Umarizal busca reforço na economia através da agricultura

MÁRCIO COSTA
Da Editoria do Regional

Setor agrícola passa por trabalho de reestruturação que deve render bons dividendos à economia do municípioCom uma economia pautada basicamente na agricultura, o município de Umarizal, localizado no médio oeste do Estado, busca através da profissionalização do setor retomar o crescimento da economia, estagnada há alguns anos, com o fim dos tempos áureos da exploração do algodão.

A cultura, que nas décadas de 70 e 80 colocou a cidade de Umarizal em posição de destaque com a maior arrecadação de ICMS do Estado, acabou deixando o município ‘órfão’ de fontes alternativas de renda, enfraquecendo a economia da cidade e estagnando o crescimento.

Um trabalhado desencadeado pela Secretaria de Agricultura do município começa a mostrar os primeiros resultados e através de um planejamento executado de forma gradual, a exploração da terra e dos recursos hídricos surge como uma esperança ao sofrido homem do campo e a economia do município.

Além do suporte dado às culturas de subsistência como o feijão e o milho no atual período invernoso, a secretaria tem estimulado a revitalização da cultura algodoeira em caráter experimental e investido na profissionalização do setor pesqueiro que se apresenta como uma forte promessa para o ano de 2004. (Ver matéria).

Segundo o secretário de Agricultura do município, Radir Nascimento, as ações visando este fortalecimento seguem um cronograma dividido por etapas que estão sendo cumpridas e os resultados começam a aparecer.

“Estamos executando um planejamento respeitando todas as etapas e os resultados começam a aparecer”, destaca o secretário

DIFICULDADES – Mesmo diante do otimismo gerado pelo importante trabalho de fortalecimento do setor agrícola do município, as limitações e dificuldades encontradas para acelerar o processo são sentidas pela secretaria, que esbarra na deficiência de estrutura como principal agravante para a consolidação dos resultados.

“Sofremos com as limitações de recursos e os reflexos acabam influenciado na velocidade de surgimento dos resultados”, destaca Radir Nascimento.

Segundo o secretário, apenas metade das terras do município está sendo cortada para o cultivo de milho e feijão.

“Fizemos um estudo e chegamos a conclusão de que necessitaríamos de pelo menos duas mil horas de trator para cortar as terras destinadas ao plantio”, afirma Radir Nascimento, que buscou junto a órgãos estaduais a consolidação de parcerias visando ampliar a dimensão do programa. Buscamos parcerias com a secretaria estadual e Emater e chegamos a conclusão de que não existem recursos para o corte de terra para este ano. A prefeitura deve bancar algo em torno de 750 horas de trator, atendendo a cerca de 50% da demanda que é muito grande”, conclui o secretário.

Experimentos podem retomar cultivo
do algodão no município

Uma das mais rentáveis atividades do passado no oeste do Estado, o cultivo do algodão, poderá ser retomada a partir de um detalhado trabalho de revitalização executado pela Secretaria de Agricultura.

O trabalho de recomposição das áreas com o ‘ouro branco’ está sendo efetuado com experimentos direcionados aos agricultores do município apontando a melhor forma de cultivo do algodão na região.

“Disponibilizamos sementes para o cultivo de 1 hectare de algodão cultivado a partir de diversas técnicas. Apontamos ao agricultor os resultados, e as ligações com cada técnica, mostrando que é possível revitalizar a cultura do algodão na região”, destaca o secretário Radir Nascimento.

Segundo o secretário, a incidência do ‘bicudo’, praga que dizimou as plantações de algodão na região, ainda é grande em função dos métodos utilizados pelos agricultores.

“Os agricultores resistem as novas técnicas e a presença do ‘bicudo’ ainda se apresenta como uma barreira à retomada do cultivo em grande escala.

“Mesmo diante das dificuldades iremos manter o programa de revitalização que este ano deverá abranger uma área de 140 hectares”, conclui

Toda a produção do algodão é escoada para uma usina instalada na própria cidade de Umarizal.   

Atividade pesqueira deve ser explorada
até início de 2004

Com grandes reservatórios hídricos construídos nas décadas de 70 e 80, a cidade de Umarizal busca a partir de ações institucionais estruturar a exploração racional do segmento pesqueiro, mantido atualmente com características amadoras por poucos agricultores da cidade para fins de subsistência.

Os preparativos para a exploração econômica dos reservatórios hídricos do município de Umarizal estão sendo seguidos passo a passo com a viabilização de treinamentos e reforço na reserva pesqueira dos açudes e barragens do município.

“O nosso desejo se volta para o início da exploração racional da pesca o quanto antes. Estamos trabalhando para que esta possibilidade se transforme em realidade o quanto antes”, destaca o secretário de Agricultura de Umarizal, Radir Nascimento.

Ofertamos através da Secretaria de Agricultura do município dois cursos aos pescadores do açude do Rodeador.

Os cursos, piscicultura básica e apetrechos de pesca, deram início ao trabalho de capacitação destinado a explorar o potencial econômico dos principais reservatórios do município.

O treinamento acabou beneficiando 20 pescadores do município que aguardam pelos próximos passos do programa   

“A atividade pesqueira deverá reforçar a economia do município. Contamos com um técnico disponível para acompanhar o crescimento do peixe e todo um cronograma de amadurecimento da atividade vem sendo cumprido. Esperamos explorar o setor o quanto antes”, conclui o secretário.

REFORÇO - Nos primeiros meses do ano, através de uma parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura e com o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), o município conseguiu reforçar o potencial pesqueiro dos principais reservatórios hídricos.

Foram adicionados através da parceria 25 mil alevinos de tilápia do Nilo no principal manancial da cidade e mais 61 mil alevinos nos açudes públicos do município. “Foram 10 mil tambaquis, e 51 mil tilápias do Nilo, reforçando os açudes públicos da cidade”, destaca Radir Nascimento.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 19 de março de 2003