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A
PALAVRA DE DORIAN
O
reencontro de dois líderes
Depois de vinte e quatro
anos de separação, descaminho, contradição e controvérsia,
lutas políticas passionais e profundas mágoas recíprocas,
Aluízio Alves e Dinarte Mariz se reencontraram.
Ambos os guerreiros
mobilizados, militantes, não entregues.
Ambos divididos em
posições, idéias e expectativas.
Ambos, sem renúncia
aos seus depósitos de fé, retornaram à cordialidade
das relações pessoais.
Num gesto de emoção,
porque são necessariamente de emoção as moções singelas
da natureza humana, os dois líderes ofereceram ao Rio
Grande do Norte, agora diminuído pela avalanche irresistível
do arrivismo, uma prova que tanto serve de exemplo como
de advertência.
Não se reconciliaram,
como o fizeram no passado, outros dois eminentes homens
públicos desta nação potiguar, José Augusto e Café Filho,
em torno de uma mesa de negociações políticas projetada
em defesa de interesses estaduais.
Conversaram, os líderes
de agora, sem finalidade pragmática, sem interesse eleitoral,
sem revisão de posições, sem que a nenhum tenha inspirado
uma demissão, sem a pálida insinuação de um recuo.
Conversaram como homens
que não esconderam nem trapacearam as diferenças que
os separavam, nem querem cativar nos seus íntimos, no
imo de suas almas, as raízes escondidas mas vivas de
uma ternura humana sobrevivente.
São dois líderes. Os
maiores que o Rio Grande do Norte já produziu. Arrastaram
e arrastam fidelidades calmas ou exacerbadas. Vêm recebendo
de seu povo, através de longa militância política, na
alternância de vitórias e derrotas, todas as distinções
que se concedem aos contemporâneos, na flagrância da
contemporaneidade.
E como líderes, singulares
na pluralidade dos homens e das circunstâncias, não
só decifram as exigências do tempo, mas, condutores,
fazem as suas horas.
Aluízio Alves e Dinarte
Mariz fizeram a hora do dissenso, cada qual aceitando
a guerra com a corte de sua violência.
Aluízio Alves e Dinarte
Maria fazem agora a hora do reencontro, nenhum a exorcizar
o seu passado, a negar os seus motivos e desmotivos,
a recuar de suas verdades ardentemente postuladas.
Apertaram-se as mãos,
e na conversa amena voltaram ao trato pessoal amistoso
e de respeito mútuo.
A nenhum deles ouvi
sobre o encontro, o que me concede liberdade de
interpretá-lo.
Acho que os dois mostraram
ao Rio Grande do Norte que a liderança legítima lhes
cabe, naturalmente, por força deles mesmos, das paixões
que os movem nas suas atividades públicas, da grandeza
intrínseca que cada um possui, das responsabilidades
que lhes cabe não perante eventos isolados, mas em face
de uma história política que ou se escreve com agá maiúsculo,
ou é melhor que não se escreva.
Aluízio Alves e Dinarte
Mariz demonstraram no reencontro que política se faz
principalmente com comportamento ético e, se me permitem,
com postura estética.
Aluízio Alves e Dinarte
Mariz demonstraram que política se faz tanto melhor
com o coração, a alma lavada, a dignidade inerente à
condição humana - e não com matreirices, subalterno
jogo de intrigas e interesses, ódios cevados, armadilhas
de desamor, exercícios de traições.
Mesmo exercida com
intransigência, e passional, e feroz, a política terá
inevitavelmente uma conotação moral, porque o seu objeto
é o bem comum. E o bem comum, desconfio, não se alcança
com iras insones, ódios eternos, preconceitos insuperáveis,
intrigas deformadoras, fabricantes de aleijões que transformam
o Rio Grande do Norte num pátio de milagres e são incompatíveis
com o sentir do povo, com as suas aspirações éticas
e estéticas.
Aluízio Alves e Dinarte
Mariz são líderes no encontro, no desencontro e no reencontro.
O mais é folclore de baixo estrato.
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