Mossoró-RN, domingo 14 setembro de 2008

O AUTO DA LIBERDADE - Parte III

Geraldo Maia
gmaia@bol.com.br

Dos quatro temas encenados no espetáculo Auto da Liberdade, a terceira parte é, sem dúvida, a mais conhecida. Trata-se da defesa da cidade contra o bando de cangaceiros chefiados por Lampião, que em 1927 tentou saquear a cidade. A vitória do povo de Mossoró foi tão marcante para a nossa história que a cidade ganhou até um museu temático para retratá-la.

Em 1927, a cidade de Mossoró vivia um período de expansionismo comercial e industrial. Possuía o maior parque salineiro do país, três firmas comprando, descaroçando e prensando algodão, casas compradoras de peles e cera de carnaúba, contando com um porto por onde exportava seus produtos e sendo, por assim dizer, um verdadeiro empório comercial, que atendia não só a região Oeste do Estado, como também algumas cidades da Paraíba e até mesmo do Ceará.

A população da cidade andava na casa dos 20.300 habitantes e era ligada ao litoral por estrada de ferro que se estendia ao povoado de São Sebastião, atual Dix-sept Rosado. Contava ainda com estradas de rodagem, energia elétrica alimentando várias indústrias, dois colégios religiosos, agências bancárias e repartições públicas. Era essa a Mossoró da época. A riqueza que circulava na cidade despertou a cobiça do mais famoso cangaceiro da época, que era Virgulino Ferreira, o Lampião.

Para concretizar o audacioso plano de atacar uma cidade do nível de Mossoró, Lampião contava em seu bando com a ajuda de alguns bandidos que conheciam muito bem a região oeste do Estado, como era o caso de Cecílio Batista, mais conhecido como "Trovão", que havia morado em Assu onde já havia sido preso por malandragem e desordem e de José Cesário,  o "Coqueiro",  que havia trabalhado em Mossoró. Contava ainda com Júlio Porto, que havia trabalhado em Mossoró como motorista de Alfredo Fernandes, conhecido no bando pela alcunha de "Zé Pretinho", e de Massilon que era tropeiro e conhecedor de todos os caminhos que levavam a Mossoró.

O bando entrou no Rio Grande do Norte através do município de Luís Gomes, que fica na fronteira com a Paraíba. Em todo o seu trajeto, a caminho de Mossoró, foi praticando assaltos, assassinatos e depredações. Enquanto isso, as notícias chegavam a Mossoró. Sem poder contar com apoio do Governo do Estado, coube ao Prefeito, Rodolfo Fernandes preparar a defesa da cidade, contando com a ajuda da pequena tropa policial que aqui existia. O tenente Laurentino era o encarregado dos preparativos. E como tal, distribuía os voluntários pelos pontos estratégicos da cidade. Haviam homens instalados nas torres das igrejas matriz, Coração de Jesus e São Vicente, no mercado, no telégrafo, companhia de luz, Grande Hotel, estação ferroviária, ginásio Diocesano, na casa do prefeito e demais pontos.

O plano de Lampião era chegar a uma localidade conhecida como Saco, que ficava a uma distância de dois quilômetros de Mossoró, onde abandonariam as montarias e prosseguiriam a pé até a cidade. O cangaceiro Sabino comandava duas colunas de vanguarda. Uma das colunas era chefiada por Jararaca e outra por Massilon.  Lampião comandava a coluna da retaguarda.

Enquanto cangaceiros e voluntários se preparavam para o combate, o restante da população, que não participaria do mesmo, tentava deixar a cidade.  Eram velhos, mulheres e crianças, pessoas doentes, que não tinham nenhuma condição de enfrentar, de armas em punho, a ira dos cangaceiros.

A cena era dantesca desde o dia 12 de junho.  Nas ruas, o povo tentava deixar a cidade de qualquer maneira. Mulheres chorando, carregando crianças de colo ou puxadas pelos braços, levando trouxas de roupas, comida e água para a viagem, vagando na multidão sem rumo. Era uma massa humana surpreendente que se deslocava pelas ruas da cidade na busca de transporte, qualquer que fosse o meio, para fugir  antes da investida dos cangaceiros. Famílias inteiras reunidas, em desespero, lotavam os raros caminhões ou automóveis que saíam disparados a caminho do litoral. Muitos, sem condição de transporte, tratavam de conseguir esconderijo dentro ou fora da cidade. A ordem dada pelo prefeito era que quem estivesse desarmado saísse da cidade por precaução.  

E na tarde do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, deu-se o combate. Nessa hora, segundo o chavão local, "choveu bala no país de Mossoró". Por volta das quatro horas foram avistados os primeiros cangaceiros, vindos do bairro Alto da Conceição. O dentista Assis Brasil, do alto da torre da catedral de Santa Luzia, munido de um potente binóculo, foi quem primeiro viu e deu o alarme tocando os sinos da catedral. O exemplo foi seguido pelos que se encontravam na torre da igreja de São Vicente e Coração de Jesus, de modo que de qualquer lugar da cidade podia se ouvir os sinos de Mossoró dobrando em alerta. E nesse momento ecoam os primeiros tiros, ao mesmo tempo em que nuvens carregadas cobriam a cidade, fazendo cair uma chuva rápida com raios e trovões, como se Santo Antônio, o homenageado do dia, reclamasse da atitude dos cangaceiros.

Apesar da estratégia de Lampião de atacar ao mesmo tempo pontos diferentes da cidade, como a casa do prefeito, o telégrafo e estação ferroviária, o único combate havido foi o da casa do prefeito. E era esse o ponto mais bem guardado da cidade. Havia gente posicionada na torre da Igreja de São Vicente, nas platibandas da casa do prefeito e da casa vizinha, que dava para a esquina, e havia também a trincheira de chão, na frente da casa do prefeito, formada por fardos de algodão. Dessa forma, todos os ângulos da rua estavam cobertos por atiradores.

Da parte dos cangaceiros a situação não estava fácil. Havia uma grande área descampada entre eles e a trincheira do prefeito. Lampião e seu grupo havia seguido direto, pela estrada de ferro, em direção a estação ferroviária e por achar grande resistência naquela parte, tinha ido se abrigar nas tumbas do cemitério. Massilon e Sabino, com seus grupos, tentavam vencer a resistência para prender o prefeito. Num ato de desespero, o cangaceiro Colchete improvisou uma bomba incendiária com uma garrafa cheia de querosene onde introduziu um molambo servindo de pavio (coquetel molotov), e saiu de peito aberto tentando incendiar os fardos de algodão. Nesse momento foi atingido por uma bala na cabeça, morrendo instantaneamente. Jararaca, num ato de igual bravura, tenta chegar até ele para aliviá-lo dos seus pertences, como era costume entre eles. Nesse momento foi atingido no peito. Mesmo ferido tentou fugir e mais uma vez foi atingido na perna. Mesmo assim conseguiu sair do campo de batalha, mas foi preso no dia seguinte e justiçado pela polícia cinco dias depois.

Lampião, ao ser avisado das baixas e das dificuldades de seguir com o plano, dá ordem de retirada, amargando a primeira grande derrota na sua carreira de crime.

É esse fato que é representado no terceiro ato da peça Auto da Liberdade que é encenada anualmente num grande espetáculo ao ar livre, para lembrar a fibra dos bravos mossoroenses que com risco das próprias vidas souberam defender a sua cidade, tornando assim toda região livre da mancha do cangaço.

 

Chegou meu dia

Marcos Bezerra
Jornalista - marcos.bezerra@redeintertv.com.br

Corre... Da página branca, como o diabo corre da cruz. É um projeto de escritor em crise. Tudo porque não consegue dar prosseguimento a uma série de pequenas crônicas que queria ver transformadas num conto, quem sabe num livro. Uma história bem contada. É uma pessoa exigente, mais com ela do que com os outros, e não se contenta em apenas dizer que escreveu, ou publicou. Até acredita que quem se aventura pelo mundo das letras, mesmo os que conseguem obter sucesso, assim procedem em algum momento de pouca inspiração, afinal, não dá para escrever pérolas o tempo todo; menos ainda quando se destina tão pouco tempo a uma arte que exige dedicação - apenas duas ou três, no máximo quatro horas, na quinta ou sexta-feira, já antevendo o sufoco do fechamento do jornal.

Para completar, além de um trabalho que exige dedicação exclusiva e inspiração demais da conta para descobrir a notícia, tem e assume uma incapacidade absurda nos dias de hoje: a de não saber administrar o tempo. Assim, mesmo quando acorda cedo, é capaz de passar minutos e minutos, talvez chegar na casa das horas, apenas pensando nos assuntos mais diversos, sem que o corpo faça a menor menção de levantar. Como seria a vida se assim ou assado procedesse? E as lembranças da infância; as oportunidades que teriam proporcionado algum conforto financeiro; os amores perdidos. Mesmo sabendo que não tem como mudar o passado, ainda se pega imaginando a vida se tivesse tomado outro caminho. E o futuro? E a manhã se adiantando...

Tudo é motivo para dispersão.

Lá vai o cursor mudando de lugar. Culpa da modernidade de um notebook e da falta de jeito deste sujeito para as pequenas tarefas. Basta comprar uma plaqueta de plástico para cobrir um quadradinho que tem aqui em baixo e que eu nem sei o nome. Ao menor contato, um raspar de dedo que seja, e o cursor vai parar em outro canto indefinido do texto. Enquanto não cumpre a tarefa hercúlea de passar numa loja de informática o jeito é refazer o estrago.

Tem uma rolinha cantando na vizinhança. Deve ser da espécie cabocla, já que nunca vi uma rolinha "cascavelinha", aquelas arrepiadinhas, nas ruas de Natal. As bichinhas são umas sobreviventes. Elas e os bem-te-vis. Deve haver mais, mas não consigo ver ou ouvir outras espécies de pássaros do campo que se adaptaram ao caos urbano. Lembro de um ou outro gavião que vira notícia depois de atacar quem se aproxima de seus ninhos. A rolinha continua, insistentemente, trazendo lembranças da infância passada nos sítios.

Lá foi o cursor de novo...

Paciência Spider, já ouviu falar? É um santo remédio para as horas vagas. Mas que horas vagas? Não tenho, mas trato de destinar minutos preciosos e desafiar o computador neste jogo de cartas. A maioria prefere jogos elaborados, lançados aos montes e com cópia disponível na Internet. Depois de encarar uma temporada de Age off Empires - um jogo de guerra entre grandes civilizações, que consumia horas e horas à frente do computador -, fui regredindo tecnologicamente. Passei a buscar adversários na rede para partidas de gamão; portugueses, ingleses e franceses em sua maioria. Joguei também com russos, turcos e chineses. Perdi a paciência com a falta de esportividade dos estrangeiros, que invariavelmente desistiam quando estavam perdendo. Agora o meu vício eletrônico e uma coisa primária, muito embora prefira encarar o desafio com quatro naipes. Minhas estatísticas são sofríveis: recorde 1.071 pontos; 81 vitórias e 689 derrotas - 41 delas seguidas. Mas é uma fuga diante da página branca ou de linhas mal-acabadas. Volto já!

1.026 pontos e mais uma vitória; o aproveitamento já passa dos dez por cento.

Alguém armou uma rede no quarto vizinho. Pronto, agora é que a inspiração não chega. Reeec... reeec... Tenho que lembrar de pôr óleo lubrificante no armador, mas, no mesmo instante, lembro que esta é outra daquelas pequenas tarefas que não consigo cumprir de maneira nenhuma. Quem sabe agora, que terei uma semana de férias? O barulho vai diminuindo e tento me concentrar nestas maltraçadas. Reeec... reeec... Na certa foi outra pernada na parede, para retomar o ritmo do balanço. Acho que vou fazer o mesmo. Tentar escrever no conforto de uma rede. E a coluna? Não a do jornal, a minha! O ronco do armador também remete à infância, num tempo em que dormir de cama era coisa apenas para famílias abastadas. E o doce cheirinho de rede limpa; o rec, rec que ia sumindo aos poucos na medida em que o sono chegava, como agora...

Agora é hora de almoçar e ir para o trabalho. Lá vai o cursor de novo. Daí me Deus, paciência, concentração e inspiração para vencer estas poucas linhas que faltam! E, se não for pedir demais, me arranje um bom desfecho.

...

Acho que o Homem está muito ocupado. Mas vou continuar pedindo; quem sabe fazer até promessa para conseguir administrar melhor o tempo. Já escolhi até o santo: São João Bosco. Ele teria dito que "uma hora economizada pela manhã é um tesouro no fim do dia". Devidamente adequado às imposições do relógio, poderia cumprir minhas pequenas tarefas e fazer do ato de escrever uma tarefa menos aperreada. Depois sentir o conforto que é digitar este último ponto final, com o perdão do desrespeito à regra gramatical, com toda a deferência "."

 

Crônica de uma viagem III

Gilbamar de Oliveira
gilbamarbezerra@ig.com.br 

O ruidoso grupo comandado por diversos monitores de empresas de turismo, que formava aquela sinuosa fila amontoada de malas, pacotes e bugigangas, certamente havia decolado na trilha dos seus respectivos destinos quando regressamos ao aeroporto. Como nossa bagagem já tinha sido despachada após o chek in, restando somente saber se haviam resolvido o impasse do traslado de Porto Alegre até Gramado, dirigi-me ao galpão da T... Informaram-me que desde o momento em que fomos para o hotel eles tentavam se comunicar, sempre em vão, com a responsável pelo traslado, por conseguinte isso ainda não estava definido. Continuariam objetivando equacionar o entrave, disseram, nós fôssemos para o Rio Grande do Sul e até chegarmos lá, provavelmente, tudo se resolveria a contento enquanto isso. "Dará tudo certo, não se preocupe", garantiu-me a solícita gerente de plantão. Que remédio!

Quando o avião finalmente decolou o alvorecer enchia o horizonte de cores fracas pinceladas por invisíveis mãos ainda preguiçosas. Nossa primeira escala seria em Brasília. Graças a Deus alcançamos o céu em poucos segundos e logo deslizávamos pelas nuvens serenamente, cortando seus flocos algodoados com respingos de gotículas do sol já despertando aos bocejos paulatinos. Colocamos fone de ouvido para ouvir algum dos canais de música à disposição, abrimos a revista de bordo e nos deixamos levar pela impensável leveza da mastodonte aeronave voando como um imenso pássaro prateado assustando o amanhecer. Socorro!, nós nos encontrávamos a mais de onze mil metros de altura e a uma velocidade de mil e cem quilômetros por hora. O comandante deu-nos as boas-vindas, fez gracinhas com a temperatura em Brasília, nosso primeiro destino, depois os miniterminais de TV acoplados ao teto do avião se deslocaram ficando em posição vertical e começou a velha e conhecida baboseira de explicar-nos o uso das máscara de oxigênio e exibir-nos as portas de emergência, o saco de sempre. Afundei na poltrona.

O aeroporto de Brasília fervilhava, e o pior é que os vôos por lá também estavam atrasados. Estudantes, jogadores de diversas modalidades esportivas, políticas, gente usando paletó e calça jeans, rindo, lendo, conversando, insatisfeita, enfim, aquele humanológico característico            desses locais onde se aglomeram centenas de pessoas buscando seus rumos. Ninguém sabia a que horas nosso vôo para Porto Alegre iria se concretizar. Perambulamos pelas imediações, anotamos fatos engraçados e/ou interessantes, conversamos, fizemos planos, devaneamos e tornamos a passear vendo os ônibus levando e trazendo passageiros que iam e vinham. E lá estava ele novamente! Quem? O furioso gaúcho, claro, aquele que embarcou conosco indo também para a capital do Sul. Ainda tentamos nos esconder dele, mas não adiantou, fomos vistos. Carrancudo como antes no aeroporto de Natal, brandindo seu cartão de embarque furiosamente, já veio ao nosso encontro explodindo frases de descompostura contra o caos aéreo, as companhias de aviação e seus responsáveis, sem nos dar chance de responder ou dizer algo. Quando ele virou o rosto e apontou para os diversos portões de embarque falando qualquer coisa sobre desinformação nós aproveitamos para desaparecer de sua presença, rindo da cara dele e de nosso comportamento levado.

Mas os minutos se foram, formaram horas e nada. Quanto mais ônibus saíam do salão de embarque lotados na direção da pista onde se encontravam os aviões mais gente ia chegando e abarrotando o espaço. Por mais três vezes o gaúcho nos avistou e fez menção de se aproximar, mas dávamos sempre um jeito de escapar dele feito crianças brincando de esconde-esconde. E nesse comportamento lúdico percebíamos que muitos circunstantes até dormitavam pelos cantos enquanto lentamente o tempo andava. Difícil dizer as razões de tanto atraso. Seria porque havia passageiros demais ou aviões de menos? Por fim, anunciaram nosso vôo e saímos correndo juntamente com uma multidão até o portão de acesso ao transporte coletivo. Conseguimos dois lugares a duras penas após enfrentar uma fila horrorosa e os caras-de-pau dando jeitinhos para furá-la. Estacionamos ao lado do avião, todos descendo apressados para embarcar o mais rápido possível sob um sol escaldante ladeado de ralas nuvens esboroantes.

 

Manifesto em defesa de la mala película

Fernanda Gurgel
fernanda@eictv.org.cu

nandapig@gmail.com

Cuba, 14 de maio de 2008  - Saio em defesa dos estudantes, dos amadores, dos videastas, vídeo-makers, vídeo-loucos, dos artistas, dos sonhadores, de mim mesma e digo: 90% de todos os filmes do mundo são ruins.

Espero com isso tirar um peso dos ombros de todos os que pensam mil vezes antes de disparar com suas câmeras com medo de fazer besteira. A gente tem mais é que fazer filme ruim mesmo. É igual à história do fotógrafo que publica um livro de fotos premiadas, mas que para chegar àquelas 100 maravilhosas imagens teve que registrar 1.000 ou 2.000.

Durante anos. A prática faz o gênio. Talvez né, porque tem gente que não aprende…. Mas o negócio é trabalhar, trabalhar todos os dias. E editar. Porque também gravar horas e horas e deixar as fitas mofando não vale.

Acabamos de passar um mês completo filmando curtas em super 16mm. Eu estava num grupo de 11 pessoas. Ou seja, 11 produções. Uma guerra literalmente. Cada um de nós passou por todas as funções: direção, assistência de direção, produção, assistência de produção, som direto, microfone, assistência geral, script-edição, refletorista, fotógrafo e assistência de câmera. Filmar em película de verdade é mais bonito, mais emocionante, mais caro e nada prático. Carregamos peso, montamos equipamentos, comemos mal, acordamos cedo, dormimos tarde, trabalhamos sob o sol de matar. Sofremos muito. E faríamos tudo de novo, simplesmente pelo fato de que fazer cinema é muito melhor do que ir ao cinema. Pensando bem, se todos pudessem fazer filmes o cinema deixaria de existir, porque não haveria mais público, só equipe técnica. Quando o cinema vira profissão, assistir filmes perde a graça. Mas o set, a locação, o planejamento, o suor, o trabalho pesado, isso sim é apaixonante e viciante. E a pós-produção nem se fala. É aí que os milagres acontecem.

Voltando ao tema do manifesto, as malas películas, em junho (sic) vamos ver o resultado desse mês de prática. Certamente o nervosismo e a inexperiência vão estar na tela. E dos 40 trabalhos de toda a turma poucos serão bons realmente. Mas isso pouco importa, o que vale é aprender e guardar bem as lembranças dos nossos queridos filmes ruins. Eu por enquanto estou tranquila. Decidi seguir uma filosofia muito simples. O meu melhor filme vai ser sempre o próximo.

 

Exupéry em Natal? Eu não duvido

Luiz Gonzaga Cortez
jornalista e pesquisador 

Eu não duvido das fontes orais e escritas sobre a presença do piloto Antoine Saint-Exupéry em Natal, no final da década de 20 do século passado, no início da fase épica das viagens transatlânticas da aviação européia. Por que não? Delírio? Várias pessoas e testemunhas deixaram depoimentos na imprensa natalense, nos últimos 30 anos (Diario de Natal, Dois Pontos, Tribuna do Norte e o programa Memória Viva da TV-Universitária-Canal 5), asseverando que o piloto francês esteve na taba potengina. Há textos publicados em livros, jornais e revistas, além dos relacionados no Google e outros sítios de buscas. Há referências que não são consideradas pelos adversários da tese de que Exupéry esteve em Natal.

Há fontes que não são comentadas pelos jornalistas e pesquisadores que tacham de invencionices de intelectuais potiguares. Quais? Vamos exemplificar. O jornalista Talis Andrade, no blog coração noturno, publicou em 20/04/2008, um pequeno texto intitulado "Saint-Exupéry em Natal", que nos traz uma pista sobre Exupéry em Natal.  O autor esteve em Natal em fevereiro passado e bebeu vinho com Ticiano Duarte e Woden Madruga. Talis faz referências elogiosas a WM sobre a polêmica vinda de Exupéry, etc, etc. Do meio para o fim do seu artigo, Talis Andrade, que escreveu reportagens sobre aviação na década de 50, diz o seguiunte: "Em 1927, começa a exploração da linha comercial Buenos Aires-Natal. Em 1928, Saint Exupéry escreve Correio Sul e, começos de 1929, entrega os manuscritos à editora Gaston Gallimard.

Quatro meses depois viajou para a América do Sul, para estudar a possibilidade de criar novas linhas aéreas. Terminou em Buenos Aires, e para chegar lá fez escala em Natal. Não havia outra rota. No Correio Sul, p.10, escreve:

<<<-Apressemo-nos, senhores, apressemo-nos...

Mala por mala, o correio mergulha no ventre do aparelho. Verificação rápida: - Buenos Aires...Natal... Dacar... Casablanca... Dacar... Trinta e nove malas... Exatos?

- Exato.>>>

Em 1929, começou a escrever Vol de Nuit.

A briga pelos Correios vem de longe. E Lula quer privatizar os Correios sem os Telégrafos.

Talis Andrade."  Extraído às 17h;15m do dia 24/06/2008 do sítio http://coracaonoturno.blog-sae.com.br.

No seu bonito romance "Maranduva", o escritor potiguar Pedro Lins Neto, dentista aposentado, após exaustivas pesquisas sobre a história do Rio Grande do Norte, relata na página 49 que o debate sobre o "acontecimento inequívoco" tinha cessado  "e eis que a insuspeitíssima Revista Terra, na edição de nº 136, de agosto de 2003, dá agora enfoque ao esquecido assunto, na pag.29 publicando História de Aviadores e Árvores, com recorte de jornal da época, onde se vê a manchete Saint-Exupéry em Natal, contendo a sua foto". Ao me deparar com um exemplar do livro, fui encontrar o seu autor no dia 28 de outubro de 2007, em sua residência, em Candelária. Pedro Lins não encontrou a edição da Revista Terra, mas informou que fotocopiou a reportagem com a foto inédita de Exupéry em Natal, e entregou ao professor Cláudio Galvão para análise. Talvez seja uma nova fonte para alicerçar a versão de que o piloto francês Antoine de Saint-Exupéry teria passado por Natal e alimentar e requentar a polêmica?  Acredito que não devemos desprezá-la, pois o assunto não vai morrer tão cedo, tendo em vista que há pessoas que não vão se calar nem parar de pesquisar e escrever a respeito do piloto-administrador da Latécoère Antoine de Saint-Exupéry que ficou mundialmente famoso após o fim da II Guerra Mundial, após a publicação do livro "O Pequeno Príncipe".

 

De Natal a Manhattan - holandeses e judeus

Laélio Ferreira

Pero Mendes de Gouveia, Capitão-mor (espanhol, segundo alguns), ferido nos combates, muito macho, não entregou a Fortaleza, A rendição (1633) se deu por obra e graça da covardia dos subalternos. Começara mal, assim, a dominação holandesa no Rio Grande. A galegada flamenga de Olinda e Recife, cinco  anos depois da conquista de Pernambuco, estava de olho no gado, no açúcar e na mandioca da terra. A Reis Magos virou Castelo Keulen, a incipiente vila de poucas palhoças, na Cidade Alta, foi rebatizada: Nova Amsterdã. Começou a inhanha: a exploração, a violência, os massacres - um deles, o de Uruaçu, poucos dias depois da vitória.

Jacó Rabi (rabbi em hebraico, significando"mestre"), Conselheiro da Companhia das Índias, judeu alemão, pintou e bordou em Cunhaú (1645), matando muita gente. Esse camarada arranjou amizade com os tapuias Janduís, comandando uma uma tropa de choque, violenta longa mano dos interesses batavos. Era tão ruim que os próprios judeus, portugueses e protestantes, prejudicados com suas façanhas, forçaram o seu assassinato, a mandado do coronel holandês Gartsman, casado com uma brasileira.

Significativa, intensa até, foi a presença israelita no Nordeste durante a ocupação flamenga. Tangidos de Portugal e Espanha, acusados de heresias -vivendo outros na própria Holanda mas originários da Península, - os sefardins, ricos, chegavam aos nossos portos, atraídos pelo comércio, ganhando dinheiro, prosperando.

 No Recife. fundaram a primeira sinagoga das Américas. Gilberto Freire afirmava que, desde Cabral, de dez portugueses que vinham para cá, oito eram judeus marranos (cristãos-novos).

No Rio Grande, hoje, pouca gente se dá conta da sua origem hebraica. Vencidos os holandeses nos Guararapes, liberada a Capitania, sua  fortaleza e sua vila primeira (Natal), a maioria dos judeus afortunados da região - marranos ou não - se escafedeu para o Caribe e para uma outra "Nova Amsterdã", um entreposto flamengo, na ilha de Manhattan - que depois, sob o guante da espada inglesa, viria a ser chamada de Nova Iorque. Esse grupo ajudaria a fundar o império capitalista americano. Os outros, os menos bafejados pela sorte, obrigados novamente a se cristianizarem, foram palmilhar os caminhos do sertão, misturando-se às populações indígenas. Ficaram, todavia, os sobrenomes reveladores:  Carvalho, Moreira, Nogueira, Oliveira, Pinheiro, Lopes, Dias, Nunes, Souza, Medeiros, Costa, Cardoso, Fonseca e tantos outros. Dos costumes e manias - afirmam, por aí -, deixaram-nos a carne de sol, o comércio à prestação, de porta em porta, a pintura das casas no final do ano, a sangria dos animais para a alimentação, o sepultamento dos defuntos envolvidos em mortalhas.

Os holandeses, por sua vez, parece (ainda bem, ainda bem!), só nos deixaram os Wanderley do Assu - salvas algumas poucas exceções, gente de brio, de prumo, de engenho e de muita arte, até nossos dias...

 

Seres claros. Seres escuros

Flávio Rezende
escritorflaviorezende@gmail.com

Tenho sido relativamente repetitivo em meus artigos com citações das maravilhosas caminhadas mundo adentro. Mas são elas, que me levam a situações diversas e me elevam a patamares observatórios, inspirando a mente a produzir textos que refletem pensamentos que brotam no passar dos pés por calçadas, areias, asfaltos, becos, vielas, ruas, avenidas e beiras de mar.

Estou vivenciando um momento especial e por isso mesmo, caminhando por lugares diferentes dos que habitualmente transito. Em virtude do novo cenário já não compartilho da doce presença dos insetos, lagartixas, exuberante vegetação e chananas, tão presentes, que amigos são numa troca de energias mútuas que muito bem faz a este ser escrevinhador.

Adepto que sou da lei do contente ando feliz pelos novos caminhos, buscando com os olhos a amizade dos transeuntes, com o coração a cumplicidade dos passantes e, com a mente, a captação dos viventes, para que possa processar dentro de mim, a miscelânica vitamina da arte de viver, com a salutar pitada da doçura e a necessária digestão do bem querer.

E os novos trajetos apresentam um cenário com muitos seres, em situações complexas, remetendo meu pensar para julgamentos mistos. Sei que julgamentos revelam inferioridade espiritual, mas infelizmente, somos muitos nesta incômoda situação. Só aqueles que admiramos, que alcançaram elevados patamares espirituais, conseguiram transcender a arte de julgar, deixando que todos fluam como rios, naturalmente, para o oceano divino.

E neste julgar, que não é proposital, é até natural e não contém elementos depreciativos, vamos vendo uns e outros, achando isso ou aquilo, sempre a partir de nossos filtros interiores e de nossos valores adquiridos, numa seqüência interessante de seres claros e de seres escuros, aos quais disseco agora algumas considerações.

Os seres claros, que vamos encontrando no caminho, são percebidos claramente pela boca. Se não estão sorrindo de maneira explícita, estão com os músculos sempre armados para o gostoso desabrochar da arcada feliz. Eles gostam de elogiar, de dar um toque com as mãos gostoso e não invasivo, de incentivar as boas práticas e, tem sempre uma palavra de carinho reservada no coração.

Os seres claros são como postos de gasolina. Quando saímos de perto, nos sentimos sempre cheios de boas energias. Eles tornam a vida bela e a caminhada segue com a incorporação da felicidade, pois imprimiram em nosso coração, o que alguns chamam de amor, posto que significando vida plena, é isso o que fica deles em nós.

A caminhada também mostra os seres escuros, com suas conversas cheias de códigos, teorias de difícil compreensão, papos demorados e sinuosos, em tentativas constantes da obtenção de algo com o esconder de alguma coisa.

Enquanto os seres claros exalam um doce perfume, os seres escuros são sempre mal-cheirosos, insalubres, com gingados corporais extravagantes, exagerados adereços e hálitos repugnantes.

Sou do tipo que aceito qualquer conversa, convivo com todos e dou atenção aos seres de todos os naipes, mas, como falei anteriormente, não consigo ainda controlar a mente que julga esses seres escuros como carentes de espiritualidade, dignos de ajuda e que, urgentemente, devem aderir à estrada da vida saudável, abandonando vícios, corrigindo a linguagem e procurando mais dignidade para seus próprios seres, por vias mais límpidas, disponíveis que estão para todos, pela democrática graça da divindade, que a todos abraça e a todos quer bem.

Caminhando por aí, sorria para os seres claros, compartilhe com eles a maravilha que é viver e, podendo, ajude a acender uma luz dentro dos seres escuros, eles precisam ver cada vez mais claramente que a vida é bela e que o sol nasce para todos.

 

Astier Basílio
astierbasilio@gmail.com 

Companhia paulistana de dança se apresenta em Mossoro na próxima quarta-feira

A Companhia de Dança “Cisne Negro” (SP), reconhecida no Brasil e no mundo, promete uma grande apresentação em Mossoró  no próximo dia 10 de setembro. O espetáculo “Revoada” será realizado às 21h, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, com ingressos no valor de R$ 20 inteira e R$ 10 estudante. Dezesseis artistas fazem parte do elenco da companhia paulista, que além de ‘Revoada’ irá encenar outras duas coreografias: “Trama” e “1,2...7”. Na segunda-feira dia 8 de setembro o espetáculo acontece em Natal, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão.

A apresentação da Cisne Negro celebra os mais de 30 anos de uma das melhores companhias de dança contemporânea do país. As entradas estão à venda na Poty Livros 3317-2022.

Os trabalhos da Cia. Cisne Negro foram apresentados nas principais cidades do Brasil e na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Uruguai, Paraguai, Argentina, Alemanha, Moçambique, África do Sul e Chile. O grupo exibiu um modelo de trabalho dentro da dança brasileira construído com profissionalismo.

SERVIÇO:

“REVOADA”

Espetáculo da Cia. de Dança Cisne Negro (SP)

Data: Quarta-feira, 10 de setembro, às 21h

Local: Teatro Dix-huit Rosado

Vendas antecipadas: Poty Livros 3317-2022.

Produção: Lula Belmont 9423-0165

Contato: contatohangar@yahoo.com.br

Cisne Negro Cia. de Dança - SP

Com 31 anos de existência, a Cisne Negro Cia. de Dança é considerada uma das melhores companhias contemporâneas do país e tem como filosofia a originalidade, a tradição e a preocupação de formar novas platéias, buscando públicos capazes de apreciar a inovação e a beleza.  

A companhia nasceu de uma circunstância especial: sua diretora artística, Hulda Bittencourt, juntou as alunas do já famoso Estúdio de Ballet Cisne Negro com alguns atletas da Faculdade de Educação Física da USP. A aproximação desses dois universos deu ao grupo sua principal característica: uma dança energética, viril e de grande qualidade técnica e artística.Os trabalhos da companhia inserem-se dentro do panorama contemporâneo da dança e desde o início a companhia trabalha com coreógrafos inovadores e jovens, dentre os quais se destacam Vasco Wellencamp (Portugal), Gigi Caciuleanu, Patrick Delcroix (França), Mark Baldwin (Inglaterra), Ana Maria Mondini, Dany Bittencourt, Denise Namura, Tíndaro Silvano, Mário Nascimento e Rui Moreira (Brasil), Júlio Lopes e Luis Arrieta (Argentina), Michael Bugdahn (Alemanha), Victor Navarro (Espanha) e Itzik Galili (Israel).

A Cisne Negro Cia. de Dança já se apresentou nas principais cidades do Brasil e também em diversos países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Uruguai, Argentina, Alemanha, África do Sul, Chile, Cuba e Moçambique, mostrando seu trabalho dentro da dança brasileira construído com profissionalismo e paixão.

Programa do espetáculo em Mossoró:

Apresentação de três coreografias:

A primeira “REVOADA” do coreógrafo Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.

Em seguida a coreografia “1,2...7” do coreógrafo Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.

Na seqüência um pequeno intervalo de 15 minutos.

E finalizando a apresentação da noite a coreografia “Trama” do coreógrafo Ruis Moreira com música de Lenine, Marco Suzano, Mestre Ambrósio e temas da coletânea "Música do Brasil".

Programa do espetáculo em Mossoró:

Apresentação de três coreografias:

·A primeira “ REVOADA” do coreógrafo Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.

·Em seguida a coreografia “1,2...7” do coreógrafo Gigi Caciuleanu com música de Stravinsky.

·Na seqüência um pequeno intervalo de 15 minutos.

·E finalizando a apresentação da noite a coreografia “Trama” do coreógrafo Ruis Moreira com música de Lenine, Marco Suzano, Mestre Ambrósio e temas da coletânea "Música do Brasil".

 

Ariel Kostman

As Obsessões de Machado de Assis

No Rio de Janeiro, o hábito de tomar banho de mar sem fins terapêuticos surgiu nos anos 80 do século 19. Era necessária toda uma produção. Uma tenda era erguida na praia do Flamengo ou na de Botafogo — Copacabana era então considerado um lugar remoto. Os homens usavam um maiô largo, no estilo aqualouco. As mulheres, trajes que não marcassem a silhueta — e eram orientadas a voltar para casa antes de o sol ficar forte, para evitar os olhares curiosos dos pescadores. No conto A Chave, publicado no livro Páginas Esquecidas: Uma Antologia Diferente de Contos Machadianos, organizado por Álvaro Martins, que chega às livrarias neste mês, Machado de Assis leva para a literatura esse hábito recém-incorporado ao cenário carioca. No texto, o autor conversa com o leitor a respeito dos personagens. Quando o assunto é a moça que protagoniza a história, Machado usa uma linguagem direta. Quando é o pai dela, se vale do tom empolado que dominava as letras brasileiras na época do romantismo — e que, no tempo em que se passa o conto, soava tão antiquado quanto um maiô de aqualouco nos dias de hoje. A Chave é uma obra menor na produção do maior escritor brasileiro, mas no pequeno trecho descrito acima (veja texto na página 36) estão presentes dois dos temas pelos quais Machado se tornou conhecido: o hábito de dialogar com o leitor e a zombaria da fala empolada, em nome de um estilo mais direto — a linguagem que, mais tarde, se tornaria típica do realismo.

A leitura de Páginas Esquecidas provoca uma reflexão. Durante muito tempo, os manuais de literatura apresentavam o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas como um personagem dividido em dois — justamente antes e depois de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Antes estaria o Machado romântico, emulando um estilo do passado e, nele, forjando as características de uma prosa própria. Depois da revolução de Memórias Póstumas, teria surgido o Machado realista, com pleno domínio de seu ofício. Os estudos mais recentes sobre o escritor carioca mostram que a realidade é bem mais complexa. Machado experimenta, efetivamente, a evolução pela qual passa todo escritor em busca de um estilo. Ao longo dessa trajetória, no entanto, ele retorna obsessivamente aos mesmos temas, que aparecem nas obras de juventude e nas de maturidade, nos textos despretensiosos como o conto A Chave e nas obras-primas como Dom Casmurro. Pode-se dizer, assim, que esses temas seriam suas "obsessões". Além do diálogo com o leitor e da sátira ao pedantismo, o ciúme, o dinheiro e o parasitismo da elite estariam entre elas.

 

TEATRO

Festuern se consolida em escola de talentos

Jucilene Mendes
Juci_jm@hotmail.com

O Festival de Teatro da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Festuern) já é considerado o maior na área do Estado. O projeto surgiu com o objetivo de despertar nos alunos de escola pública o interesse pela arte, assim como também uma visão mais crítica da sociedade.           

Este ano foi realizada a sexta edição do Festuern que homenageou o poeta mossoroense Antônio Francisco, conhecido popularmente pelos cordéis que desenvolve. O evento realizado no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, contou com a participação de 61 grupos artísticos, sendo 39 destes provenientes de escolas públicas municipais e estudais de todo o Rio Grande do Norte, de cidades como Assú, Alto do Rodrigues, Upanema, Macau, entre outras e ainda 18 de Mossoró.

A coordenadora de administração, Telma Maia, disse que os grupos teatrais são selecionados da seguinte forma: primeiro são abertas às inscrições para todas as escolas públicas, depois é realizado um seminário e, por último é feita uma oficina com os grupos escolhidos. Alguns grupos, segundo a coordenadora, participam desde o início do projeto.

O projeto tem patrocínio da Petrobras, que destina R$ 120 mil de acordo com a Lei Estadual de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo, e conta ainda com o apoio dos educadores do município.

Ao longo desses anos, o Festuern tem conseguido atingir sua meta, proporcionando oportunidades às crianças e jovens de escolas públicas, aplicando nesses a admiração pela arte e uma nova forma de vida.

Festival provoca mudanças na vida de jovens estudantes  

A Escola Cônego Estevam Dantas, localizada na avenida Alberto Maranhão, formou o "Grupo de Teatro Nascer" há quatro anos, quando foi convidada para participar da terceira edição do Festuern. Desde então, o grupo continuou fazendo apresentações na própria escola em datas comemorativas.

A coordenadora da companhia de teatro, Luciana Duarte, destaca as mudanças que ocorreram com os jovens depois da formação Grupo de Teatro Nascer. "O comportamento desses alunos que participam da companhia mudou para melhor. Hoje eles estão mais comprometidos com a formação pessoal e escolar", afirma.

Ela conta que também recebe incentivos da própria escola, dos pais dos alunos e ainda recebem ajuda financeira do Governo do Estado e de uma empresa comercial de Mossoró. "Recebemos doação de objetos e fazemos uma rifa dele para adquirir dinheiro", afirma Luciana.

A coordenadora, que está na direção da equipe desde a sua formação, disse que 25 alunos do 4º ao 9º ano, participam do grupo atualmente. Este ano, Nascer apresentou o espetáculo "Chuvisco de Bala" durante o Festuern, com texto de Tiago Cristian, técnico em sonoplastia do Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Ela também informa que o mesmo espetáculo será encenado no próximo mês, na Semana da Criança promovida pela Petrobras.

Sociedade dos Poetas do RN realiza campanha para arrecadar livros e divulgar a literatura potiguar  

A Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte (SPVA/RN), em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares no RN (Sintect/RN) e a Casa do Cordel, está promovendo a campanha "Unindo dos Rios através da Poesia".

O objetivo da ação é arrecadar, até o dia 28 de setembro, doações de obras literárias para o XVI Congresso Brasileiro de Poesia, que será realizado de 5 a 11 de outubro na cidade de Bento Gonçalves (RS). "Queremos levar nossa literatura para fora do Estado", diz a membro da SPVA e cônsul da Associação dos Poetas Del Mundo no RN, Deth Haak.  

Os livros arrecadados serão doados ao Rio Grande do Sul para que sejam distribuídos nas bibliotecas das escolas daquele estado. Para Deth Haak é importante participar dessa campanha, pois na verdade, o evento agrega outros dois e reúne diversos poetas de todo o mundo. São eles: XVI Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas e a XIII Mostra Internacional de Poesia Visual.

Em contribuição a campanha, a Coleção Mossoroense está disponibilizando em torno de 50 obras entre livros e cordéis de autores da cidade. "Isso é ótimo para a gente, pois servirá para mostrar a representatividade dos autores regionais ao terem seus trabalhos divulgados fora do Estado", afirma o editor-assistente e poeta Caio César Muniz.

Qualquer escritor pode doar. Para isso, basta enviar ou entregar as obras até o próximo dia 28, à rua Vigário Bartolomeu nº 578, Centro - Casa do Cordel, lembrando que o Correio isenta de até 50 kg de Sedex para o Sul.

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