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Fernando Freire

Ele dá continuidade a uma caminhada política iniciada há mais de 60 anos pelo seu pai, o senador Jessé Freire. Detentor da liderança de um dos partidos mais sólidos no Estado, o vice-governador Fernando Freire assume o governo no início do mês de abril para cumprir o desafio de governar diante de um ano que prenuncia os destinos políticos do Rio Grande do Norte por mais quatro anos.

Auto-definido como um político de posicionamentos conciliadores, Freire revela com exclusividade ao jornal O Mossoroense detalhes importantes sobre a transição do governo Garibaldi Filho, a nova composição do secretariado estadual e sobre outras particularidades do processo sucessório envolvendo os principais candidatos ao governo do Estado.

Tendo nove meses à frente da administração estadual, Freire adianta: deixa o governo para iniciar a sua caminhada em busca da prefeitura de Natal e, mostrando-se confiante, declara que precisará convencer para ter o seu projeto político consolidado em 2004.

MÁRCIO COSTA
Editor de Política

O Mossoroense – No processo eleitoral surge um fato novo com o anúncio do posicionamento do PSB. Como o vice-governador Fernando Freire vê o atual momento do processo eleitoral do Estado do Rio Grande do Norte?

Fernando Freire – A posição do PPB é uma posição muito definida. O PPB é companheiro de chapa do governador Garibaldi desde 1994. Repetimos em 1998 e foi do PPB que partiu o lançamento da candidatura do deputado Henrique Eduardo Alves ao governo do Estado. Portanto, nós estamos com uma posição definida, consolidada. Naturalmente, você está se referindo ao fato novo, o recente posicionamento do PSB. Eu diria a você que essa é uma questão interna do partido e não cabe a nós, do PPB, desenvolvermos qualquer análise acerca dessa questão.

 

OM – Diante da declaração do posicionamento do PSB, pode ocorrer um rompimento com a Unidade Popular?

FF – Eu não torço para que isso ocorra. Eu espero que haja um entendimento e que esse entendimento tenha seqüência. Acho que o PSB é um parceiro que tem muito a contribuir para a eleição da nossa chapa majoritária em 2002. Essa chapa, como todos nós sabemos, envolve a candidatura a governador de Henrique e dos dois senadores, Garibaldi e Geraldo. Portanto, eu, como observador, volto a frisar: essa é uma questão interna do PSB e não me cabe aqui opinar. A observação que eu faço e torço é para que o entendimento ocorra. Acredito que a permanência do PSB na nossa coligação é algo importante e, ao mesmo tempo, no que couber ao PPB, o PPB irá estimular o entendimento, sempre.

 

OM – A decisão parece ter sido amadurecida ao longo do tempo, mas, de certa forma, pegou a Unidade Popular de surpresa. Pelas suas análises, a decisão da prefeita Vilma de Faria foi pessoal ou realmente uma posição do partido em nível nacional?

FF – Não me cabe discutir essa matéria porque, na verdade, como eu disse, esse é um problema interno do PSB... Eu posso falar por delegação dos meus companheiros, pelo PPB. O PPB é uma peça que compõe a Unidade Popular. No que depender do partido, será estimulado o entendimento para que a Unidade Popular mantenha os elementos que a compõem no presente.

 

OM – O jornal Diário de Natal trouxe declarações de um vereador do PPB natalense que afirma que, se Vilma lançar o nome ao governo do Estado, o senhor também deve lançar o seu nome à reeleição. O que pensa a respeito dessa declaração?

FF – Não tenho o que falar sobre essas declarações. O PPB, como eu disse, tem uma posição muito firme com relação à candidatura de Henrique Eduardo Alves. Desde o início, continuamos e vamos continuar marchando com a candidatura de Henrique. Essa declaração do vereador Luiz Almir foi naturalmente uma declaração dentro de um contexto que não cabe aqui nós discutirmos. O importante é que o PPB tem uma posição firme. Eu nunca cogitei ser candidato à reeleição, nem estou cogitando ser candidato à reeleição. O que eu quero é reafirmar, porém, de forma muito clara, muito transparente, é que oferecemos um apoio intransigente à candidatura do secretário Henrique Alves, por enterdermos que é a melhor opcão para o RN e que vai assegurar ao RN dar continuidade a todas essas ações importantes que foram desenvolvidas ao longo desses últimos sete anos.

 

OM – O senhor assume o governo do Estado em abril. O seu partido, o PPB, se fortalece com essa posição?

FF – É inegável que sim. Acho que é o coroamento do trabalho político que o PPB vem desenvolvendo no Estado, apesar do tempo ser exíguo, curto, mas dotado de um esforço grande no sentido de ter condições de dar visibilidade dos nossos programas à população do Rio Grande do Norte. Será uma transição que vai se caracterizar, de um lado, pela continuidade das ações administrativas do governador Garibaldi Filho. Por outro, vamos procurar desenvolver as nossas próprias ações. Ao PPB, na verdade, cabe presidir o pleito, pois temos essa noção de conjunto.

 

OM – O PPB possui um número representativo de lideranças em todo o Estado em níveis executivo e legislativo. Essas lideranças contarão com algum privilégio no governo de Fernando Freire?

FF – Não. É natural que o PPB se sinta confortável para assumir o governo do Estado. Assumindo, vai ter a oportunidade de desenvolver seus projetos próprios, mas a visão do partido vai ter uma visão de conjunto, que é caracterizada pelo PPB. O partido tem trabalhado com essa visão de conjunto desde 1995, com o início da administração Garibaldi Filho. Sempre fomos um elemento convergente dentro da coligação, mantenedor de um posicionamento conciliador, com os olhos voltados para o entendimento com o intuito de elevar o governo do Estado.

 

OM – Como será o governo de Fernando Freire?

FF – Será um governo com total serenidade, sobre tudo. Será um governo muito maduro, consciente de que é um governo de transição, consciente que é um governo que vai atuar num momento particularmente difícil, que é um período eleitoral. Todo período eleitoral é marcado por momentos de tumulto e o PPB tem essa consciência. Então, o que eu posso esperar é um governo sereno, com muita responsabilidade e consciente sobre tudo de seu papel e do papel que deve ser desempenhado neste processo de transição.

 

OM – Serão efetuadas mudanças no secretariado. Existe alguma definição no tocante ao novo quadro?

FF – Esse não será um governo de oposição. Eu gosto e sempre tenho dito isto com muita insistência, porque, na verdade, nós somos partes integrantes da administração Garibaldi Filho. Algumas mudanças terão que ocorrer com força naturalmente de acomodações absolutamente normais. Eu vou lhe dar um exemplo. Na Secretaria de Turismo, o atual titular, o doutor Ivanaldo Bezerra, está deixando a atividade do setor público e vai ingressar em uma nova atividade ligada ao setor privado. O doutor Ivanaldo fez um grande trabalho à frente da secretaria, mas terá que deixar o cargo. Então, é natural que o preenchimento dessa vaga se dê a partir de um elemento já identificado com o nosso programa de governo, que, afinal, é um programa comum ao governador Garibaldi. Não vai haver nenhuma mudança de rumo nem de orientação. Então, como eu disse, nós vamos dar continuidade e acrescentar ações novas do outro. Ele será substituído agora no final de janeiro, pelo doutor Edson Faustino, que é um elemento absolutamente qualificado. É o atual diretor financeiro da Embratur e vai colaborar muito comigo. São questões pontuais e existem outras questões que iremos adaptar.

 

OM – Existem outras definições que possam ser anunciadas?

FF – Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para levar uma palavra aos nossos amigos de Mossoró. Gostaria de confirmar a permanência no governo do talentoso e competente secretário Pedro Almeida na pasta da Educação. Pedro Almeida vem prestando um grande serviço nessa parte e, com toda certeza, será mantido. Ele vai oferecer uma colaboração muito grande nesse processo de transição. É uma indicação que eu quero até aqui convergir com o candidato Henrique Eduardo Alves, uma indicação que, além de ser justa e correta, representa a presença de Mossoró no secretariado.

 

OM – Confirmada a presença do secretário Pedro Almeida no próximo governo, existe algum outro secretário dessa gestão que vai permanecer no governo de Fernando Freire?

FF – Com certeza, existem vários secretários que vão permanecer. Acho apenas que seria impróprio nós fazermos um anúncio agora, uma vez que o processo de transição está em curso e o prazo de contabilização é ainda distante.

 

OM – Especulações davam conta de que o PPB estaria pressionando o governador Garibaldi Alves Filho para se afastar do governo antes do encerramento do prazo constitucional para a desincompatibilização. Houve essa pressão?

FF – Não. Isso é uma matéria rigorosamente vencida. Não houve pressão. Nós já entregamos isso ao governador. O prazo de desincompatibilização é o de 6 de abril. Aliás, prazo que eu sempre trabalhei. O que houve foi uma colocação do partido pela sua dimensão, para se formar um ambiente político que oferecesse ao PPB um prazo, um espaço maior para poder administrar e colocar a sua assinatura com mais tempo na administração do Estado. Isso não traz para nós nenhum tipo de constrangimento. O PPB abordou essa questão às claras, não abordou em gabinete. O partido levou essa questão para o debate de forma muito transparente, e volto a dizer: não há, da nossa parte, nenhum tipo de constrangimento por esse posicionamento político não ter sido formado e que pudesse, por fim, ter havido a antecipação. Nós vamos trabalhar a partir de abril, dentro do melhor clima de harmonia. Não existe, por parte do PPB, nenhum tipo de ressentimento com relação a essa atitude do governador, que é uma atitude, no meu entendimento, absolutamente correta. O normal é o que está sendo feito. Existem alguns pontos de vista políticos diferenciados e você vai me perguntar quais são e sobre a própria dimensão do partido, o que o partido representa e a sua ausência na chapa majoritária.

OM – O PPB irá cobrar a posição de vice-governador na chapa?

FF – Esse é um processo que nós não vamos discutir. O PPB tem hoje vice-governador na chapa da Unidade Popular. Então, já é uma prerrogativa. O PPB tem assegurado o direito de preferência, pela dimensão do partido, por tudo que o partido representa no Estado. O direito de preferência para a indicação a vice-governador é do PPB, isso é inegável, mas temos uma visão de conjunto. Essa é uma questão que vamos discutir oportunamente, em consonância com o conjunto dos partidos que compõe a Unidade Popular.

 

OM – Diante dessa realidade, existe algum nome já trabalhado pelo partido?

FF – Não. São vários nomes. O PPB, felizmente, é um partido que tem hoje grandes quadros e uma boa quantidade de companheiros que teriam todas as condições de exercer honrosamente a chapa encabeçada pelo deputado Henrique Eduardo Alves.

 

OM – O ex-deputado Carlos Augusto declarou que o secretário Henrique Alves seria um candidato fraco. O senhor acredita na vitória de Henrique?

FF – Eu acredito, sim. Perdoe-me discordar do ex-deputado Carlos Augusto. Eu acho que o secretário Henrique tem todas as condições de vencer a eleição. Com certeza, com o programa que vai ser desenvolvido, a compreensão da população do Rio Grande do Norte vai chegar no momento certo. Henrique representa a continuidade de uma administração que é aprovada por 75% da população. Acho que, no momento certo, as ações vão ser desenvolvidas, os debates políticos serão desenvolvidos no momento próprio. Nós estamos vivendo um período pré-eleitoral. Quando nós iniciarmos o período eleitoral propriamente dito, tenho certeza que a população do Rio Grande do Norte vai compreender que ele é o melhor candidato.

 

OM – Qual será a participação do governador Fernando Freire no processo eleitoral?

FF – Será uma participação de um elemento que vem construindo ao lado da Unidade Popular ao longo desses sete anos, contribuindo administrativamente e politicamente. O partido ofereceu apoio à administração Garibaldi Filho na Assembléia Legislativa e hoje administra mais de 50 municípios. O nosso presidente regional do partido é o prefeito Ronaldo Soares, da cidade de Assu, e temos prefeituras importantes como Pau dos Ferros e Caicó. Enfim, são mais de 50 prefeituras. O partido vai oferecer nesse período toda a sua estruturação em favor das idéias dos programas do nosso candidato.

 

OM – O senhor terá oito meses à frente do governo. Esse período pode determinar a sua candidatura a prefeito de Natal?

FF – Não me tire um mês. Para quem já tem pouco (risos). Em nove meses você faz um filho. Eu acho que dá para a gente fazer muita coisa em nove meses. O tempo é curto, não há dúvida nenhuma, temos problemas de contingências por força da Lei Eleitoral. Os convênios só podem ser assinados até junho. O que eu preciso é fazer com que o meu dia seja multiplicado por 3, o que representa 72 horas e vamos ver. Espero trabalhar como eu disse e não quero sair do governo e ir para a fila do INSS. Não pretendo me aposentar. Pretendo continuar na política e contar com a colaboração de todos os amigos para que a gente possa continuar a política do Rio Grande do Norte.

 

OM – Dentro dos seus projetos estaria a instalação de um campus da Uern na Zona Norte de Natal?

FF - Esse é um projeto que vai atender aos anseios da população da zona norte de Natal. Nós estamos discutindo isso. É claro que esses meses que restam da administração de Garibaldi vão servir para que eu aprofunde todas essas ações. E como o tempo é muito curto, nós temos que compreender que eu tenho que fazer uma administração muito bem programada. Preciso saber o que farei do dia 1° ao último dia. Não posso sentar no governo e dizer o que é que vou fazer. Eu vou sentar na cadeira de governador e vou saber exatamente o que preciso fazer dentro de um programa pré-estabelecido, do 1° dia até o dia de entregar o governo, que, tenho certeza será entregue a Henrique Alves em 2003.

 

OM – O senhor disse que não pretende se aposentar. Isso é sinal de que o senhor já tem planos para o futuro.

FF – A primeira eleição depois de 2002 é 2004. E político, quando se mete em eleição, é para se eleger continuamente. Eu adoro eleição e vou dizer a você que vou passar dois anos sem mandato e espero que, sem um cargo em 2003, possa começar minha campanha para a prefeitura de Natal, logo nos primeiros dias.

 

OM – Um possível rompimento da prefeita Vilma de Faria poderá deflagrar a união com o secretário Carlos Eduardo Alves, que já despertou o interesse em disputar a prefeitura de Natal. Isso modifica o seu comportamento?

FF – De forma alguma. Eu tenho muito respeito pelo secretário Carlos Eduardo e há uma outra característica que devemos observar. Eu gostaria que o secretário Carlos Eduardo me apoiasse para prefeito de Natal, mas, se por qualquer circunstância não for possível, vou compreender e isso não vai, de maneira nenhuma, alterar o meu apreço para com sua pessoa. E tenho certeza que também ele tem o mesmo apreço por mim. Vou apenas lamentar se eventualmente nós formos disputar, ele de um lado e eu de outro. Espero que isso não ocorra. Espero que ele venha me apoiar como também eu possa vir até a apoiá-lo. Em política, não existem fatos consumados, posições inarredáveis. São sempre ações circunstânciais. Só serei prefeito se eu sair do governo do Estado bem avaliado e isso depende muito de mim. O povo reconhece quem trabalha, reconhece quem faz... Na hora que eu sair do governo bem avaliado e deixando saudade, eles vão querer o meu retorno em 2004.

 

OM – Como o senhor analisa a postura do jornalista Agnelo Alves ao declarar que ele não tem motivos para votar em nenhum dos nomes expostos até o momento ao governo do RN?

FF – Não me cabe analisar a postura do jornalista experiente, senador, prefeito de Parnamirim, ex-prefeito de Natal, Agnelo Alves. Prefiro acreditar que Agnelo Alves, meu amigo pessoal, é um homem extremamente lúcido e vai contribuir com esse processo e vai baixar com Henrique em 2002.

 

OM – O senhor chega ao governo em situação similar ao ex-governador Vivaldo Costa, que foi qualificado como um governador deficiente por centralizar a administração estadual à região do Seridó. O senhor está preparado para evitar esse erro?

FF – Eu discordo de você quando você diz que é uma situação similar. Não é uma situação similar porque Vivaldo Costa assumiu numa época em que não havia a Lei de Responsabilidade Fiscal. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi realmente um divisor de águas na administração pública deste país. Eu poderia falar também acerca do ambiente político que Vivaldo encontrou. Ele assumiu num ambiente econômico inteiramente diferenciado do que nós vivemos hoje. O Rio Grande do Norte é hoje um Estado saneado financeiramente. É um Estado com reservas, um equilíbrio financeiro em suas contas. Acho que esse é um dos grandes méritos da administração de Garibaldi. Por este equilíbrio, hoje o ambiente é diferenciado e não há semelhança nenhuma entre um momento e outro. A única semelhança que há é apenas dois vice-governadores que assumiram como muitos outros.

 

OM – Diante dessa realidade, os norte-rio-grandenses podem esperar um governo equilibrado para todas as regiões?

FF – Claro que sim. Mas, evidentemente, não quero estabelecer um programa de nove meses encarado como um programa de governo de quatro anos. Tenho uma ampla noção de que vou desenvolver um programa de governo relâmpago. Em nove meses não vou ser capaz de conter um desequilíbrio econômico que existe no Rio Grande do Norte. E esse desequilíbrio econômico é um assunto absolutamente importante. Acho que é o ponto 1 da agenda do Estado, hoje, mas nós não podemos colocar os carros na frente dos bois. Nós preparamos um ambiente para começarmos a trabalhar essas distorções. O importante é que haja uma articulação no sentido de nós irmos ao encontro das nossas vocações naturais e, com isso, possamos facilitar ao Poder Público chegar com a infra-estrutura para impulsionar e favorecer vinda de novos empreendedores.

 

OM – Já existe alguma ação do seu governo voltada para Mossoró?

Já conversei com o secretário Pedro Almeida e o governador Garibaldi deverá também anunciar a construção de duas escolas de ensino médio em Mossoró. Nós vamos procurar a prefeitura, vamos verificar o problema do terreno com o intuito de construir mais duas escolas em Mossoró. As ações não se limitarão a isso, mas é o primeiro passo para uma ação harmoniosa que contara com o apoio de todos os integrantes da Unidade Popular.

 

OM – Como o senhor vê a política mossoroense?

FF – Tenho uma estima muito especial pelos companheiros de Mossoró. Refiro-me a Gilvan Carlos e a Francisco José, dentro do PPB. Do lado do PMDB, temos a presença do meu amigo pessoal, meu companheiro de câmara, o deputado federal Laíre Rosado; temos a companheira Sandra Rosado, a nossa deputada estadual que vem trabalhando ao lado de Francisco José e de Gilvan Carlos com um importante desempenho dentro da Unidade Popular. Tenho a absoluta convicção que nós vamos nos entender dentro da melhor e maior harmonia possível. Se existir alguém em Mossoró apostando em algum tipo de desarticulação na Unidade Popular, notadamente dos três deputados estaduais e do deputado federal Laíre Rosado, vai perder essa aposta. Eu vou procurar e tenho certeza de que já iniciarei o meu mandato encontrando um ambiente político para os dois grupos do PPB e do PMDB que compõem a Unidade Popular dentro de Mossoró. Não quero estabelecer nenhum tipo de distinção entre eles

 

OM – O senhor dará apoio à instalação da Faculdade de Medicina na Uern?

FF – Eu darei, sim. Acho importante. Os primeiros passos foram iniciados, mas eu quero aqui falar com muita franqueza e sem querer nenhum tipo de polêmica acerca dessa matéria específica. Acho que a atividade pública deve repensar a questão do ensino básico, mas esse é um problema meramente conceitual e que não cabe nesta entrevista. O importante é que eu reconheço a Uern como uma entidade séria, que prestou e vem prestando grandes serviços à comunidade norte-rio-grandense, notadamente à Região Oeste. É uma entidade que deve ser prestigiada. Tenho conversado com o reitor Walter a respeito dessas matérias, pois ele é um homem preocupado com essas questões.

 

OM – As suas origens políticas surgiram com o seu pai, Jessé Freire, passaram pelo seu irmão, Jessé Filho, e estão sendo difundidas com a sua filha Fernanda Freire. O estilo permanece o mesmo diante das várias gerações?

FF – Meu pai, era um homem conciliador. Era um homem que tinha como característica a consistência. Ele começou como vereador em Natal e terminou como senador. Passou por todas as circunstâncias da política em vários momentos. O último momento se deu em 1980, quando conviveu com o regime militar, mas sempre foi um homem que disputou votos. Todas as funções que ele exerceu foram através do voto popular. Do meu pai, fica realmente essa característica. Acabei sendo contaminado de uma forma saudável pelo vírus da conciliação. Depois, veio meu irmão, Jessé Filho, que, infelizmente, nos deixou muito cedo, aos 28 anos de idade, e que também tinha essa característica. Agora, minha filha Fernanda, que foi a vereadora mais bem votada em Natal e está desempenhando um papel importante dentro do partido. Tenho certeza de que ela está amplamente contaminada por esse vírus da política. Se somarmos os nossos mandatos, serão mais de 65 anos sem interrupções de mandato popular com essa característica. E isso, para nós, é motivo de muito orgulho.