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Dona
Josefina e as areias coloridas de Tibau
Por Caio César Muniz
A cometida por um Acidente
Vascular Cerebral - AVC - desde o último mês de novembro,
dona Josefina Fonseca, pioneira no artesanato de areia
colorida de Tibau, hoje, só observa com olhar distante
a garrafinha incompleta que ela não pôde terminar.
Sem nenhuma ajuda do
poder público, a família lamenta o estado de saúde da
artesã, mas dá, através de uma única neta, continuidade
ao seu trabalho, que já vem de décadas contribuindo
para o sustento da família.
Cristiane Marques despertou
para a arte das garrafas de areias coloridas aos dez
anos de idade, diz que na época a maior dificuldade
encontrada era desenhar "os burrinhos", mas
que depois de algum tempo, superou estas dificuldades
e hoje faz uma peça em cerca de cinco minutos.
Cristiane relata que
a atual preocupação é a degradação dos morros, que traz
como conseqüência o desaparecimento das areias coloridas.
"Hoje, temos que andar um bocado para encontrar
alguns tons coloridos. Coconha, morador conhecido de
Tibau, ainda tem nos morros que cercam a sua casa alguma
coisa e nos deixa cavar por lá."
Mesmo sem movimentos,
quase sem falar e com pouca lucidez, ainda é por dona
Josefina que pessoas interessadas na arte a procuram
quase todos os dias.
Os últimos dois meses,
porém, não estão sendo fáceis para a família. Devido
ao agravamento da saúde de dona Josefina, Cristiane,
a única neta que desenvolve o trabalho da avó, também
não pode confeccionar nenhuma peça, justamente em um
período onde a procura aumenta.
Assim como as areias
coloridas de Tibau, também não é mais possível encontrar
com facilidade artistas sensíveis como dona Josefina.
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