CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 


LULA PROMETEU DOBRAR O MÍNIMO...

Tudo levava a crer que, este ano, o debate sobre o assunto seria completamente diferente. Seria, entretanto estão acontecendo algumas derrapagens no novo governo que indicam justamente o contrário...

O Partido dos Trabalhadores, mais do que uma promessa de campanha eleitoral, tem de honrar seu compromisso histórico com o resgate do poder de compra e da dignidade do Salário Mínimo. Neste sentido, causam preocupação as posições externadas, até agora, pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da silva, quanto a data da entrada em vigor e o valor a ser adotado.

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tem feito declarações de que a fixação do SM cabe ao presidente e que Lula anunciará a decisão "em abril".  A afirmação passou  meio despercebida pela maioria dos veículos de comunicação, mas a data da entrada em vigor  do reajuste do SM, de três anos para cá, passou a ser antecipada de 1* de maio para 1* de abril. Ora, para isso, o valor tem que ser anunciado, no máximo, até o final de março. Se, nas entrelinhas, o ministro tiver deixado escapar que o governo pretende que a vigência volte para o dia 1* de maio, será um retrocesso, numa conquista minguada, mas real, conseguida pelo movimento sindical. Vamos esperar que seja apenas esquecimento, apenas um ato falho do trabalhador Zé Dirceu, agora ministro José Dirceu!!

Já o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e membros da equipe econômica  têm propalado que o novo valor deve ficar em 234 reais. Ou seja, um reajuste de apenas 17%, o que, mais ou menos, apenas repõe a inflação oficial medida pelo IPCA (12,5%, em 2002) e fica muito abaixo do IGPM (25,3% em 2002) que tem, na verdade, refletido com maior exatidão a realidade dos preços que realmente pesam no bolso dos assalariados: alimentação, aluguel, transportes, gás de cozinha, e tarifas como água e luz.

Pode ser que os 234 reais sejam apenas um balão-de-ensaio para sentir a reação da sociedade e, ao mesmo tempo, produzir uma sensação popular de que houve um aumento maior do que o esperado quando o presidente da república anunciar os 240 reais. O que, se acontecer, convenhamos, Lula  não estará fazendo nada mais do que a obrigação, uma vez que os recursos para o valor de 240 reais já estão previstos no Orçamento Geral da União para 2003, aprovado no final do ano passado pelo Congresso Nacional com os votos, também, do próprio PT.

Mérito terá, o presidente, se tiver coragem de estabelecer um valor maior, digamos de 250 reais, que corresponderiam a 25%. O que seria, além de mais justo, compatível com promessa de palanque de Lula de dobrar o poder de compra do SM em 4 anos de mandato. Até porque, se não aplicar percentuais de 25% em 2003, 2004 e 2005 e um percentual de 30% em 2006, não conseguirá dobrar o valor atual, descontada a inflação, evidentemente. Não adianta chegar em  abril de 2006 com o Mínimo estipulado em 400 reais. Para valer o dobro dos atuais 200 reais - prevendo-se uma inflação anual de apenas 10% nos próximos  três anos - o SM precisaria alcançar o patamar de pelo menos 500 reais em primeiro de abril de 2006.

E, na verdade, o ex-retirante e ex-presidente de sindicato de trabalhadores, não terá mais 4 anos  para resgatar a dignidade salarial da imensa maioria dos brasileiros, massa de onde ele próprio conseguiu a proeza de sobreviver e emergir. Terá, sim, menos de três anos, três oportunidades, até dezembro de 2005 - um ano antes do término de seu mandato - para deixar consignado no Orçamento de 2006 os recursos para cumprir a promessa (em abril) de dobrar o poder aquisitivo do indecente Salário Mínimo. Imagino que ele ainda não tenha se dado conta disso. Corre, nesta questão, contra o relógio, inexorável, do tempo!!

Ótima semana para todos - pelo Mínimo, o PT pode realmente começar a mudar o Brasil. Contribuindo para a qualidade de vida e para o crescimento econômico. Porque com o atual SM, não há consumo e sim subconsumo - quinta-feira (27/2) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

 

CLÁUDIO MONTEIRO

EMAIL: claudiomonteiro@natalja.com.br

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Mossoró-RN, quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003