EDITORIAS

:: Cotidiano

:: Economia

:: Esporte

:: Polícia

:: Política

:: Regional

:: Universo

OPINIÃO

:: Editorial

:: Notas da Redação

:: Laíre Rosado

:: Emery Costa

:: Pedro Carlos

:: Cid Augusto

:: Giro pelo Estado

:: Sérgio Oliveira

:: De Olho na Mídia

SOCIAIS

:: Paulo Pinto

:: Carol Fernandes

:: Clickvip

SOCIAL-CIDADES

:: A notícia é

:: Alexandria

:: Almino Afonso

:: Apodi

:: Areia Branca

:: Caraúbas

:: Macau

:: Patu

:: Pau dos Ferros

:: São Miguel

:: Umarizal

O JORNAL

:: Assinatura

:: Expediente

:: Histórico

:: Painel do Leitor

 

 

Artigos indígenas influenciam arquitetura e decoração

 

Mayara Amorim
Da Redação

A arte se misturando ao cotidiano é comum com o passar dos tempos. Chega um certo ponto de não se compreender popularmente de onde surgem os costumes e influências atuais. Neste Dia do Índio, O Mossoroense mostra quanto a cultura indígena tem influenciado a contemporânea. Nas lojas de decoração da cidade e em revistas nacionais de exposição de projetos arquitetônicos o que se dita atualmente como "chique" são os produtos artesanais, sendo na maioria estátuas, máscaras e objetos de palha que fazem alusão ao índio.

O índio está em alta! É o que diz Emília do Vale, proprietária da loja de decoração Arte Flor que existe há mais de 15 anos em Mossoró. Ela lembra que as estátuas são diariamente procuradas e que caixotes, bandejas e porta retratos feitos a base de palhas, madeiras, bambus e grãos são muito bem aceitos.

A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica e à cestaria que são facilmente encontradas na decoração de "residências de luxo". Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são compostos. Os trabalhos feitos com penas e plumas de pássaros constituem a arte plumária indígena. Alguns índios realizam também composições de objetos e talhos em madeira.

Emília disse saber que os produtos são, na maioria, inspirados na cultura indígena, mas ressaltou que grande parte das pessoas que vão em busca dos objetos somente procuram o que está em moda. Seguindo os costumes indígenas ainda se pode utilizar princípios na sociedade atual.

Diversos estudiosos dizem que pintura corporal utilizada pelos índios servia como um meio de distinguir em que sociedade se classificava e como enfeite. Atualmente não é muito diferente. Modelos de roupas, carros, utensílios domésticos, músicas e linguagem apontam claramente a que grupo social as pessoas se enquadram, assim como os índios.

Origem do nome "Mossoró" - segundo alguns historiadores, o nome da cidade de Mossoró originou-se da palavra Monxoró - nomes dos índios que habitavam a região. Outros afirmam que o nome originou-se de Mororó, uma árvore resistente e flexível.

A assessoria de imprensa da prefeitura da cidade aponta no site do município como o nome tendo sido advindo por parte dos índios monxorós,  primeiros habitantes da região. Eles indicam como historiador e estudioso do assunto Luiz da Câmara Cascudo, dizendo que "há quem os designassem como da família dos potiguares e até mesmo como tapuias. Os monxorós eram de tipo baixo, ágil, platicéfalo, com hábitos de guerra e espírito taciturno".

No começo do século XVIII, foram os monxorós evacuados para a serra dos Dormentes, em Portalegre, sendo em 1749, vencidos pelos paiacús, auxiliados por Carlos Barromeu e Clemente Gomes de Amorim, dispersados e finalmente absorvidos por outras tribos mais fortes.

A prefeitura anuncia também a versão de Antônio Soares dizendo que Mossoró é corruptela de mô-çoroc, vocábulo indígena que significa fazer ruptura, o que rasga, rompe ou abre fendas. "Aplica-se bem ao rio Mossoró, que rasgou ou rompeu a terra marginal em diversos pontos, formando camboas". No mesmo trabalho, cita Miliet de Saint Adolfhe para quem o nome teria vindo de uns índios aldeados nas proximidades da foz do Apodi, que seriam os Macarus (ou Maçarus). Cita ainda Saldanhas Marinho, para quem "Mossoró" era corruptela de mororó, árvore muito flexível, resistente e vulgar no norte.

ODE AO INDÍGENA NORTE-RIO-GRANDENSE

Walner Barros Spencer
Arqueólogo, sociólogo e antropólogo

A poeira do tempo vai aos poucos cobrindo a memória indígena do Rio Grande do Norte.

Quem lembra das orgulhosas tribos que dominavam essas vastidões encandeadas de sol?

Quem lembra dos indígenas como eles gostariam de ser lembrados: senhores de si, plenos de vitalidade, valentes no domínio de seus chãos, grandiosos na peculiaridade de suas culturas?

Quem guarda seus sonhos? Quem cultua seus nomes para a posteridade? Quem zela pelos lugares que lhes foram sagrados? Quem lhes garante a eternidade através da lembrança de suas façanhas? Quem marca, em honra deles, um só lugar onde viveram?

Quem recorda as vitórias que tiveram e as glórias que conquistaram?

Quem ensina às crianças o valor de suas culturas, a dignidade de suas lutas, a virilidade de suas resistências, a fidelidade de suas alianças, o direito de suas opções?

Quem as ensina que o sangue e a cultura indígena não se esvaíram, mas estão em nós e em nossos atos, pois são eles, também, nossos ancestrais e avoengos, como os outros que costumamos lembrar?

Onde existe um memorial que lhes faça homenagem, um monumento que lhes assegure o crédito da parte que lhes toca na formação histórica e social desta terra?

Por que estão na história como figurantes, se foram seus agentes? Por que estão sempre como pano de fundo dos atos europeus, se foram seus altivos autores?

Somos um povo miscigenado, fruto de uma simbiose cultural e biológica, acontecida na terra dos brasis. Povo único e diferenciado. Como esquecer a parte da herança que nos faz diferenciados?

Como tirar a dignidade de uma parte de nós mesmos, seja esquecendo-a, seja negando-lhe, através de utopias deformantes, a realidade que tiveram?

Se tanto foi perdido, há muito que recuperar. Mas há que se recuperar primeiramente a realidade histórica do indígena, para que a memória dele possua a altivez que sempre demonstraram, e não a comiseração que nunca suplicaram. Há que se recuperar a dignidade de que sempre se revestiram como seres reais, e não inculcar-lhes ingênuos valores e virtudes advindas do imaginário europeu ou das frustrações da sociedade moderna.

Escutemos com atenção, pois das planícies sertanejas, dos serrotes empedrados, das serras que balizam as solidões, ergue-se um grito de séculos:

NÃO SE ESQUEÇAM DE NÓS! HONREM-NOS

 

 

Copyright,© 2000-2006 - Editora de Jornais Ltda - Todos os direitos reservados
Site melhor visualizado em 800x600

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site