Mossoró-RN, domingo 15 de janeiro de 2006

Dona Josefina e as areias coloridas de Tibau

Por Caio César Muniz

A cometida por um Acidente Vascular Cerebral - AVC - desde o último mês de novembro, dona Josefina Fonseca, pioneira no artesanato de areia colorida de Tibau, hoje, só observa com olhar distante a garrafinha incompleta que ela não pôde terminar.

Sem nenhuma ajuda do poder público, a família lamenta o estado de saúde da artesã, mas dá, através de uma única neta, continuidade ao seu trabalho, que já vem de décadas contribuindo para o sustento da família.

Cristiane Marques despertou para a arte das garrafas de areias coloridas aos dez anos de idade, diz que na época a maior dificuldade encontrada era desenhar "os burrinhos", mas que depois de algum tempo, superou estas dificuldades e hoje faz uma peça em cerca de cinco minutos.

Cristiane relata que a atual preocupação é a degradação dos morros, que traz como conseqüência o desaparecimento das areias coloridas. "Hoje, temos que andar um bocado para encontrar alguns tons coloridos. Coconha, morador conhecido de Tibau, ainda tem nos morros que cercam a sua casa alguma coisa e nos deixa cavar por lá."

Mesmo sem movimentos, quase sem falar e com pouca lucidez, ainda é por dona Josefina que pessoas interessadas na arte a procuram quase todos os dias.

Os últimos dois meses, porém, não estão sendo fáceis para a família. Devido ao agravamento da saúde de dona Josefina, Cristiane, a única neta que desenvolve o trabalho da avó, também não pode confeccionar nenhuma peça, justamente em um período onde a procura aumenta.

Assim como as areias coloridas de Tibau, também não é mais possível encontrar com facilidade artistas sensíveis como dona Josefina.

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