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 Cemitério São Sebastião é alvo da ação de vândalos

O cemitério São Sebastião, localizado em pleno centro da cidade de Mossoró, foi palco, na madrugada de ontem, de um violento crime. Cerca de 100 a 159 túmulos foram violados por um grupo de pessoas até o momento ainda não oficialmente identificado, mas com fortes perspectivas de o vir a ser nas próximas horas. A polícia prendeu um suspeito que deve ser interrogado ainda hoje pelo bacharel Francisco Edvan de Queiroz, titular da Segunda Delegacia de Polícia (2ª DP).

Os vândalos, segundo informação em poder da polícia, entraram no cemitério por volta da 1h da manhã se utilizando do portão principal e justamente num momento em que não existe nenhuma movimentação no local nem nas áreas adjacentes. Algo planejado previamente.

A memória de milhares de pessoas que repousam eternamente no campo santo foi alvo da ira de um grupo provavelmente formado por mais de oito pessoas, que invadiram o cemitério e passaram  a destruir túmulos de mármore dos mais variados modelos. A baderna seguiu-se até as proximidades da capela, onde em umas das avenidas quase todas as edificações foram atingidas.

Em contato com O Mossoroense, o secretário de Serviços Públicos, Antônio de Castro, disse que a prefeitura se encarregaria de ressarcir todo o prejuízo (ver matéria na capa do caderno Cotidiano) e creditou este tipo de ação a pessoas portadoras de problemas mentais ou dominados pela bebida alcoólica e/ou drogas.

“Nós já solicitamos a perícia ao Instituto Técnico-científico de Polícia (ITEP), da mesma forma que convidamos a polícia a se interessar em elucidar o caso”, disse o funcionário público.

Zelador é acusado de prometer fazer
uma grande baderna

Baseado em informações por parte de pessoas que diariamente se encarregam de cuidar em manter limpos os túmulos do cemitério São Sebastião, a Polícia Militar efetuou a prisão na manhã de ontem, por volta das 10h, do zelador Antônio Ferreira de Brito, o “Duda” ou “Didiu”, 46 anos, que reside no bairro Belo Horizonte. Ele foi localizado em sua casa e conduzido para a 2ª Distrital e entregue ao delegado Francisco Edvan de Queiroz.

“Duda”, como é mais conhecido, zelava cerca de 100 túmulos no cemitério. A polícia tomou conhecimento de que nos últimos dias, devido ao fato de ele viver constantemente embriagado e não estar cumprindo com a responsabilidade, alguns parentes de mortos estavam abrindo mão de contratar os seus serviços.

Uma das principais testemunhas, uma mulher identificada como “Dona Bina”, teria confessado para a polícia ter escutado “Duda” dizer, na tarde de segunda-feira, que naquela noite ele e mais um grupo de pessoas iriam realizar uma grande baderna em Mossoró que chamaria a atenção de toda a população.

Em contato com O Mossoroense, Antônio Ferreira negou ter qualquer participação na ação criminosa, cujo custo econômico ainda está sendo calculado. Com alguns ferimentos nas suas mãos, ao ser inquirido como havia se machucado, ele respondeu tratar-se do resultado de um espancamento do qual foi vítima. “Foi uma surra que eu levei de meu irmão na semana passada”, declarou, ainda em completo estado etílico.

População convive com segundo atentado
em menos de 10 anos

Há cerca de sete anos, a cidade de Mossoró viveu momentos de estarrecimento, ocasião em que um jovem visivelmente enlouquecido invadiu as dependências da catedral de Santa Luzia e quebrou imagens sacras. Da mesma forma ontem, os que invadiram o cemitério São Sebastião destruíram esculturas em gesso que ornavam os túmulos. Em alguns deles, os desordeiros agiram com tanta rebeldia que restos mortais chegaram a ficar à mostra.

Um dos indícios que leva a polícia a associar o envolvimento de Antônio Ferreira, ou “Duda”, é o fato de os túmulos destruídos não terem seguido uma ordem. O desordeiro que participou desta aventura chegava a escolher as construções e em algumas delas agia de forma amena, enquanto em outras era visível o seu transtorno e grau de ódio, isso somente levado em consideração a forma como o patrimônio ficava.

CERCA – O coronel José Lopes, comandante da Guarda Municipal, opinou ao secretário Antônio de Castro a instalação de uma cerca elétrica na parte superior do muro do cemitério como forma de evitar que novas invasões viessem a acontecer, mas esta idéia foi rejeitada. (Mais matéria na capa de Cotidiano).  

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003