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Estado
suspende plantões de 28 médicos em maternidade
IZAÍRA
THALITA Da Redação
A
decisão tomada pelo governo do Estado do
Rio Grande do Norte, através da Secretaria
Estadual de Saúde, de interromper os plantões
das equipes de Anestesiologia, Pediatria
e Obstetrícia da única maternidade de Mossoró
que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS),
vem causando desconforto e preocupação à
administração local e à classe médica da
Maternidade Almeida Castro.
Segundo
Júlio César Aguiar, administrador da Associação
de Proteção e Assistência à Maternidade
e à Infância de Mossoró (APAMIM) - que compõe
a Maternidade Almeida Castro, Hospital Infantil
Cid Augusto e Casa de Saúde Dix-sept Rosado
- a decisão da secretaria chegou de surpresa
e poderá gerar problemas graves uma vez
que a Almeida Castro é a única a atender
parturientes pelo SUS em toda e qualquer
situação de emergência, principalmente em
situações onde a gravidez é de alto risco.
“O hospital
deixará de contar com o atendimento pelo
SUS das equipes de plantão principalmente
de obstetrícia, o que para nós é um fato
muito sério”, coloca o administrador.
Júlio César
conta que o atendimento com plantões destas
equipes que integram 28 médicos à disposição
do SUS, surgiu há cerca de quatro anos quando
os próprios médicos se reuniram e pleitearam
junto ao governo do Estado que já na epoca
não tinha meios para montar uma estrutura
hospitalar que atendesse as gestantes, distribuiria
os atendimentos entre as maternidades particulares
da cidade. No entanto, com a recusa destas,
a Maternidade Almeida Castro adotou o esquema
de atendimento.
Para se
ter uma idéia da importância desses plantões,
além de Mossoró, a Maternidade tem atendido
pacientes que chegam de mais vinte e cinco
cidades da região, sendo as maiores demandas
de gestantes das cidades de Governador Dix-sept
Rosado, Baraúna, Caraúbas, Assu e Grossos.
De janeiro a fevereiro foram realizados
621 partos pelo SUS, sendo que deste total,
quase 200 partos foram de gestantes vindas
de outras cidades, o que agrava o problema
ao se pensar que muitas pessoas de outras
cidades poderão ficar ainda mais desassitidas
com a interrupção nos serviços.
Esta semana
os médicos assinaram uma carta comunicando
o fato à diretoria do hospital e repudiando
a atitude da secretaria estadual, uma vez
que nenhum hospital da rede estadual na
cidade possui estrutura para referenciar
a gravidez de alto risco, com grande demanda
e o pior, podendo mais tarde responsabilizar
médicos até de omissão por esta falha.
“Os 28
médicos que compõem as equipes de plantonistas
além da denúncia nos solicitam providências.
Temos até sexta-feira para tentar resolver
isso antes que os serviços sejam interrompidos.
Já comunicamos o problema ao Conselho Municipal
de Saúde e tentaremos uma conversa com o
secretário estadual, para colocarmos a nossa
realidade, visto que 90% dos pacientes atendidos
na Maternidade são do SUS e mesmo insuficente,
fica impossível continuar com as equipes
sem a verba do SUS”, completa Júlio César
Aguiar.
A audiência
entre a administração da maternidade e a
Secretaria Estadual de Saúde está agendada
para o início da próxima semana. A conversa
é primordial uma vez que o município também
já colocou que não pode assumir ou manter
o serviço.
Número
de AIHs do município é insuficiente para
demanda
Aliado
a interrupção dos plantões na Maternidade
Almeida Castro, a unidade também tem assimilado
prejuízos significativos devido as poucas
Autorizações de Internação Hospitalares
(AIHs) fornecidas para atendimento do SUS,
mas pelo município.
Conforme
Aguiar, são disponibilizadas a esta que
é a única maternidade referenciada e com
atendimento pelo SUS na cidade e região,
apenas 557 cotas de AIHs quando a maternidade
tem atendido um número significativamente
maior ao de cotas. Tanto que a unidade está
com 1.176 AIHs paradas no faturamento, ou
seja que excedem ao de cotas e que acabam
gerando este total.
“Tudo isto
são atendimentos que já fizemos, medicamentos
que gastamos, estrutura e muito mais que
somam prejuízos de R$ 292 mil não recebidos.
Desde setembro do ano passado, temos um
prejuízo mensal de R$ 50 mil e isso
está complicando muito a situação interna
da maternidade. Já colocamos a situação
ao município, que alega que a quantidade
é insuficiente para todos os hospitais,
no entanto o município precisa redistribuir
suas AIHs”, explica Júlio César Aguiar,
afirmando não saber até quando a situação
de déficit em relação às AIHs poderá ser
mantida.
“A situação
está insustentável, até porque não há como
recusar essa demanda natural de gestantes
que nos chegam e outros atendimentos. Gostaríamos
que o município pudesse resolver essa situação
”, completa ele.
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