapacidade
absurda nos dias de hoje: a de não saber administrar
o tempo. Assim, mesmo quando acorda cedo, é capaz de
passar minutos e minutos, talvez chegar na casa das
horas, apenas pensando nos assuntos mais diversos, sem
que o corpo faça a menor menção de levantar. Como seria
a vida se assim ou assado procedesse? E as lembranças
da infância; as oportunidades que teriam proporcionado
algum conforto financeiro; os amores perdidos. Mesmo
sabendo que não tem como mudar o passado, ainda se pega
imaginando a vida se tivesse tomado outro caminho. E
o futuro? E a manhã se adiantando...
Tudo é motivo para dispersão.
Lá vai o cursor mudando de lugar.
Culpa da modernidade de um notebook e da falta de jeito
deste sujeito para as pequenas tarefas. Basta comprar
uma plaqueta de plástico para cobrir um quadradinho
que tem aqui em baixo e que eu nem sei o nome. Ao menor
contato, um raspar de dedo que seja, e o cursor vai
parar em outro canto indefinido do texto. Enquanto não
cumpre a tarefa hercúlea de passar numa loja de informática
o jeito é refazer o estrago.
Tem uma rolinha cantando na vizinhança.
Deve ser da espécie cabocla, já que nunca vi uma rolinha
"cascavelinha", aquelas arrepiadinhas, nas
ruas de Natal. As bichinhas são umas sobreviventes.
Elas e os bem-te-vis. Deve haver mais, mas não consigo
ver ou ouvir outras espécies de pássaros do campo que
se adaptaram ao caos urbano. Lembro de um ou outro gavião
que vira notícia depois de atacar quem se aproxima de
seus ninhos. A rolinha continua, insistentemente, trazendo
lembranças da infância passada nos sítios.
Lá foi o cursor de novo...
Paciência Spider, já ouviu falar?
É um santo remédio para as horas vagas. Mas que horas
vagas? Não tenho, mas trato de destinar minutos preciosos
e desafiar o computador neste jogo de cartas. A maioria
prefere jogos elaborados, lançados aos montes e com
cópia disponível na Internet. Depois de encarar uma
temporada de Age off Empires - um jogo de guerra entre
grandes civilizações, que consumia horas e horas à frente
do computador -, fui regredindo tecnologicamente. Passei
a buscar adversários na rede para partidas de gamão;
portugueses, ingleses e franceses em sua maioria. Joguei
também com russos, turcos e chineses. Perdi a paciência
com a falta de esportividade dos estrangeiros, que invariavelmente
desistiam quando estavam perdendo. Agora o meu vício
eletrônico e uma coisa primária, muito embora prefira
encarar o desafio com quatro naipes. Minhas estatísticas
são sofríveis: recorde 1.071 pontos; 81 vitórias e 689
derrotas - 41 delas seguidas. Mas é uma fuga diante
da página branca ou de linhas mal-acabadas. Volto já!
1.026 pontos e mais uma vitória; o
aproveitamento já passa dos dez por cento.
Alguém armou uma rede no quarto vizinho.
Pronto, agora é que a inspiração não chega. Reeec...
reeec... Tenho que lembrar de pôr óleo lubrificante
no armador, mas, no mesmo instante, lembro que esta
é outra daquelas pequenas tarefas que não consigo cumprir
de maneira nenhuma. Quem sabe agora, que terei uma semana
de férias? O barulho vai diminuindo e tento me concentrar
nestas maltraçadas. Reeec... reeec... Na certa foi outra
pernada na parede, para retomar o ritmo do balanço.
Acho que vou fazer o mesmo. Tentar escrever no conforto
de uma rede. E a coluna? Não a do jornal, a minha! O
ronco do armador também remete à infância, num tempo
em que dormir de cama era coisa apenas para famílias
abastadas. E o doce cheirinho de rede limpa; o rec,
rec que ia sumindo aos poucos na medida em que o sono
chegava, como agora...
Agora é hora de almoçar e ir para
o trabalho. Lá vai o cursor de novo. Daí me Deus, paciência,
concentração e inspiração para vencer estas poucas linhas
que faltam! E, se não for pedir demais, me arranje um
bom desfecho.
...
Acho que o Homem está muito ocupado.
Mas vou continuar pedindo; quem sabe fazer até promessa
para conseguir administrar melhor o tempo. Já escolhi
até o santo: São João Bosco. Ele teria dito que "uma
hora economizada pela manhã é um tesouro no fim do dia".
Devidamente adequado às imposições do relógio, poderia
cumprir minhas pequenas tarefas e fazer do ato de escrever
uma tarefa menos aperreada. Depois sentir o conforto
que é digitar este último ponto final, com o perdão
do desrespeito à regra gramatical, com toda a deferência
"."
|
|
|
|
Crônica de uma viagem
III
Gilbamar de Oliveira gilbamarbezerra@ig.com.br
O ruidoso grupo comandado por
diversos monitores de empresas de turismo, que formava
aquela sinuosa fila amontoada de malas, pacotes e bugigangas,
certamente havia decolado na trilha dos seus respectivos
destinos quando regressamos ao aeroporto. Como nossa
bagagem já tinha sido despachada após o chek in, restando
somente saber se haviam resolvido o impasse do traslado
de Porto Alegre até Gramado, dirigi-me ao galpão da
T... Informaram-me que desde o momento em que fomos
para o hotel eles tentavam se comunicar, sempre em vão,
com a responsável pelo traslado, por conseguinte isso
ainda não estava definido. Continuariam objetivando
equacionar o entrave, disseram, nós fôssemos para o
Rio Grande do Sul e até chegarmos lá, provavelmente,
tudo se resolveria a contento enquanto isso. "Dará
tudo certo, não se preocupe", garantiu-me a solícita
gerente de plantão. Que remédio!
Quando o avião finalmente decolou
o alvorecer enchia o horizonte de cores fracas pinceladas
por invisíveis mãos ainda preguiçosas. Nossa primeira
escala seria em Brasília. Graças a Deus alcançamos o
céu em poucos segundos e logo deslizávamos pelas nuvens
serenamente, cortando seus flocos algodoados com respingos
de gotículas do sol já despertando aos bocejos paulatinos.
Colocamos fone de ouvido para ouvir algum dos canais
de música à disposição, abrimos a revista de bordo e
nos deixamos levar pela impensável leveza da mastodonte
aeronave voando como um imenso pássaro prateado assustando
o amanhecer. Socorro!, nós nos encontrávamos a mais
de onze mil metros de altura e a uma velocidade de mil
e cem quilômetros por hora. O comandante deu-nos as
boas-vindas, fez gracinhas com a temperatura em Brasília,
nosso primeiro destino, depois os miniterminais de TV
acoplados ao teto do avião se deslocaram ficando em
posição vertical e começou a velha e conhecida baboseira
de explicar-nos o uso das máscara de oxigênio e exibir-nos
as portas de emergência, o saco de sempre. Afundei na
poltrona.
O aeroporto de Brasília fervilhava,
e o pior é que os vôos por lá também estavam atrasados.
Estudantes, jogadores de diversas modalidades esportivas,
políticas, gente usando paletó e calça jeans, rindo,
lendo, conversando, insatisfeita, enfim, aquele humanológico
característico desses
locais onde se aglomeram centenas de pessoas buscando
seus rumos. Ninguém sabia a que horas nosso vôo para
Porto Alegre iria se concretizar. Perambulamos pelas
imediações, anotamos fatos engraçados e/ou interessantes,
conversamos, fizemos planos, devaneamos e tornamos a
passear vendo os ônibus levando e trazendo passageiros
que iam e vinham. E lá estava ele novamente! Quem? O
furioso gaúcho, claro, aquele que embarcou conosco indo
também para a capital do Sul. Ainda tentamos nos esconder
dele, mas não adiantou, fomos vistos. Carrancudo como
antes no aeroporto de Natal, brandindo seu cartão de
embarque furiosamente, já veio ao nosso encontro explodindo
frases de descompostura contra o caos aéreo, as companhias
de aviação e seus responsáveis, sem nos dar chance de
responder ou dizer algo. Quando ele virou o rosto e
apontou para os diversos portões de embarque falando
qualquer coisa sobre desinformação nós aproveitamos
para desaparecer de sua presença, rindo da cara dele
e de nosso comportamento levado.
Mas os minutos se foram, formaram
horas e nada. Quanto mais ônibus saíam do salão de embarque
lotados na direção da pista onde se encontravam os aviões
mais gente ia chegando e abarrotando o espaço. Por mais
três vezes o gaúcho nos avistou e fez menção de se aproximar,
mas dávamos sempre um jeito de escapar dele feito crianças
brincando de esconde-esconde. E nesse comportamento
lúdico percebíamos que muitos circunstantes até dormitavam
pelos cantos enquanto lentamente o tempo andava. Difícil
dizer as razões de tanto atraso. Seria porque havia
passageiros demais ou aviões de menos? Por fim, anunciaram
nosso vôo e saímos correndo juntamente com uma multidão
até o portão de acesso ao transporte coletivo. Conseguimos
dois lugares a duras penas após enfrentar uma fila horrorosa
e os caras-de-pau dando jeitinhos para furá-la. Estacionamos
ao lado do avião, todos descendo apressados para embarcar
o mais rápido possível sob um sol escaldante ladeado
de ralas nuvens esboroantes.
|
|
|
|
Manifesto em defesa
de la mala película
Fernanda Gurgel fernanda@eictv.org.cu
nandapig@gmail.com
Cuba, 14 de maio de 2008 - Saio
em defesa dos estudantes, dos amadores, dos videastas,
vídeo-makers, vídeo-loucos, dos artistas, dos sonhadores,
de mim mesma e digo: 90% de todos os filmes do mundo
são ruins.
Espero com isso tirar um peso dos
ombros de todos os que pensam mil vezes antes de disparar
com suas câmeras com medo de fazer besteira. A gente
tem mais é que fazer filme ruim mesmo. É igual à história
do fotógrafo que publica um livro de fotos premiadas,
mas que para chegar àquelas 100 maravilhosas imagens
teve que registrar 1.000 ou 2.000.
Durante anos. A prática faz o gênio.
Talvez né, porque tem gente que não aprende…. Mas o
negócio é trabalhar, trabalhar todos os dias. E editar.
Porque também gravar horas e horas e deixar as fitas
mofando não vale.
Acabamos de passar um mês completo
filmando curtas em super 16mm. Eu estava num grupo de
11 pessoas. Ou seja, 11 produções. Uma guerra literalmente.
Cada um de nós passou por todas as funções: direção,
assistência de direção, produção, assistência de produção,
som direto, microfone, assistência geral, script-edição,
refletorista, fotógrafo e assistência de câmera. Filmar
em película de verdade é mais bonito, mais emocionante,
mais caro e nada prático. Carregamos peso, montamos
equipamentos, comemos mal, acordamos cedo, dormimos
tarde, trabalhamos sob o sol de matar. Sofremos muito.
E faríamos tudo de novo, simplesmente pelo fato de que
fazer cinema é muito melhor do que ir ao cinema. Pensando
bem, se todos pudessem fazer filmes o cinema deixaria
de existir, porque não haveria mais público, só equipe
técnica. Quando o cinema vira profissão, assistir filmes
perde a graça. Mas o set, a locação, o planejamento,
o suor, o trabalho pesado, isso sim é apaixonante e
viciante. E a pós-produção nem se fala. É aí que os
milagres acontecem.
Voltando ao tema do manifesto, as
malas películas, em junho (sic) vamos ver o resultado
desse mês de prática. Certamente o nervosismo e a inexperiência
vão estar na tela. E dos 40 trabalhos de toda a turma
poucos serão bons realmente. Mas isso pouco importa,
o que vale é aprender e guardar bem as lembranças dos
nossos queridos filmes ruins. Eu por enquanto estou
tranquila. Decidi seguir uma filosofia muito simples.
O meu melhor filme vai ser sempre o próximo.
|
|
|
|
Exupéry
em Natal? Eu não duvido
Luiz Gonzaga Cortez jornalista
e pesquisador
Eu não duvido das fontes
orais e escritas sobre a presença do piloto Antoine
Saint-Exupéry em Natal, no final da década de 20 do
século passado, no início da fase épica das viagens
transatlânticas da aviação européia. Por que não? Delírio?
Várias pessoas e testemunhas deixaram depoimentos na
imprensa natalense, nos últimos 30 anos (Diario de Natal,
Dois Pontos, Tribuna do Norte e o programa Memória Viva
da TV-Universitária-Canal 5), asseverando que o piloto
francês esteve na taba potengina. Há textos publicados
em livros, jornais e revistas, além dos relacionados
no Google e outros sítios de buscas. Há referências
que não são consideradas pelos adversários da tese de
que Exupéry esteve em Natal.
Há fontes que não são
comentadas pelos jornalistas e pesquisadores que tacham
de invencionices de intelectuais potiguares. Quais?
Vamos exemplificar. O jornalista Talis Andrade, no blog
coração noturno, publicou em 20/04/2008, um pequeno
texto intitulado "Saint-Exupéry em Natal",
que nos traz uma pista sobre Exupéry em Natal. O
autor esteve em Natal em fevereiro passado e bebeu vinho
com Ticiano Duarte e Woden Madruga. Talis faz referências
elogiosas a WM sobre a polêmica vinda de Exupéry, etc,
etc. Do meio para o fim do seu artigo, Talis Andrade,
que escreveu reportagens sobre aviação na década de
50, diz o seguiunte: "Em 1927, começa a exploração
da linha comercial Buenos Aires-Natal. Em 1928, Saint
Exupéry escreve Correio Sul e, começos de 1929, entrega
os manuscritos à editora Gaston Gallimard.
Quatro meses depois
viajou para a América do Sul, para estudar a possibilidade
de criar novas linhas aéreas. Terminou em Buenos Aires,
e para chegar lá fez escala em Natal. Não havia outra
rota. No Correio Sul, p.10, escreve:
<<<-Apressemo-nos,
senhores, apressemo-nos...
Mala por mala, o correio
mergulha no ventre do aparelho. Verificação rápida:
- Buenos Aires...Natal... Dacar... Casablanca... Dacar...
Trinta e nove malas... Exatos?
- Exato.>>>
Em 1929, começou a
escrever Vol de Nuit.
A briga pelos Correios
vem de longe. E Lula quer privatizar os Correios sem
os Telégrafos.
Talis Andrade."
Extraído às 17h;15m do dia 24/06/2008 do sítio
http://coracaonoturno.blog-sae.com.br.
No seu bonito romance
"Maranduva", o escritor potiguar Pedro Lins
Neto, dentista aposentado, após exaustivas pesquisas
sobre a história do Rio Grande do Norte, relata na página
49 que o debate sobre o "acontecimento inequívoco"
tinha cessado "e eis que a insuspeitíssima
Revista Terra, na edição de nº 136, de agosto de 2003,
dá agora enfoque ao esquecido assunto, na pag.29 publicando
História de Aviadores e Árvores, com recorte de jornal
da época, onde se vê a manchete Saint-Exupéry em Natal,
contendo a sua foto". Ao me deparar com um exemplar
do livro, fui encontrar o seu autor no dia 28 de outubro
de 2007, em sua residência, em Candelária. Pedro Lins
não encontrou a edição da Revista Terra, mas informou
que fotocopiou a reportagem com a foto inédita de Exupéry
em Natal, e entregou ao professor Cláudio Galvão para
análise. Talvez seja uma nova fonte para alicerçar a
versão de que o piloto francês Antoine de Saint-Exupéry
teria passado por Natal e alimentar e requentar a polêmica?
Acredito que não devemos desprezá-la, pois o assunto
não vai morrer tão cedo, tendo em vista que há pessoas
que não vão se calar nem parar de pesquisar e escrever
a respeito do piloto-administrador da Latécoère Antoine
de Saint-Exupéry que ficou mundialmente famoso após
o fim da II Guerra Mundial, após a publicação do livro
"O Pequeno Príncipe".
|
|
|
|
De
Natal a Manhattan - holandeses e judeus
Laélio Ferreira
Pero Mendes de Gouveia,
Capitão-mor (espanhol, segundo alguns), ferido nos combates,
muito macho, não entregou a Fortaleza, A rendição (1633)
se deu por obra e graça da covardia dos subalternos.
Começara mal, assim, a dominação holandesa no Rio Grande.
A galegada flamenga de Olinda e Recife, cinco anos
depois da conquista de Pernambuco, estava de olho no
gado, no açúcar e na mandioca da terra. A Reis Magos
virou Castelo Keulen, a incipiente vila de poucas palhoças,
na Cidade Alta, foi rebatizada: Nova Amsterdã. Começou
a inhanha: a exploração, a violência, os massacres -
um deles, o de Uruaçu, poucos dias depois da vitória.
Jacó Rabi (rabbi em
hebraico, significando"mestre"), Conselheiro
da Companhia das Índias, judeu alemão, pintou e bordou
em Cunhaú (1645), matando muita gente. Esse camarada
arranjou amizade com os tapuias Janduís, comandando
uma uma tropa de choque, violenta longa mano dos interesses
batavos. Era tão ruim que os próprios judeus, portugueses
e protestantes, prejudicados com suas façanhas, forçaram
o seu assassinato, a mandado do coronel holandês Gartsman,
casado com uma brasileira.
Significativa, intensa
até, foi a presença israelita no Nordeste durante a
ocupação flamenga. Tangidos de Portugal e Espanha, acusados
de heresias -vivendo outros na própria Holanda mas originários
da Península, - os sefardins, ricos, chegavam aos nossos
portos, atraídos pelo comércio, ganhando dinheiro, prosperando.
No Recife. fundaram
a primeira sinagoga das Américas. Gilberto Freire afirmava
que, desde Cabral, de dez portugueses que vinham para
cá, oito eram judeus marranos (cristãos-novos).
No Rio Grande, hoje,
pouca gente se dá conta da sua origem hebraica. Vencidos
os holandeses nos Guararapes, liberada a Capitania,
sua fortaleza e sua vila primeira (Natal), a maioria
dos judeus afortunados da região - marranos ou não -
se escafedeu para o Caribe e para uma outra "Nova
Amsterdã", um entreposto flamengo, na ilha de Manhattan
- que depois, sob o guante da espada inglesa, viria
a ser chamada de Nova Iorque. Esse grupo ajudaria a
fundar o império capitalista americano. Os outros, os
menos bafejados pela sorte, obrigados novamente a se
cristianizarem, foram palmilhar os caminhos do sertão,
misturando-se às populações indígenas. Ficaram, todavia,
os sobrenomes reveladores: Carvalho, Moreira,
Nogueira, Oliveira, Pinheiro, Lopes, Dias, Nunes, Souza,
Medeiros, Costa, Cardoso, Fonseca e tantos outros. Dos
costumes e manias - afirmam, por aí -, deixaram-nos
a carne de sol, o comércio à prestação, de porta em
porta, a pintura das casas no final do ano, a sangria
dos animais para a alimentação, o sepultamento dos defuntos
envolvidos em mortalhas.
Os holandeses, por
sua vez, parece (ainda bem, ainda bem!), só nos deixaram
os Wanderley do Assu - salvas algumas poucas exceções,
gente de brio, de prumo, de engenho e de muita arte,
até nossos dias...
|
|
|
|
Seres claros. Seres
escuros
Flávio Rezende escritorflaviorezende@gmail.com
Tenho sido relativamente repetitivo
em meus artigos com citações das maravilhosas caminhadas
mundo adentro. Mas são elas, que me levam a situações
diversas e me elevam a patamares observatórios, inspirando
a mente a produzir textos que refletem pensamentos que
brotam no passar dos pés por calçadas, areias, asfaltos,
becos, vielas, ruas, avenidas e beiras de mar.
Estou vivenciando um momento especial
e por isso mesmo, caminhando por lugares diferentes
dos que habitualmente transito. Em virtude do novo cenário
já não compartilho da doce presença dos insetos, lagartixas,
exuberante vegetação e chananas, tão presentes, que
amigos são numa troca de energias mútuas que muito bem
faz a este ser escrevinhador.
Adepto que sou da lei do contente
ando feliz pelos novos caminhos, buscando com os olhos
a amizade dos transeuntes, com o coração a cumplicidade
dos passantes e, com a mente, a captação dos viventes,
para que possa processar dentro de mim, a miscelânica
vitamina da arte de viver, com a salutar pitada da doçura
e a necessária digestão do bem querer.
E os novos trajetos apresentam um
cenário com muitos seres, em situações complexas, remetendo
meu pensar para julgamentos mistos. Sei que julgamentos
revelam inferioridade espiritual, mas infelizmente,
somos muitos nesta incômoda situação. Só aqueles que
admiramos, que alcançaram elevados patamares espirituais,
conseguiram transcender a arte de julgar, deixando que
todos fluam como rios, naturalmente, para o oceano divino.
E neste julgar, que não é proposital,
é até natural e não contém elementos depreciativos,
vamos vendo uns e outros, achando isso ou aquilo, sempre
a partir de nossos filtros interiores e de nossos valores
adquiridos, numa seqüência interessante de seres claros
e de seres escuros, aos quais disseco agora algumas
considerações.
Os seres claros, que vamos encontrando
no caminho, são percebidos claramente pela boca. Se
não estão sorrindo de maneira explícita, estão com os
músculos sempre armados para o gostoso desabrochar da
arcada feliz. Eles gostam de elogiar, de dar um toque
com as mãos gostoso e não invasivo, de incentivar as
boas práticas e, tem sempre uma palavra de carinho reservada
no coração.
Os seres claros são como postos de
gasolina. Quando saímos de perto, nos sentimos sempre
cheios de boas energias. Eles tornam a vida bela e a
caminhada segue com a incorporação da felicidade, pois
imprimiram em nosso coração, o que alguns chamam de
amor, posto que significando vida plena, é isso o que
fica deles em nós.
A caminhada também mostra os seres
escuros, com suas conversas cheias de códigos, teorias
de difícil compreensão, papos demorados e sinuosos,
em tentativas constantes da obtenção de algo com o esconder
de alguma coisa.
Enquanto os seres claros exalam um
doce perfume, os seres escuros são sempre mal-cheirosos,
insalubres, com gingados corporais extravagantes, exagerados
adereços e hálitos repugnantes.
Sou do tipo que aceito qualquer conversa,
convivo com todos e dou atenção aos seres de todos os
naipes, mas, como falei anteriormente, não consigo ainda
controlar a mente que julga esses seres escuros como
carentes de espiritualidade, dignos de ajuda e que,
urgentemente, devem aderir à estrada da vida saudável,
abandonando vícios, corrigindo a linguagem e procurando
mais dignidade para seus próprios seres, por vias mais
límpidas, disponíveis que estão para todos, pela democrática
graça da divindade, que a todos abraça e a todos quer
bem.
Caminhando por aí, sorria para os
seres claros, compartilhe com eles a maravilha que é
viver e, podendo, ajude a acender uma luz dentro dos
seres escuros, eles precisam ver cada vez mais claramente
que a vida é bela e que o sol nasce para todos.
|
|
|
|
Astier Basílio astierbasilio@gmail.com
Companhia paulistana
de dança se apresenta em Mossoro na próxima quarta-feira
A Companhia de Dança “Cisne Negro”
(SP), reconhecida no Brasil e no mundo, promete uma
grande apresentação em Mossoró no próximo dia 10 de
setembro. O espetáculo “Revoada” será realizado às 21h,
no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, com ingressos no
valor de R$ 20 inteira e R$ 10 estudante. Dezesseis
artistas fazem parte do elenco da companhia paulista,
que além de ‘Revoada’ irá encenar outras duas coreografias:
“Trama” e “1,2...7”. Na segunda-feira dia 8 de setembro
o espetáculo acontece em Natal, às 20h, no Teatro Alberto
Maranhão.
A apresentação da Cisne Negro celebra
os mais de 30 anos de uma das melhores companhias de
dança contemporânea do país. As entradas estão à venda
na Poty Livros 3317-2022.
Os trabalhos da Cia. Cisne Negro foram
apresentados nas principais cidades do Brasil e na Inglaterra,
Estados Unidos, Canadá, Espanha, Uruguai, Paraguai,
Argentina, Alemanha, Moçambique, África do Sul e Chile.
O grupo exibiu um modelo de trabalho dentro da dança
brasileira construído com profissionalismo.
SERVIÇO:
“REVOADA”
Espetáculo da Cia. de Dança Cisne
Negro (SP)
Data: Quarta-feira, 10 de setembro,
às 21h
Local: Teatro Dix-huit Rosado
Vendas antecipadas:
Poty Livros 3317-2022.
Produção: Lula Belmont 9423-0165
Contato: contatohangar@yahoo.com.br
Cisne Negro Cia. de Dança - SP
Com 31 anos de existência, a Cisne
Negro Cia. de Dança é considerada uma das melhores companhias
contemporâneas do país e tem como filosofia a originalidade,
a tradição e a preocupação de formar novas platéias,
buscando públicos capazes de apreciar a inovação e a
beleza.
A companhia nasceu de uma circunstância
especial: sua diretora artística, Hulda Bittencourt,
juntou as alunas do já famoso Estúdio de Ballet Cisne
Negro com alguns atletas da Faculdade de Educação Física
da USP. A aproximação desses dois universos deu ao grupo
sua principal característica: uma dança energética,
viril e de grande qualidade técnica e artística.Os trabalhos
da companhia inserem-se dentro do panorama contemporâneo
da dança e desde o início a companhia trabalha com coreógrafos
inovadores e jovens, dentre os quais se destacam Vasco
Wellencamp (Portugal), Gigi Caciuleanu, Patrick Delcroix
(França), Mark Baldwin (Inglaterra), Ana Maria Mondini,
Dany Bittencourt, Denise Namura, Tíndaro Silvano, Mário
Nascimento e Rui Moreira (Brasil), Júlio Lopes e Luis
Arrieta (Argentina), Michael Bugdahn (Alemanha), Victor
Navarro (Espanha) e Itzik Galili (Israel).
A Cisne Negro Cia. de Dança já se
apresentou nas principais cidades do Brasil e também
em diversos países como Inglaterra, Estados Unidos,
Canadá, Espanha, Uruguai, Argentina, Alemanha, África
do Sul, Chile, Cuba e Moçambique, mostrando seu trabalho
dentro da dança brasileira construído com profissionalismo
e paixão.
Programa do espetáculo em Mossoró:
Apresentação de três coreografias:
A primeira “REVOADA” do coreógrafo
Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.
Em seguida a coreografia “1,2...7”
do coreógrafo Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.
Na seqüência um pequeno intervalo
de 15 minutos.
E finalizando a apresentação da noite
a coreografia “Trama” do coreógrafo Ruis Moreira com
música de Lenine, Marco Suzano, Mestre Ambrósio e temas
da coletânea "Música do Brasil".
Programa do espetáculo em Mossoró:
Apresentação de três coreografias:
·A primeira “ REVOADA” do coreógrafo
Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.
·Em seguida a coreografia “1,2...7”
do coreógrafo Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.
·Na seqüência um pequeno intervalo
de 15 minutos.
·E finalizando a apresentação da noite
a coreografia “Trama” do coreógrafo Ruis Moreira com
música de Lenine, Marco Suzano, Mestre Ambrósio e temas
da coletânea "Música do Brasil".
|
|
|
|
Ariel Kostman
As Obsessões de
Machado de Assis
No Rio de Janeiro, o hábito de tomar
banho de mar sem fins terapêuticos surgiu nos anos 80
do século 19. Era necessária toda uma produção. Uma
tenda era erguida na praia do Flamengo ou na de Botafogo
— Copacabana era então considerado um lugar remoto.
Os homens usavam um maiô largo, no estilo aqualouco.
As mulheres, trajes que não marcassem a silhueta — e
eram orientadas a voltar para casa antes de o sol ficar
forte, para evitar os olhares curiosos dos pescadores.
No conto A Chave, publicado no livro Páginas Esquecidas:
Uma Antologia Diferente de Contos Machadianos, organizado
por Álvaro Martins, que chega às livrarias neste mês,
Machado de Assis leva para a literatura esse hábito
recém-incorporado ao cenário carioca. No texto, o autor
conversa com o leitor a respeito dos personagens. Quando
o assunto é a moça que protagoniza a história, Machado
usa uma linguagem direta. Quando é o pai dela, se vale
do tom empolado que dominava as letras brasileiras na
época do romantismo — e que, no tempo em que se passa
o conto, soava tão antiquado quanto um maiô de aqualouco
nos dias de hoje. A Chave é uma obra menor na produção
do maior escritor brasileiro, mas no pequeno trecho
descrito acima (veja texto na página 36) estão presentes
dois dos temas pelos quais Machado se tornou conhecido:
o hábito de dialogar com o leitor e a zombaria da fala
empolada, em nome de um estilo mais direto — a linguagem
que, mais tarde, se tornaria típica do realismo.
A leitura de Páginas Esquecidas provoca
uma reflexão. Durante muito tempo, os manuais de literatura
apresentavam o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas
como um personagem dividido em dois — justamente antes
e depois de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Antes estaria
o Machado romântico, emulando um estilo do passado e,
nele, forjando as características de uma prosa própria.
Depois da revolução de Memórias Póstumas, teria surgido
o Machado realista, com pleno domínio de seu ofício.
Os estudos mais recentes sobre o escritor carioca mostram
que a realidade é bem mais complexa. Machado experimenta,
efetivamente, a evolução pela qual passa todo escritor
em busca de um estilo. Ao longo dessa trajetória, no
entanto, ele retorna obsessivamente aos mesmos temas,
que aparecem nas obras de juventude e nas de maturidade,
nos textos despretensiosos como o conto A Chave e nas
obras-primas como Dom Casmurro. Pode-se dizer, assim,
que esses temas seriam suas "obsessões". Além
do diálogo com o leitor e da sátira ao pedantismo, o
ciúme, o dinheiro e o parasitismo da elite estariam
entre elas.
|
|
|
|
TEATRO
Festuern se consolida
em escola de talentos
Jucilene Mendes Juci_jm@hotmail.com
O Festival de Teatro da Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (Festuern) já é considerado
o maior na área do Estado. O projeto surgiu com o objetivo
de despertar nos alunos de escola pública o interesse
pela arte, assim como também uma visão mais crítica
da sociedade.
Este ano foi realizada a sexta edição
do Festuern que homenageou o poeta mossoroense Antônio
Francisco, conhecido popularmente pelos cordéis que
desenvolve. O evento realizado no Teatro Municipal Dix-huit
Rosado, contou com a participação de 61 grupos artísticos,
sendo 39 destes provenientes de escolas públicas municipais
e estudais de todo o Rio Grande do Norte, de cidades
como Assú, Alto do Rodrigues, Upanema, Macau, entre
outras e ainda 18 de Mossoró.
A coordenadora de administração, Telma
Maia, disse que os grupos teatrais são selecionados
da seguinte forma: primeiro são abertas às inscrições
para todas as escolas públicas, depois é realizado um
seminário e, por último é feita uma oficina com os grupos
escolhidos. Alguns grupos, segundo a coordenadora, participam
desde o início do projeto.
O projeto tem patrocínio da Petrobras,
que destina R$ 120 mil de acordo com a Lei Estadual
de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo, e conta ainda
com o apoio dos educadores do município.
Ao longo desses anos, o Festuern tem
conseguido atingir sua meta, proporcionando oportunidades
às crianças e jovens de escolas públicas, aplicando
nesses a admiração pela arte e uma nova forma de vida.
Festival provoca mudanças na vida
de jovens estudantes
A Escola Cônego Estevam Dantas, localizada
na avenida Alberto Maranhão, formou o "Grupo de
Teatro Nascer" há quatro anos, quando foi convidada
para participar da terceira edição do Festuern. Desde
então, o grupo continuou fazendo apresentações na própria
escola em datas comemorativas.
A coordenadora da companhia de teatro,
Luciana Duarte, destaca as mudanças que ocorreram com
os jovens depois da formação Grupo de Teatro Nascer.
"O comportamento desses alunos que participam da
companhia mudou para melhor. Hoje eles estão mais comprometidos
com a formação pessoal e escolar", afirma.
Ela conta que também recebe incentivos
da própria escola, dos pais dos alunos e ainda recebem
ajuda financeira do Governo do Estado e de uma empresa
comercial de Mossoró. "Recebemos doação de objetos
e fazemos uma rifa dele para adquirir dinheiro",
afirma Luciana.
A coordenadora, que está na direção
da equipe desde a sua formação, disse que 25 alunos
do 4º ao 9º ano, participam do grupo atualmente. Este
ano, Nascer apresentou o espetáculo "Chuvisco de
Bala" durante o Festuern, com texto de Tiago Cristian,
técnico em sonoplastia do Teatro Municipal Dix-huit
Rosado. Ela também informa que o mesmo espetáculo será
encenado no próximo mês, na Semana da Criança promovida
pela Petrobras.
Sociedade dos Poetas do RN realiza
campanha para arrecadar livros e divulgar a literatura
potiguar
A Sociedade dos Poetas Vivos e Afins
do Rio Grande do Norte (SPVA/RN), em parceria com o
Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de
Correios, Telégrafos e Similares no RN (Sintect/RN)
e a Casa do Cordel, está promovendo a campanha "Unindo
dos Rios através da Poesia".
O objetivo da ação é arrecadar, até
o dia 28 de setembro, doações de obras literárias para
o XVI Congresso Brasileiro de Poesia, que será realizado
de 5 a 11 de outubro na cidade de Bento Gonçalves (RS).
"Queremos levar nossa literatura para fora do Estado",
diz a membro da SPVA e cônsul da Associação dos Poetas
Del Mundo no RN, Deth Haak.
Os livros arrecadados serão doados
ao Rio Grande do Sul para que sejam distribuídos nas
bibliotecas das escolas daquele estado. Para Deth Haak
é importante participar dessa campanha, pois na verdade,
o evento agrega outros dois e reúne diversos poetas
de todo o mundo. São eles: XVI Encontro Latino-Americano
de Casas de Poetas e a XIII Mostra Internacional de
Poesia Visual.
Em contribuição a campanha, a Coleção
Mossoroense está disponibilizando em torno de 50 obras
entre livros e cordéis de autores da cidade. "Isso
é ótimo para a gente, pois servirá para mostrar a representatividade
dos autores regionais ao terem seus trabalhos divulgados
fora do Estado", afirma o editor-assistente e poeta
Caio César Muniz.
Qualquer escritor pode doar. Para
isso, basta enviar ou entregar as obras até o próximo
dia 28, à rua Vigário Bartolomeu nº 578, Centro - Casa
do Cordel, lembrando que o Correio isenta de até 50
kg de Sedex para o Sul.
|
|