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Mossoró inteira chorou

Foi como se ontem, em pleno18 de fevereiro de 2003, Mossoró estivesse celebrando o dia 2 de novembro, data de Finados. Uma coisa totalmente desconexa, pois o calendário assinala uma semana pré-carnavalesca, contraditoriamente. O clima era de consternação em toda a cidade Mossoró que amanheceu triste e chorou. Um verdadeiro clima de pesar com o vandalismo que se viu no Cemitério São Sebastião. Fala-se na destruição de mais de 200 túmulos, outros dizem que foram100, outra corrente fala em 80. Mas, o certo é que o ato criminoso atingiu em cheio o sentimento e a sensibilidade de todos.

O ato de insanidade total atingiu e foi tão forte que feriu a todos, indistintamente. Sim, por que quem não possui um ente querido sepultado ali? Quem não é tocado na sua mais profunda intimidade deparando-se com uma cena como a que nos deparamos? Quem no seu mais profundo bem querer de uma hora para outra vê aquilo (ou aqueles) tidos e vistos com tanto carinho tratados com tanta desfeita, com tanta desordem, com tamanho desrespeito? Francamente, a cidade inteira foi atingida no seu cerne, naquilo que se imaginasse fosse mais sagrado na sua auto-estima.

Ademais, quando se sabe que não é a primeira vez que isso ocorre (embora desta vez em proporções bem maiores) foi aí que a comunidade como um todo se deu conta de que a prefeitura de Mossoró não cumpre a sua obrigação e o seu dever mantendo uma vigilância permanente no cemitério. Esta foi a primeira constatação cruel. Não há a devida vigilância no local. A prefeita Rosalba Ciarlini imagina que a cada ano caiando o muro do campo santo para o Dia de Finados, pintando a capelinha está cumprido o seu dever de casa. E essa não é  a verdade. É preciso fazer mais por aquele patrimônio que é de todos nós e isso inclui a sua guarda permanente por se tratar aquele local de um verdadeiro sacrário. Até a prefeita tem seus mortos por lá e, quem sabe, os seus túmulos também foram violados por igual.

Além da ação firme e segura que o caso exige, a investigação procedente e rigorosa, cabem diversas outras providências de parte das autoridades, em especial, à prefeitura. Mas, em meio a elas, reconhecendo o seu erro e a sua culpabilidade, a prefeita Rosalba Ciarlini tem a obrigação de mandar restaurar todos os túmulos atingidos pelo vandalismo. Com isso, não estaria de forma alguma corrigido o ato de agressão, de violência contra a memória dos que já se foram, mas estaria pelo menos reparado materialmente esse verdadeiro crime hediondo contra a cidade de Mossoró já que espiritualmente todos estão abalados e isso jamais será reparado.

Enquanto isso, façamos nossas preces e orações com mais fervor pelos que já morreram e que esses intercedam junto aos céus para que os verdadeiros responsáveis por tamanho vilipêndio, sejam encontrados e punidos exemplarmente. É o nosso pensamento.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003