Mossoró-RN, domingo 14 setembro de 2008

A PALAVRA DE DORIAN

O reencontro de dois líderes

Depois de vinte e quatro anos de separação, descaminho, contradição e controvérsia, lutas políticas passionais e profundas mágoas recíprocas, Aluízio Alves e Dinarte Mariz se reencontraram.

Ambos os guerreiros mobilizados, militantes, não entregues.

Ambos divididos em posições, idéias e expectativas.

Ambos, sem renúncia aos seus depósitos de fé, retornaram à cordialidade das relações pessoais.

Num gesto de emoção, porque são necessariamente de emoção as moções singelas da natureza humana, os dois líderes ofereceram ao Rio Grande do Norte, agora diminuído pela avalanche irresistível do arrivismo, uma prova que tanto serve de exemplo como de advertência.

Não se reconciliaram, como o fizeram no passado, outros dois eminentes homens públicos desta nação potiguar, José Augusto e Café Filho, em torno de uma mesa de negociações políticas projetada em defesa de interesses estaduais.

Conversaram, os líderes de agora, sem finalidade pragmática, sem interesse eleitoral, sem revisão de posições, sem que a nenhum tenha inspirado uma demissão, sem a pálida insinuação de um recuo.

Conversaram como homens que não esconderam nem trapacearam as diferenças que os separavam, nem querem cativar nos seus íntimos, no imo de suas almas, as raízes escondidas mas vivas de uma ternura humana sobrevivente.

São dois líderes. Os maiores que o Rio Grande do Norte já produziu. Arrastaram e arrastam fidelidades calmas ou exacerbadas. Vêm recebendo de seu povo, através de longa militância política, na alternância de vitórias e derrotas, todas as distinções que se concedem aos contemporâneos, na flagrância da contemporaneidade.

E como líderes, singulares na pluralidade dos homens e das circunstâncias, não só decifram as exigências do tempo, mas, condutores, fazem as suas horas.

Aluízio Alves e Dinarte Mariz fizeram a hora do dissenso, cada qual aceitando a guerra com a corte de sua violência.

Aluízio Alves e Dinarte Maria fazem agora a hora do reencontro, nenhum a exorcizar o seu passado, a negar os seus motivos e desmotivos, a recuar de suas verdades ardentemente postuladas.

Apertaram-se as mãos, e na conversa amena voltaram ao trato pessoal amistoso e de respeito mútuo.

A nenhum deles ouvi  sobre o encontro, o que me concede liberdade de interpretá-lo.

Acho que os dois mostraram ao Rio Grande do Norte que a liderança legítima lhes cabe, naturalmente, por força deles mesmos, das paixões que os movem nas suas atividades públicas, da grandeza intrínseca que cada um possui, das responsabilidades que lhes cabe não perante eventos isolados, mas em face de uma história política que ou se escreve com agá maiúsculo, ou é melhor que não se escreva.

Aluízio Alves e Dinarte Mariz demonstraram no reencontro que política se faz principalmente com comportamento ético e, se me permitem, com postura estética.

Aluízio Alves e Dinarte Mariz demonstraram que política se faz tanto melhor com o coração, a alma lavada, a dignidade inerente à condição humana - e não com matreirices, subalterno jogo de intrigas e interesses, ódios cevados, armadilhas de desamor, exercícios de traições.

Mesmo exercida com intransigência, e passional, e feroz, a política terá inevitavelmente uma conotação moral, porque o seu objeto é o bem comum. E o bem comum, desconfio, não se alcança com iras insones, ódios eternos, preconceitos insuperáveis, intrigas deformadoras, fabricantes de aleijões que transformam o Rio Grande do Norte num pátio de milagres e são incompatíveis com o sentir do povo, com as suas aspirações éticas e estéticas.

Aluízio Alves e Dinarte Mariz são líderes no encontro, no desencontro e no reencontro. O mais é folclore de baixo estrato.

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