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Ainda não se tem certeza sobre o valor
que o governo federal arrecadará pela exploração das
novas reservas de petróleo acumuladas na camada do pré-sal.
Ainda assim, os estados já se digladiam pela maior fatia
dos royalties. Enquanto isso, 60% dos recursos globais
autorizados em orçamento para este ano oriundos da fonte
de “compensação financeira por exploração de petróleo
ou gás natural” ainda não foram aplicados pelos governos
federal e estaduais. Dos R$ 24 bilhões previstos no
orçamento para 2008 com recursos originados dessa fonte,
apenas R$ 9,7 bilhões foram efetivamente gastos até
agora, incluindo os chamados restos a pagar - dívidas
de anos anteriores roladas para exercícios seguintes.
Do montante previsto exclusivamente para uso do governo
federal, R$ 8,9 bilhões, pouco mais de R$ 7 bilhões
(79%) estão congelados na chamada reserva de contingência,
que anualmente ajuda nas metas de superávit primário
do governo federal
Além disso, da arrecadação global
de royalties sob responsabilidade da União este ano
(R$ 8,9 bilhões), apenas R$ 763 milhões foram desembolsados,
o que representa somente 9% do total previsto em orçamento.
A compensação financeira é restituída pelas empresas
concessionárias ao orçamento da União por meio dos royalties
– valores pagos sobre a produção bruta de petróleo –
e das “participações especiais” – calculadas sobre a
receita líquida trimestral dessa produção e só para
uma produção de 30 mil barris por dia ou mais.
Dentre os baixos índices de gastos
realizados com recursos adquiridos pelos royalties,
destaca-se o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O órgão
é responsável por administrar R$ 1,1 bilhão dos recursos
originados da compensação financeira por exploração
de petróleo ou gás natural, mas até agosto aplicou apenas
R$ 1,2 milhão – o que não representa sequer 1% do orçamento
global previsto para a pasta
Do valor global administrado pelo
órgão, R$ 9,6 milhões (1%) são efetivamente passíveis
de execução com despesas do ministério, segundo informa
a assessoria do MMA. O restante é enquadrado na reserva
de contingência. Os recursos são utilizados no desenvolvimento
de estudos, pesquisas e projetos relacionados com a
preservação do meio ambiente e a recuperação de danos
ambientais causados pelas atividades da indústria do
petróleo.
Em seguida, o menor percentual de
execução está a cargo do Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT), que neste ano desembolsou somente 23% do R$ 1,4
bilhão autorizado em seu orçamento (veja tabela do MCT).
Segundo a assessoria do MCT, parte do orçamento ainda
está em processo de elaboração de edital para ser liberado.
“Os editais serão lançados em breve pela Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep), mas todos os recursos
serão aplicados até 2010, conforme projetado, em março
deste ano, pelo Conselho Gestor do Fundo Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico”, explica a
assessoria em nota.
Dentre as ações do MCT com base nos
recursos arrecadados por royalties estão as atividades
de pesquisa, de qualificação de recursos humanos, diagnóstico
das necessidades e prognóstico das oportunidades para
a indústria do petróleo. Os recursos do ministério devem,
ainda, financiar programas de amparo à pesquisa científica
e ao desenvolvimento tecnológico aplicados ao setor
do petróleo e do gás natural.
O Ministério da Defesa também desembolsou
pouco este ano com verba originada da fonte de compensação
financeira por exploração de petróleo ou gás natural.
Somente 20% do total de R$ 1,7 bilhão foi gasto pela
pasta (veja tabela da Defesa). A Marinha do Brasil,
responsável pela execução do orçamento levantado pelos
royalties do petróleo destinados à Defesa, justifica
que o montante disponível para o ministério é composto
por R$ 706 milhões da reserva de contingência e por
R$ 994 milhões de Orçamento de Custeio e Capital (OCC),
que incluí as despesas do dia-a-dia do órgão. “Do montante
passível de empenho, a Marinhas do Brasil efetivamente
gastou cerca 45% (R$ 297,03 milhões)”, justifica o ministério.
A Marinha esclarece, ainda, que a
limitação nos gastos se dá, principalmente, pelo contingenciamento
aplicado ao Ministério da Defesa. Segundo o ministério,
o orçamento é utilizado para atender aos encargos de
fiscalização e proteção das áreas de produção do petróleo.
Além disso, com esses recursos a Marinha custeia a manutenção,
reaparelhamento e reparos de equipamentos, a aquisição
de combustíveis e sobressalentes utilizados nas missões
e a capacitação de pessoal.
Os royalties administrados diretamente
pelo Ministério de Minas e Energia (MME) totalizam R$
4,5 bilhões em 2008. Desse total, apenas 2% foram efetivamente
gastos. Segundo o MME, os recursos contemplam programas
do próprio ministério, além de serem redistribuídos
para outros órgãos vinculados, como a Companhia de Pesquisa
de Recursos Minerais – CPRM, por exemplo, para onde
há dotação de R$ 717,5 milhões. Desse montante, 88%
estão contingenciados e somente 5% do valor global foram
aplicados pela companhia até agora. Para a Agência Nacional
de Petróleo e Biocombustíveis – ANP, o orçamento prevê
R$ 3,2 bilhões, dos quais 99% estão destinados à reserva
de contingência (veja tabela do MME).
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